assaltaram a gramática

ainda não me aprofundei muito sobre as reais mudanças que a reforma ortográfica vai trazer, mas ao contrário da autora dessa crônica aqui, já formei várias opiniões a respeito, todas elas sem o menor fundamento, claro.

em primeiro lugar, fiquei um pouco confusa sobre os hífens e os acentos que caíram, sempre usei acentos por instinto, nunca fui capaz de decorar uma regra. já o trema, confesso, não me fará nenhuma falta.

acho que quanto mais velho a gente fica, mais resistente a mudanças se torna também. minha mãe, por exemplo, ainda escreve coisas com uns acentos que caíram na reforma anterior a essa e nem se dá conta. minha tia já avisou: vou continuar fazendo tudo igual.

talvez o que mais tenha me abalado foi a unificação dos portugueses mundo afora. lá em portugal está um furdúncio, praticamente uma revolta popular, com a qual sou solidária. e não é porque eles são os "pais" da língua, assim fosse estaríamos falando latim até hoje. ou grego. ou uga-buga. o que eu considerei um grande sacrilégio foi terem abolido do português de portugal, que agora é um portugês só, os p's e os c's nas palavras como baptismo e actriz e ainda outros charminhos d'além mar. agora pense só que coisa sem graça pegar um livro do saramago e não ler mais "por desejo do autor, foi mantida a ortografia vigente em portugal". livros de autores portugueses têm que ter sotaque luso. pois!

no outro dia bela corrigiu aqui uma pera que eu tinha escrito sem acento. eu fui lá, coloquei o chapéu na pêra e editei o post. agora o acento de pera caiu e o blog ficou errado. e por falar nela, sua família tem uma história engraçada sobre o assunto:

o nome original da dinastia é saboya, como o bisavô e o tio-avô mais velho. reza a lenda que entre um filho (o tio-avô) e outro (o avô) aconteceu a reforma ortográfica que baniu o y da língua portuguesa. o bisavô então resolveu batizar o filho mais novo usando a grafia correta, ou seja, saboia. dessa forma, ficaram os dois irmãos com o sobrenome diferente, um saboya com y e outro saboia com i. a bem da verdade se o bisavô quisesse ser preciosista ao extremo, deveria ter chamado o filho de sabóia, com acento. ainda bem que não fez essa bobagem porque, além de o y ter voltado, o acento do saboia teria caído com a nova reforma - pra ver como a língua dá voltas!

mas com essa anistia das letras exiladas do alfabeto, de quem eu mais me lembrei mesmo foi do pai da juca: ex-professor de português, admirável e dileto guardião da nossa língua. caxias como ele só, não aceitava dos alunos nenhum tipo de profanação à gramática, e nem os nomes próprios escapavam, como não escaparam os sabo(y)ias. assim, se por ventura um aluno se chamasse wesley, ou uma aluna se chamasse katia, ele ia lá na prova ou na chamada, riscava e escrevia uéslei ou cátia. ao que os alunos protestavam: mas professor, o meu nome é com k, y, w! e ele placidamente respondia que aquelas letras não existiam na língua portuguesa. fico me perguntando se com a nova reforma seus ex-alunos lembraram do professor caxias e se pensaram com um misto de orgulho e desforra: agora meu nome pode ser oficialmente reconhecido pelos estatutos da língua portuguesa.

é sempre tempo de fazer alguma coisa inédita na vida

hoje, aos 31 e pela primeira vez, eu fiz uma apresentação usando o microfone. e nem doeu.

posto 7

na terra do sol deus e o diabo estão muito mais próximos do que se possa imaginar.

e o diabo não é assim tão feio quanto pintam.


a defesa de uma árvore

já estamos em janeiro e provavelmente muita gente - notadamente os moradores da zonal sul "nobre"- respirou aliviada, afinal de contas a árvore da lagoa será desmontada. mas preciso confessar: eu sou a favor da árvore. não é que goste dela propriamente dita, pessoalmente a árvore me é indiferente. apenas acho cafona falar mal.

