desejo & reparação

tenho a impressão de que eu sou a única pessoa, dentre as pessoas em cujo senso estético eu confio, que não gostou de "desejo e reparação". diante do placar tão favorável ao filme, fico até com vergonha que confessar que eu achei chato, muito chato.
pois achei.

alegría!

01 e 02 estão na área. vieram passar a semana e comemorar o aniversário de 01, que cai na quinta. poderia ficar aqui falando do meu novo amor, do bi-campeonato do flamengo, das férias que se aproximam. mas, por enquanto, dá licença que eu vou é aproveitar aqueles dois porque não existe alegria maior.

a maçã e eu

eva mordeu a maçã e foi expulsa do paraíso. quem poderá culpá-la? a maçã era deliciosa.
eu mesma achei que isso nunca aconteceria comigo, que toda essa apologia, esse frenesi, era coisa de desocupado. como sempre, paguei a língua. dei a primeira mordida e agora estou irremediavelmente apaixonada.

[ultimamente ando muito apegada aos objetos]

desvisada

poxa, acabaram com as notas de 1 real e ninguém me avisou.

as novas de são paulo

as boas descobertas da vez: spot, no centro, onde comi uma deliciosa pasta com cogumelos (tenho tido sonhos com ela de vez em quando); le tartine, também no centro, aconchegante e gostoso; e veríssimo, no brooklin, bar temático do autor homônimo, bacaninha. teve também um restaurantezinho de sopas & caldos em moema que eu fui com a., mas não lembro o nome.

a. é uma excelente anfitriã da sua cidade, sua falta de habilidade ao volante é totalmente compensada por seu vasto conhecimento de lugares legais. da última vez que estivemos todos lá ela nos levou no pé de manga, que é muito agradável, mas a comida não era nada sensacional. também inventamos de ir numa cantina e ela levou a gente pro c q sabe. também não achamos nada demais. até que depois de tanto dirigir seu carrinho de bate-bate, com cinco bocas que não paravam de falar, ela finalmente conseguiu saciar nosso paladar requintado com o auto-proclamado melhor bolo de chocolate do mundo, na oscar freire (onde mais?).

não devíamos ser tão exigentes com a. além de ser ótima como anfitriã, quando vem ao rio também não nos dá trabalho algum. basta levá-la ao braseiro e ela se dá por satisfeita satisfeita.

***
o metrô de são paulo também foi uma boa descoberta. eu já tinha andado, mas como turista, não a trabalho. apesar de quente como um inferno, o metrô é abundante, passa de dois em dois minutos, e muito rápido.

***
e pra não dizer que eu só falei das flores, as novas (?) manias nessa estranha cidade são:

-iphones (o novo brinquedo da paulistada) - em todo lugar, pra onde quer que você olhe: em cima das mesas, nas cinturas, nas mãos.

- velhinhos tocando sanfona em bistrôs. "em paris é assim", o garçom disse. quem ousa contrariar?

quem topa?

esse final de semana tem show do jorge vercillo no canecão.
estava pensando em armar um atentado, alguém me acompanha?

ao invés de ficarem de plantão em frente ao prédio de onde supostamente o pai e a madrastra atiraram a garotinha janela abaixo, aquele bando de desocupados podia estar aqui me ajudando a tacar pedras no jorge vercillo. afinal de contas o crime dele contra a música já foi mais do que provado. bora, negada, eu pago a van! quem topa?

a verdadeira experiência antropológica

estou passando a semana em são paulo fazendo o melhor tipo de turismo que alguém pode fazer. mais não posso contar, só que está sendo f-o-d-a.

[aliás, já começou foda: no mesmo vôo que ninguem menos que narcisa-ai-que-absurdo-tamborindeguy! hoje, café da manhã admirando tony belloto de longe. belo espécime do sexo masculino na flor da maturidade.]

01 e 02

01 e 02 têm um cabelo loiro que ninguém sabe de onde vem. [maravilhas da genética. me fazem ter fé que se um dia eu tiver um filho, ele vai nascer com o nariz pequeno.]

01 e 02 gostam de backyardigans e matisse. às vezes abrem concessões para barney e picasso.

01 e 02 se dão bem, com algumas ressalvas. quando 02 nasceu, o mundo de 01 caiu. sempre que tinha uma oportunidade ele ia lá e dava uns tapas ou puxava o cabelo da irmã. hoje ela já sabe revidar. mas a verdade é que agora eles não vivem um sem o outro, mesmo que seja para se morderem mutuamente de vez em quando.