sim, o trânsito piora e o fluxo vindo da zona norte aumenta. e daí? qual é o problema em as pessoas buscarem uma diversão diferente, inofensiva e gratuita? o carioca adora tirar essa onda de povo democrático, que vive em um lugar onde os ricos e pobres se misturam, mas só quando convém. quando convém, o povo da zona sul atravessa o túnel e vai democratizar em alguma quadra de escola de samba na zona norte. agora ai de quem inventar de fazer o percurso inverso! sai pra lá, suburbano, cada um no seu quadrado! me cheira um pouco a nazismo, sabe? a "zona pura".

hão de dizer: imagina, o problema é o engarrafamento causado pela árvore! o engarrafamento dura dois meses. como se o rio não fosse suficientemente engarrafado em qualquer época do ano, como se a maior concentração de carros per capita não estivesse justamente na zona sul (talvez barra). imagine se os moradores da tijuca e vila isabel fizessem um abaixo-assinado (abaixoassinado?) para implodir o maracanã porque o trânsito fica impraticável todos os domingos e quartas do ano? não me parece razoável...

não sou hipócrita. é claro que eu acharia o mundo um lugar melhor se todos fossem bonitos, cheirosos e usassem roupas da osklen. mas seria um lugar melhor ainda se as pessoas fossem mais gentis, educadas, bem humoradas e sobretudo tolerantes.

retrospectiva 2008

mais um ano e uma retrospectiva um pouco atrasada, já que 2009 chegou com tudo. 2008 não foi um ano incrível, mas foi um ano positivo, com a balança pesando para o lado bom, como deve ser.

achei o fim de ano bem esquisito, choveu muito, eu estava estranha. uns dias em casa não contribuíram em nada para aquela faxina real e mental que normalmente se faz nesse época, nem para botar os pensamentos em ordem, nem para resolver pendências. mas serviram para relaxar e fazer nada, o que já está de bom tamanho. claro que a culpa de não ter dado cabo de itens importantes do meu "to do list" fica martelando insistentemente em algum canto da minha cabeça, mas isso é assunto para outro capítulo.

duro também foi ter que passar um ano com 01 e 02 morando a kilometros (agora já posso escrever com k!) de distância, e tendo que me contentar com visitas esporádicas, mas... c'est la vie. pelo menos quando a gente se encontra é como se os tais kilometros nunca tivessem existido.

o ano começou com um carnaval genial, despedida temporária do carnaval do rio, já que em 2009, para o bem conjugal, devemos ficar longe da cidade.

depois foram viagens uma atrás da outra, são paulo, são luís, recife, são paulo de novo, e a gloriosa viagem ao velho mundo, quando a grécia entrou pro nosso coração pra sempre. no segundo semestre, já devidamente falidos, viajamos bem menos. foi só uma ida rápida a são paulo e um feriadinho em búzios. as viagens protocalares não contam.

li bastante, mas escrevi pouco.

descobri um bom cabelereiro. costumo me decepcionar com cabelereiros na terceira ida, mas esse passou na prova.

fiz cursos interessantes e resolvi me dedicar aos cursos de cultura geral daqui pra frente.

em pouco mais de um ano morando aqui, resolvi reformar o apartamento. agora sim ficou com a minha cara (sim, é preciso admitir, ficou mais a minha cara). pra comemorar, promovemos uns almoços e festinhas memoráveis. o menu, que em 2007 era basicamente bruscheta, evoluiu tremendamente em um ano.

fui menos à praia, trabalhei alguns fins de semana, talvez um pouco mais do que pretendia quando determinei que 2008 seria um "ano de cigarra". mas não reclamo, cantei quando tinha que cantar, formiguei quando tinha que formigar. sem dramas.

em compensação, nos últimos tempos adquiri o vício tardio do videogame. como todo vício, é delicioso, mas toma mais tempo e energia do que eu gostaria. às vezes acho que eu estou virando uma nerd louca.

na ciranda da vida, fui a cinco casamentos, dois funerais e um batizado.

e 2008 terminou, em casa, junto de gente querida. e 2009 começou, no melhor lugar do mundo.


mais uma vez, os planos pra esse ano que começa são modestos. preciso entregar uma monografia encruada, até o final do mês. se conseguir, já vai ser um risquinho na minha "to do list". vou comemorar o nascimento de alguns bebês. tenho umas viagens em mente, espero poder realizá-las. quero continuar recebendo amigos. pretendo estar com a família, ser mais presente. o resto vem, ou eu vou atrás.

por isso, desejo, acima de tudo, disposição pra continuar o caminho, porque acredito que ele estará cheio de (boas) surpresas.




fim de ano auto-explicativo



adios 2008...

passei rapidinho pra dar feliz ano novo pra mim mesma e pros poucos que passam aqui. vamos celebrar o ano novo e também o que passou.

que 2009 seja mais leve, em todos os sentidos. e que chova menos também.

amém, oxalá.

wii update 2

a louca chega de viagem. não tem ninguém em casa, ela vai dormir sozinha hoje. a louca põe o mario kart no wii e fica jogando até uma da manhã com os amigos mario, luigi, wario, peach, toad e donkey kong. depois vai dormir meio tonta, com a sensação que sua cama é uma pista de corrida.

pelo menos ela conseguiu chegar em 4o.

wii update

como adepta fervorosa do sedentarismo, é claro que o surto movimente-seu-corpo-com-nintendo-wii não ia durar muito. mas agora, quem diria, minha nova mania é mario kart [para os não-iniciados, trata-se de um joguinho besta de corrida estrelado pelos irmãos mario & luigi]. o problema é que eu sou vítima de uma lacuna de quem viveu a infância inteira sem o mínimo contato com o mundo dos videogames. sendo assim, chego invariavelmente em último em todas as corridas, não importa o circuito. é um pouco humilhante.

dando o braço a torcer

sempre fui avessa a videogames em geral, mesmo durante a infância. nunca tive paciência pra jogar no computador o jogo de mesmo nome, e só tive uma fase vagamente viciada naquele jogo de cobrinha do celular, em um tempo que andava muito de metrô. por isso, quando o cônjuge veio com uma história de que ia comprar um videogame pra casa eu torci o nariz. a desculpa era que 01 e 02 vêm passar as férias no rio, e assim teriam uma distração a mais, mas é claro que quem queria mais o videogame era ele mesmo.

nos primeiros dias deixei ele se distraindo com o brinquedo novo enquanto eu lia indiferente no quarto. até que ontem convidamos amigos para uma sessão e é preciso dar o braço a torcer: o wii é muito divertido! não é à toa que ele fez tanto sucesso entre pessoas que habitualmente não jogavam, porque a sacada do controle "freehand" é genial. depois de jogar boliche, tênis, e golfe, acabamos todos esgotados com duas partidas de boxe cada. aliás, já que eu não consigo mesmo fazer nenhuma atividade física, adotei um treino virtual diário de boxe como minha mais nova medida contra o sedentarismo.

curiosidades: o inferno são os outros

muita gente sabe que o autor dessa expressão famosa, "o inferno são os outros" foi jean-paul sartre. o que me surpreendeu é que essa frase não foi dita em nenhum livro seu, mas em uma peça escrita por ele durante a segunda guerra, chamada "entre quatro paredes". nela, três pessoas vão parar no inferno:

"eles chegam um após o outro e se vêem trancados num quarto mobiliado com antiguidades feias. a princípio ficam aliviados. esperavam instrumentos de tortura e carvões em brasa. depois, compreendem. não há espelhos, livros, escovas de dentes, distrações. tudo o que têm - pelo resto da eternidade - é uns aos outros."

fonte: hazel rowley em "tête-à-tête"

uma manhã feliz

sábado foi dia de ir ao saara. pra mim o segundo melhor lugar do mundo, depois do arpoador, é o saara. meu coração bate mais forte quando eu piso naquelas ruas. é o sangue libanês correndo nas veias.