01 é um garoto inquieto bastante expressivo, que se comunica com os olhos, gestos e meia dúzia de palavras. tem um sono agitado. adora dançar. tem muitos brinquedos, mas não liga pra quase nenhum. 01 gosta mesmo é de prestar atenção nas pessoas e, claro, quer que prestem atenção nele também. 01 não tem explicação, mas seu sorriso desvenda todos os enigmas do mundo.

02 é uma menininha esperta e cheia de vontades. ela é tudo aquilo que se pode resumir na palavra gracinha. vive cantando. só dorme abraçada a um livrinho de pano encardido e cercada de travesseiros e bichos. quando acorda, cata tudo e, ainda com a mamadeira na boca, percorre a casa em busca do consolo que necessitam aqueles que caíram da cama. no mundo perfeito de 02 o chão seria um pula-pula, o almoço seria farofa, o jantar chocolate e o resto ficaria por conta do xamego.

[é tão difícil falar de quem se ama assim. é tão dolorida a saudade.]

a fã

eu não queria incomodar. disse que não tinha palavras pra dizer a ele. ele mandou dizer que tinha palavras pra dizer pra mim. me arrastaram até ele e eu, envergonhada, fiz uma saudação. ele me deu um abraço e falou: sua pele é tão lisinha! continuei sem palavras, o que dizer numa situação dessas? me dá um autógrafo? adoro o seu trabalho? na dúvida, bateram um foto. o registro é o de uma garota sorrindo sem graça, abraçada ao adorável luiz simpatia.

você percebe que tem alguma coisa muito errada quando...

- você passa a ter um medo indiscriminado das pessoas, mesmo que essas pessoas sejam crianças ou velhos. [aliás, o homem deve ser a única espécie que inspira medo aos outros da sua espécie.]

- as pessoas dormindo na rua já não te causam mais a menor comoção, viraram parte da paisagem da cidade.

- você entra no ônibus e a trocadora logo te avisa: é melhor sentar no meio ou na frente do carro, porque essa linha está sendo assaltada todo santo dia.

- o inimigo de estado número uno é um mosquito.

meu querido amigo belo adormecido,

fez uma semana que você adormeceu pra sempre (ou pelo menos para o sempre que nós conhecemos). eu achava que a essa altura a gente ia estar rindo juntos do susto que você levou, mas alguma coisa deu errado e o susto é que acabou levando você. seu reino ficou em silêncio.

alguns de nós ainda custam a acreditar no que aconteceu. mas como?! ele não é de uma estirpe de imortais?! a gente se pergunta. sim, você é um imortal. pelo menos pra mim, e pra várias outras pessoas com quem eu converso, a sua imagem está muito viva: seu sorriso, seu caminhar tranquilo com a inseparável mochilinha wilson, sua expressão pensativa com a mão apoiada no queixo, o dedo apontando pra cima, os olhos virados pro lado, seu riso engraçado, cheio de pausas... você está entre nós. existe a tristeza, é claro, como o padre bem disse hoje, ela é necessária. mas a sua presença traz conforto e, por que não, alegria.

hoje pude abraçar seus pais, seu irmão. acho que eles vão ficar em paz, porque sabem que você está em paz.

pra gente, foi cedo, mas quem pode saber?

só não se pode dizer que não aproveitou o tempo em que passou aqui. nessa sua passagem você conheceu europa, frança e bahia, dançou frevo em olinda, desfilou na mangueira, viu o mengão ser campeão, tirou foto com metade das crianças do rio de janeiro vestido de harry potter... você até, veja bem, num lance memorável, roubou a mulher do chefe! é, meu amigo, você conquistou a todos nós. e, por isso mesmo, hoje enquanto o padre falava, eu pensei que o que importa de verdade não são as coisas que você fez, que qualquer um pode fazer, mas como você fez. não me peça pra descrever esse como. só quem teve o privilégio de conviver com você e conhecer o seu jeito é capaz de entender o que eu quis dizer.