[parêntesis para contar o laço afetivo com o saara: meu avô chegou no brasil ainda jovenzito, vindo do líbano com seu irmão. não falava nada de português, mas aprendeu na cara e na coragem, vendendo bugigangas como mascate. muito tempo depois ele conseguiu prosperar e finalmente abriu seu "lojinha" de artigos para enxoval, em plena senhor dos passos, de onde só saiu no dia em que morreu. hoje fico um pouco triste de ver o saara dominado pelos chineses e afins, mas ainda bem que restam uns poucos resistentes de descendência árabe.]

demos um longo passeio pelas ruas principais e transversais, de onde saímos com:

- guloseimas variadas da casa pedro, pagas com ticket-refeição;
- 2 panos de chão;
- 1 papai noel que sobe uma escada cantando uma música insuportável (era presente);
- 2 pacotes com pregadores em forma de bichinhos;
- 2 panos de chão;
- 1 pisca-pisca de laranjinhas (que se tornou minha maior obsessão da manhã, a ponto de eu não conseguir imaginar mais a vida sem um daqueles, que por sinal parou de funcionar no minuto seguinte que colocamos na tomada de casa);
- 1 espelho redondo, para um experimento decorativo;
- 1 ramalhete de flores artificiais para compor minha fantasia de vanessa da mata, na festa que aconteceria à noite; e
- 3 pacotes de gel de bolinhas, que parece ter se tornado a nova mania do saara, porque em cada esquina há um camelô vendendo isso. tratam-se de umas bolinhas que depois de um tempo de molho na água incham, e ficam parecidas com bolas de gude coloridas. pra que serve a gente não entendeu bem, mas achamos bonito e compramos 3 pacotes por 5 reaL.

pra completar, nos regalamos com duas esfirras, uma aberta e uma fechada, um churrasquinho de kafta, servido no meio da rua e uma laranjada no point mais tradicional da região: a pastelaria com azulejos de laranjinhas.

é ou não é a maior diversão?

os mitos & eu

então eu inventei de fazer um curso de mitologia grega e estudar esse universo pagão - na universidade católica. delícias do ser pós-moderno.

na condição de hospedeira de uma mente delirante como a minha, estou achando fantástico e durante o dia me pego divagando sobre que deus eu seria se vivesse no olimpo. não me decidi entre afrodite, dionísio e perséfone, se bem que hermes seja também muito simpático.

na aula que vem, vamos começar a estudar a ilíada. aí vem o outro lado da moeda do ser pós-moderno: na minha cabeça aquiles sempre terá a cara do brad pitt, heitor a do erick bana e páris a do orlando bloom. dos estragos que hollywood faz no nosso imaginário...

eco

(...)"então não tendes uma única resposta para vossas perguntas?"
"adso, se a tivesse ensinaria teologia em paris."
"em paris eles sempre têm a resposta verdadeira?"
"nunca", disse guilherme, "mas são muito seguros de seus erros."
"e vós", disse eu com impertinência infantil, "nunca cometeis erros?"
"freqüentemente", respondeu, "mas ao invés de conceber um único erro imagino muitos, assim não me torno escravo de nenhum."

tive a impressão que guilherme não estava realmente interessado na verdade, que outra coisa não é senão a adequação entre a coisa e o intelecto. ele ao contrário divertia-se imaginando a maior quantidade possível de possíveis.

[umberto eco, o nome da rosa]

há flores em tudo que eu vejo


[porque... é primavera!]

metida!

numa mesma semana ganhei um livro da frida e um do gaudí, de dois queridos distintos. não preciso nem dizer que fiquei toda boba, né?

profecias do jardim

há um ano: "...mas é primavera, e a vida reflorescerá."

é primavera mais uma vez e uma nova sementinha está germinando!

[não há maior beleza do que no tempo e suas estações.]

uma noite inesquecível no teatro municipal

a casa está cheia e a orquestra já entrou no palco. as luzes se apagam e todos esperam o convidado da noite, o pianista nelson freire. de repente os gritos ficam mais altos e eu percebo que não estão mais saudando os músicos. "luz!" e "médico" é o que eu ouço. a orquestra olha pra cima, vê a gritaria e confusão e não entendem nada, mas percebem que está acontecendo alguma coisa, por isso esperam. é um senhor que está infartando. chegam alguns médicos e um bombeiro e o levam em uma maca. ele estava sozinho. anunciam que o homem foi socorrido e passa bem. a orquestra começa a tocar. eu rezo.

eu não consigo focar só na música, apesar de estar gostando. penso em mil coisas, em como será a relação entre os músicos, como é o processo de trabalho deles, o que é valorizado, onde entra a criatividade, ou será a técnica o que mais conta? será que existe conflito de gerações com tantas diferenças de idade entre os integrantes? tenho vontade de estudar o grupo. penso nos filmes que quero ver. penso nas coisas que ainda quero descobrir. penso também em como a música pode ser um enigma para alguns, como eu, e algo orgânico pra tantos outros. penso ainda no que os outros pensam enquanto assistem(?), ouvem a orquestra.

na saída, um casal discute e quase sai no tapa. o lugar e o momento são impróprios, mas as pessoas já perderam o senso de adequação há muito tempo.

na mesma noite, no contexto da minha total ignorância sobre música clássica, descobri o que é um spalla. o spalla é o violinista principal da orquestra, aquele que dá o tom para todos os músicos, não só os do seu grupo de instrumentos e é subordinado apenas ao maestro.
e ninguém há de discordar que eu fiz essa descoberta da melhor forma possível:


[spalla da orquestra petrobras sinfônica, que acaba de pular direto para o número 1 da minha wish list.]


[p.s. espero que o homem tenha sobrevivido, que tenham chamado alguém da família dele e que ele esteja bem agora.]

o paradoxo das ex

as mulheres em geral detestam as ex dos seus atuais. mas se as ex não existissem, talvez faltasse assunto no mundo. ou seja, as ex são um excelente pretexto pra começar uma daquelas boas sessões de maledicência feminina, muitas vezes compartilhadas com homens também. virtuoso ou vergonhoso, as ex compõem o passado amoroso de um sujeito, quer as atuais queiram, quer não. o paradoxo está no fato de que por mais que as mulheres reclamem, elas não se dão conta de que muito pior seria se o seus respectivos ex nenhuma tivessem.

"fulano não tem ex."
"como assim, não tem ex? era virgem? nunca namorou ninguém? iiiih, que esquisito, hein? toma cuidado com esse cara, não tem ex, não leva as coisas a sério, não tem experiência em relacionamentos ou coisa bem pior. cuidado, ó filha, cuidado!"

uma ex é como um como um campo de teste, um estágio probatório na vida de um homem. espera-se que este homem esteja em evolução, o que pode ou não acontecer, mas isso não é problema da ex, é problema dele. se o mundo é ruim com elas, seria pior sem elas. até porque todo mundo já foi ex, já reclamou de ex e um dia, quem sabe, ex será também.

[claro, tem ex de todo naipe, existem as boazinhas, que ficam melhores amigas das atuais ou pelo menos mantém relações civilizadas com os novos pares. mas aqui me refiro àquela ex arquetípica, aquela freak-descontrol que liga pra atual dizendo "ó, seu marido tá aqui comigo a-go-ra lambendo o dedão do meu pé", como em uma versão (extra) conjugal do famoso trote do sequestro. com a diferença que elas não querem cartões telefônicos em troca, e muito menos o marido de volta. querem apenas tirar o sossego da incauta da vez.]

você sabia? [curiosidades] :: a guerra dos navegadores

no fim dos anos 90 a internet estava se popularizando no mundo todo e as empresas de software do vale do silício na califórnia eram a bola da vez. a região estava para a época como florença foi durante o renascimento, ou seja, "o centro do mundo".

no olho do furacão se encontravam a já poderosa microsoft e a netscape. isso porque as duas protagonizaram a guerra dos browsers, que são a principal interface dos usuários com a própria rede, daí sua importância estratégica.

a netscape vinha dominando o mercado com seu navigator e tirava onda no silicon valley, e bill gates, claro, não estava achando a menor graça. assim, decidiu lançar mão de práticas escusas para empurrar seu browser, o explorer, goela abaixo dos consumidores. aos poucos a netscape foi perdendo participação, mas a pá de cal aconteceu quando o explorer passou a ser distribuído grátis com o windows, o sistema operacional dominante nos computadores do mundo inteiro. como a netscape dependia da receita da venda do navigator, não podia se dar ao luxo de distribuí-lo de graça.