"que estupidez!" foi o que conseguimos murmurar por aí. mas, sabe? eu pensei melhor. não é qualquer um que sela o seu destino andando de skate num domingo de sol em ipanema. naquele dia você poderia ter ficado em casa, deitado na cama, com a cortina do quarto fechada, vendo esporte espetacular. só que isso não era pra você. a manhã estava bonita, a vida te chamou e você foi.

no porto, do outro lado, tenho certeza que fizeram uma festa quando o teu barco despontou no horizonte. era o povo comemorando a chegada do rei.

um beijo e até,

sua súdita.

dor-de-cotovelo

nenhuma razão explícita. mil razões implícitas. sensação desagradável de querer parecer incrível e no fundo se sentir um cocô. chove. desolação.

fui ali no maranhão

matar as saudades de 01, 02 e da irmã, conhecer a nova casa, nova vida deles no norte. uma semaninha muito boa que, como tudo que é bom, passou rápido.

como sempre, são luís também merece algumas notas.

é longe! pra chegar a são luís levei quase o mesmo tempo que levaria pra chegar na austrália. sim, eu fui de avião. saí de casa às 19:45 e cheguei ao meu destino às 16:30 do dia seguinte. isso depois de muitas horas de espera no galeão, outras tantas dentro do avião parado, poucas na madrugada num hotel em brasília, e mais muitas outras no aeroporto da capital. isso por conta de uma sucessão de atrasos que começou aqui. a volta foi bem mais amena, levou ao todo umas 7 horas.

aventuras gastronômicas - continuo firme no propósito de encontrar iguarias exóticas nas minhas andanças, na esperança de um dia me tornar uma conceituada apresentadora de algum programa de viagens na tv paga. por enquanto, sem muitos êxitos. inventei de experimentar sorvete de murici e de bacuri. o primeiro tinha gosto de queijo ralado e o segundo de cola. o único que salvou foi o de castanha-de-caju, mas sorvete de castanha não vira pauta de programa. minto, provei uma especiaria bem gostosa: uma geléia de pimenta, que se passa no pastel e é servida em todos os restaurantes. o docinho de coco de alcântara também é gostoso. em geral, come-se muito bem e foi o que mais fizemos. tanto que preciso urgente de uma food rehab.

enólogos natos - uma coisa que me chamou a atenção na cidade foi a quantidade de boutiques de vinho, adegas e tals, desproporcional para um lugar onde faz tanto calor o ano inteiro. não é nem que nem no rio, onde o pseudo-inverno motiva os cariocas a usarem luvas e fazer fondue. lá não faz frio nunca. pode chover, como choveu muito por esses dias, mas a variação climática durante o ano todo é mínima. contaram que todas as lojas são do mesmo dono, que sai abrindo uma atrás da outra pra evitar a concorrência. não me convenceu. ou se trata de lavagem de dinheiro ou os maranhenses são enólogos natos. fiquei imaginando a seguinte cena: o maranhense passa numa adega, abastece sua provisão de vinho e liga pro amigo. "ô ribamar, acabei de comprar um cabernet fora de série. passa lá em casa que eu vou botar o ar condicionado no 17 e a gente degusta com um fonduezinho."

a praia de araçagy - taí um lugar diferente. pra ser generosa. a água é escura. a areia é dura. e mesmo que você quisesse ignorar esse fato e estender sua canga para tomar um solzinho não poderia. isso porque os carros passam pra lá e pra cá na areia mesmo, a uma certa velocidade. então eles decidem onde querem parar, estacionam, abrem o capô e "dj, solta o som!". quando dei por mim estava cercada por uma sinfonia de 3 carros: de um lado tocava fagner, do outro techno-brega (seja lá o que isso for) e atrás kid abelha. a cereja do bolo era o dono do carro do techno-brega que não trajava sunga, nem bermuda, nem short, mas uma cueca branca da playboy. repetindo: uma cueca branca da playboy. a figura em questão ainda era roliça e tinha os cabelos tingidos de loiro. depois de algumas cervejas ele começou a ensaiar uns passinhos de dança, se mexendo que nem uma lombriga obesa. mentalize visão do inferno. que saudade dos ambulantes gritando "olha o mate!","sanduíche natural", etc e tal! ah, que saudade do meu arpoador!... anotar: a melhor praia de são luís é a piscina do condomínio da minha irmã.

no maranhão não tem classe c - ao que me pareceu, eles ainda estão no esquema rudimentar de dominantes & dominados. em outras palavras, o abismo social é imenso (por que será?). tive essa percepção ao reparar que em são luís não circulam carros velhos. aliás, dizem que lá é a capital onde mais se vendem carros zero km [fonte: meu cunhado]. você não vê um fusca, um monza, um escort xr3, um gol quadradinho, nem mesmo um santanão, tão comum nos táxis daqui. só se vê hondas, toyotas, caminhonetes e jipinhos potentes, e outros carros nacionais novinhos em folha. um observador mais desatento até pensa que estamos no primeiro mundo. o que está oculto, ou nem tanto, é o justo oposto.