no lançamento do internet explorer 4, bill gates achou engraçado ir cantar vitória no território do inimigo, por isso encomendou uma festa de arromba em são francisco, onde ficava a sede da netscape, para seus engenheiros e equipe de vendas. no fim da festa, os engenheiros já bem bêbados, notaram um "e", que é a logo do explorer, gigantesco no jardim, e tiveram uma idéia diabólica. pagaram um motorista, içaram o "e", que devia pesar algumas centenas de quilos, na capota de um caminhão. cheios de vaidade, budweiser e espírito de porco na cabeça, dirigiram até a sede da netscape e jogaram o "e" no meio da fonte que ficava na frente do belo edifício da concorrente derrotada.

[eu sempre preferi o netscape, porque na época em que banda larga não existia, ele era bem mais rápido que o ie. hoje em dia uso o firefox em casa e o ie no trabalho por força das circunstâncias. achei essa história engraçada porque ela ilustra bem o que a minha tia maria clara queria dizer quando falava que "quem governa o mundo é o espírito de porco".]


fonte: discovery channel

você sabia? [curiosidades] :: john lennon em cuba

em havana existe um parque chamado john lennon, e no meio dele um banco, com uma estátua de john lennon sentado, inaugurada pelo próprio fidel, no dia do vigésimo aniversário de morte do ídolo inglês.

tal qual nossa estátua de drummond na orla de copacabana, muitas pessoas se sentam no banco e batem um papo com o artista empedrado. e também em cuba, como aqui, roubaram os óculos da estátua. atualmente, o vigia do parque tem a custódia dos óculos de jonh lennon. se alguém quiser tirar uma foto com o ex-beatle, o vigia vai lá, coloca os óculos na estátua, e depois de registrado o momento, os guarda novamente sob sua responsabilidade.

fonte: the history channel

pequenos delitos da carne (semi-ficção)

tinha de 14 pra 15 e estava namorando o filho do açougueiro, 10 anos mais velho. era um namorico de bairro, e não causaria grandes estremecimentos na família não fosse a diferença de idade entre os dois e uma velha rixa da mãe dela com o pai dele. (houve um dia em que a mãe achou que o açougueiro estava roubando no peso da carne e quis subir no balcão pra dar na cara dele, além de ter espalhado na vizinhança que ele era um ladrão.) por essas e outras que ela namorava escondido.

mas, não há nada que seja imune a uma irmã mais nova, para quem uma intriguinha como essa significava uma grande emoção nos seus dias de infância tranquila de bairro. não só a pequena descobriu o romance, como foi direto dar com a língua nos dentes pra mãe. a mulher ficou furiosa e ameaçou matar os dois, caso ela insistisse em se encontrar com o filho do açougueiro-ladrão. ela não se fez de rogada e continuou vendo o mancebo às escondidas.

só havia um problema: o rapaz e sua família moravam no prédio em frente, janela com janela com o apartamento delas. assim, ela estudou da sua própria casa um ponto cego na sala dele, de onde não poderia ser vista pela mãe na casa do sogro. descobriu uma pilastra e criou lugar cativo atrás dela todas as vezes que visitava o namorado.

um dia o açougueiro deu uma festa e ela, claro, estava lá, protegida pela pilastra. só que a casa foi enchendo de gente, e à medida que chegavam mais pessoas, os novos convidados iam chegando pro lado, pro lado... quando ela se deu conta, tinha saído do seu esconderijo estratégico pra ficar bem na mira do inimigo. não deu outra, a mãe olhou pela janela e julgou reconhecer a filha na casa em frente, só bastou a confirmação da irmãzinha, que estava mais era querendo ver o circo pegar fogo. em menos de um minuto tocou o interfone e da janela ela ouviu os berros da mãe: "manda a minha filha descer pra casa A-GO-RA!" mortificada de vergonha, ela desceu acabrunhada, se trancou no quarto e chorou a ruína da vida, como só os adolescentes sabem fazer. acabou desistindo do amor proibido e virou vegetariana.

se bem que...

ontem mesmo estava andando por aí e tive a impressão que o rio estava enfestado de gente feia, gorda e mal vestida. me deu uma vontade de ter uma espingarda e sair atirando em um por um, promovendo a verdadeira purificação estética.