eu, tu, eles - no meu tempo de escola eu costumava ouvir que "o português mais correto do brasil é falado no maranhão". sem mais explicações. depois, durante uma malograda tentativa de cursar a faculdade de letras, ouvia dos professores que "isso é uma bobagem, que não existe português falado mais ou menos corretamente em nenhuma região, cada uma tem suas peculiaridades, a língua é um ser vivo, bláblábláblá". mas agora, ouvindo mais atentamente os maranhenses, me deu um estalo sobre a origem dessa fama: eles conjugam perfeitamente o tu, "tu vais", "tu queres"... achei bonito. me deu até um pouco de vergonha do nosso cariocamalandragem "tu vai aonde? tu qué o quê?". por um breve momento desejei ter aprendido a falar com os conterrâneos do imortal sarney.

[justiça seja feita que os gaúchos usam bastante o tu. mas, a meu ver, de forma mais correta que os cariocas e menos correta que os maranhenses].

frustração - mais uma vez eu vou ao maranhão e não consigo ver um reggae. será que um dia eu consigo?

hortifruti: até que enfim!

eles atenderam meu apelo e lançaram um filme de minha autoria: a hortaliça rebelde!
obrigada, hortifruti, fiquei deveras lisonjeada.
a propósito, favor depositar os royaties na minha conta bancária. aceito permuta em mercadorias frescas.

ao meu amigo belo adormecido

amigo,

hoje fui te visitar, mas não consegui te ver. quem manda ser um sujeito tão popular? foram tantos súditos que apareceram para ver o rei, que precisaram levantar a ponte elevadiça do castelo, me disseram. agora só entra a família real. não tem problema, fiquei feliz de passar lá e deixar um bilhetinho no seu livro de visitas. o que, preciso confessar, me deu certo nervosismo. mas antes me deixa relembrar uma história.

minha simpatia por você foi imediata, tão logo você disse seu nome: filipe. com i? é, com i. que legal, é assim que se escreve o nome do meu sobrinho também, com i. dizem que com i é que está certo. aí você contou: olha, quando eu nasci e meus pais me deram esse nome, o meu avô disse que era com i. como ele é gramático, ninguém ousou contestar e assim eu fui registrado. quando vi seu sobrenome, juntei lé com cré: você é neto do grande gramático! eu, que tinha insistido para o meu filipe ser com i por pura intuição, sem qualquer endosso de uma autoridade no assunto, liguei na mesma hora pra minha irmã. contei, orgulhosa: "escuta, o nome do filipe está certo, com i mesmo. quem falou foi o grande gramático!". depois que ficamos amigos, te contava isso rindo.

pois você sabe que hoje, escrevendo os recados que eu precisava te passar no livrinho (recapitulando: o flamengo ganhou, acorda e vamos tomar um chope, você está me devendo um aparador de livros, os meninos mandaram um beijo) tremi na base. pensei: oh meu deus, se o avô dele, o grande gramático, resolve ler esse livrinho e descobre algum erro meu de português? uma vírgula errada? uma concordância mal formulada? caprichei e tentei usar o meu melhor português. apesar dessa mania de minúsculas, concordo com seu avô, a gente precisa ter cuidado com a nossa língua. espero não ter decepcionado. de qualquer forma, escrevi com o coração, como faço agora.

então tá combinado. assim que você despertar do seu soninho de beleza, a gente vai aproveitar (mais) a vida que tem pela frente. filipe é nome de rei, e quem é rei nunca perde a majestade. vem, que estamos aguardando ansiosamente o seu regresso.

um beijo humilde da súdita,

mari.

ps. pede pro vô perdoar essa minha indecisão entre o tratamento de tu e você. é que eu não me sinto à vontade pra usar o lhe.

a justa causa do amor

foi demitido do trabalho porque gastou várias vezes o valor do seu salário em ligações interurbanas para a namorada que morava em outra cidade.