[em momentos de melhor humor essa pessoas são justamente as que mais me divertem]

e fora que a minha rua afundou.

:-/

rio de janeiro, gosto de você

mentalize um restaurante granfino, numa rua idem.

do lado de fora: um jaguar, um chrysler e um audi.

dentro: gringos de calça jeans, casais de coroas, um casal de jovenzitos (a menina estilosa, o menino de bermuda), grupos comemorando aniversário, homens de negócio.

eu e o cônjuge integrávamos o cenário, por ocasião de um jantar romântico, do estilo "leve dois pague um", cortesia do cartão de crédito. como era uma ocasião especial, a idéia era passar em casa pra trocar de roupa, mas acabamos ficando até mais tarde nos respectivos trabalhos e fomos direto, com a roupa do dia todo.

estava tudo ótimo e o serviço foi impecável. daí que eu fiquei me perguntando se em outra cidade seríamos tão bem tratados, tendo chegado a pé e com roupas meio esculhambadas. duvido até que tivessem permitido a entrada do guri de bermuda, que aparentemente recebeu o mesmo serviço atencioso, como todos os outros no salão. na saída, esperamos um táxi com o grupo de gringos, enquanto um deles pegava uma receita de caipirinha com o segurança.

como costuma dizer o everardo rocha, parafraseando a antropóloga mary douglas, "todo consumo cria muros e pontes". mas tenho cá pra mim que no rio os muros e pontes são mais fluidos que em qualquer outro lugar.

por falar em criatividade...

"tô namorando uma menina
mas não sei se ela na me namora
mina maneira do condomínio
lá do bairro aonde eu moro"

é uma das estrofes mais cretinas produzidas nos últimos tempos.

nova do hortifruti (o pimentão valente)

é, pois é, a nova do hortifruti também saiu daqui.
e dessa vez eu tendo a achar que não foi uma simples coincidência. já mandei o recado de que eu devia ser contratada e que aceitava trabalhar em troca da geladeira cheia, mas até agora ninguém entrou em contato e a minha geladeira está pedindo misericórdia.

[mesmo trabalhando de graça, continuo pensando nos próximos filmes, por isso mudei de idéia em relação ao "dona flor". sugiro deixar só "(dona)couve-flor e seus dois maridos"]

a preguiça e o banho de telefone

a desculpa ideal é a falta de tempo, mas o motivo real é a preguiça, o fato é que eu só publico no blog mais ou menos uns 10% das coisas que passam pela minha cabeça e que eu gostaria de escrever. um dos posts da série "mentalizei mas não escrevi" era justamente sobre o "banho de telefone", experiência pela qual passam todos os que se aventuram a tomar um banho no velho continente.

meus amigos ficaram bastante curiosos a respeito, chegando a fazer mil elucubrações sobre o que seria essa experiência: será que o box é uma cabine de telefone? será que o telefone espirra água? alguém chegou até a imaginar que telefones caiam do céu, o que seria mais propriamente chamado de "chuva de telefone", não de "banho de telefone". confesso que me diverti tanto com os devaneios que achei por bem não estragar a fantasia ao esclarecer o mistério acerca do tal banho. some-se a isso a maldita preguiça, e eu acabei não fazendo um post falando das agruras de se tomar banho no exterior.

eis que flanando com o mouse por aí, descobri um texto que expressa muito bem o que eu queria dizer e o que, com certeza, os que viajam pra fora sentem também. reproduzo:

em: Blônicas

Go take a shower!

De Cléo Araújo.

Não tem como não ficar homesick na presença de um chuveiro estrangeiro.
Lembro de uma vez, talvez um dos momentos mais intrigantes já vividos dentro de um box azulejado.
Existia, do lado da ducha, uma cordinha e um aviso: “puxe em caso de emergência.” Segurava o sabonete e tentava imaginar que tipo de emergência poderia ocorrer ali e que tipo de sinal o puxar da cordinha emitiria aos responsáveis pela paz no banho (camareiros vestidos de roupas de neoprene?). Sirenes soariam quando acabasse o sabonete? Ou a uma luz vermelha acenderia quando a toalha tivesse ficado em cima da cama no quarto? Eu ria sozinha, não compreendia aquilo e só conseguia pensar que os chuveiros gringos eram muito, mas muito esquisitos.
Em outro rincão, tive a experiência com aquele que começava na altura do meu pescoço e expelia um jato com força suficiente para me jogar contra a outra parede, não sem antes me decapitar. Aprendi, depois do terceiro assalto, que tinha que ir abrindo devagarzinho ao mesmo tempo em que me posicionava em um ângulo estratégico para não sofrer o nocaute.
E os do tipo telefone? Que você ou segura na mão ou prende num porta-chuveiro - que geralmente também é baixo demais (e isso porque eu tenho 1,60)? Lavar a cabeça no estrangeiro pode se transformar num desafio mais complicado do que ser aprovado pela imigração.
Houve também as inundações. Chuveiros dentro de banheiras protegidas do ambiente externo apenas por uma cortina de plástico mequetrefe. Um convite às enchentes. Uma das piores ocorreu em um banheiro que tinha pinta de banheiro de trailer (embora eu estivesse num quarto). Foi triste e molhado.
O fato é que ninguém dá tanta bola para chuveiro quanto brasileiro. O pessoal de outros cantos do mundo parece se contentar com versões improvisadas de banho. Eles se satisfazem com uma banheira que, ok, relaxa, é deliciosa, mas convenhamos, não leva a sujeira para lugar nenhum.
Aqui não. Aqui a gente cuida do banho com carinho. Refaz as instalações do apartamento só para garantir um aquecedor a gás e espalha os bichinhos a cada cinco metros pelas praias para que ninguém precise enfrentar o desconforto da areia no meio dos dedos do pé. É um hábito diário, sagrado, tão brasileiro quanto feijoada ou caipirinha. A gente curte um banhão.
Fora que observar os rituais do banho de outrem pode render uma bela análise psicológica do indivíduo. O que significa que, se você tiver o privilégio de poder observar alguém durante um momento tão íntimo e desnudo, querida, aproveite. Enfie sua cabecinha no box e repare. Ele começa lavando o rosto ou o pé? Faz a barba no banho? Usa condicionador? Há de haver um sentido. Mas preste atenção: avise antes. Não vá se metendo no banho de alguém sem se anunciar. Susto no banho, aliás, deveria ser crime. É um momento em que nos encontramos indefesos, relaxados, pensando na vida, cantando alguma coisa, até. Hitchcock que o diga.
E é justamente aqui que relato o último acontecido, que deveria estar sendo reportado de uma ducha em Copenhague ou de um ofurô em Osaka, mas que se deu aqui mesmo, em território nacional.
A espuma do xampu ainda nos cabelos, a água fria espirrando na barriga, o cheiro de fumaça contaminando o box e eu ali, coração na boca, peladinha da silva, com a trilha de “Psicose” na cabeça e sem nenhuma cordinha para chamar os meus heróis.
Nunca os destemidos camareiros em suas roupas de neoprene fizeram tanta falta.

devaneios no jardim

sabe onde eu fui hoje? no jardim botânico! há quanto tempo você não vai lá? eu não ia há muitos anos e, na condição de jardineira, adorei ter voltado. ainda não conhecia os jardins mexicano e sensorial, lindinhos, e tive a impressão de que o lago com as vitórias-régias era bem maior. ou pelo menos eu achava ele imenso quando era criança.

***

fazer um jardim botânico é um projeto de grande generosidade. quem planta uma árvore não vive pra ver o resultado, deixa para as próximas gerações. hoje em dia soa quase herético que alguém invista tempo ou dinheiro em qualquer coisa que não poderá ser gozada durante sua própria existência. cultivar um jardim é sobre amor e paciência. um jardim dificilmente conhece a lógica do aqui e agora.