***

isso me lembrou um rapazinho que trabalhou comigo há alguns anos. era muito galanteador. pra se ter uma idéia, na saudação da caixa postal do seu celular ele recitava eça de queiroz ["... tinha suspirado, tinha beijado o papel devotamente!..." - trecho que ficou famoso na música "amor i love you", que tocava sem parar]. na época a cooperativa de táxi que atendia a empresa tinha uma frota de carros comuns e não de táxis amarelos. pois nosso don juan de campo grande tratou de fazer amizade com todos os taxistas e aparecia para buscar as namoradas a bordo de um vistoso carro verde com seu motorista particular. a meninada suspirava! o namorado além de romântico, tinha um cargo importante!...

foi demitido porque gastou várias vezes o valor do seu salário em vouchers de táxi da empresa.

***

quer saber? eu acho é certo, tem mais é que gastar. o amor é uma causa justíssima, tão vital para os funcionários quanto plano de saúde e vale-refeição.

nostálgica?

cobicei o bamba-cabeção do seu zé, meu porteiro. hoje em dia não se fabrica mais o bamba-cabeção, ele está para o fusca como o all star está para o new beattle. o all star tem seu charme, mas não é o original.

***

há mais de vinte anos atrás só me era permitido ir para a escola calçando o clássico bamba-cabeção branco. eu queria usar outros tênis, um buble gummers, quem sabe, ou até um olympicus. o bamba pra mim era o fim. acontece que nos pés de uma criança inquieta, os tênis ficavam invariavelmente esfarrapados em questão de poucos meses. por uma questão de lógica econômico-familiar, meus pais optavam pela equação do melhor custo-benefício-durabilidade.

mais tarde, os descolados do teatro desencavaram o bamba-cabeção. mas eu ainda não tinha 100% de certeza se queria voltar a usar aquilo - como costuma acontecer, a auto-confiança não é bem o forte dos adolescentes. quando finalmente resolvi adquirir um par, o bamba saiu de circulação de vez.

hoje, vendo um bamba azul esfarrapado nos pés do seu zé, me acendeu o vaga-lume da lembrança. se usasse um bamba-cabeção hoje, faria as pazes com meu eu-criança.

divagações

por que, em plenos 2000 e tals, depois de todas essas revoluções digitais, estéticas, internets, o escambau, os sitcoms americanos ainda têm aquelas risadinhas de fundo pra avisar que estão contando uma piada? eu acho as risadinhas uma coisa intragável e absurda.

por que o número da portaria é 94? não tinha um número mais fácil pra inventar?

por que em todos os meus sapatos a fivela cai sempre no penúltimo furo?

o senhor atendeu as minhas preces

circo voador informa:
próximas atrações - sexta, dia 21/03: tributo a los hermanos.

se já vai ter tributo é sinal que eles morreram. yeah!

encontros & desencontros

dia desses minha amiga j comentou comigo espantada: "mari, você vê as pessoas!..." é verdade, eu vejo as pessoas. nos lugares mais inusitados, nas situações mais inesperadas. elas passam por mim como fantasmas, me deixando com a sensação de ter perdido o trem. pensando bem, não adianta nada ver as pessoas. seria um dom se fosse quando eu quisesse, mas nunca é assim. às vezes eu acho que estou no lugar certo na hora errada, e na hora certa eu não estou em lugar nenhum.

voltei, recife

foi o batizado do 03 que me trouxe pelo braço. explico: a família materna de 03 é da terra do frevo, uma gente adorável. 03 é um garoto de sorte e do alto da sua breve existência deve desconfiar disso, porque conserva uma expressão tranquila e atenta, que lhe conferiu o apelido de sereníssimo por parte do avô paterno. o consorte foi o padrinho, mas por pouco não perdeu o posto para um qualquer que estivesse de calça comprida, já que ele trajava bermudas no dia do batizado e o padre era muito rigoroso. foi um deus-nos-acuda quando o consorte desceu do carro e a família olhou horrorizada para sua bermuda. sinceramente não me ocorreu ser um pecado muito grave batizar alguém com as pernas de fora, principalmente nos trópicos, mas há que se respeitar as tradições. felizmente a sacristã descolou umas calças de defunto que lhe couberam e tudo correu bem.

o recife antigo não é mais aquele - fomos dar uma voltinha por lá no sábado à noite e fiquei um pouco decepcionada com a escassez de agito. tinham uns poucos bares abertos na rua da moeda, que até tinham algum charme, mas estava longe de ser uma lapa com sotaque, como outrora eu conheci a região. fiquei me perguntando onde o 04 bebia quando voltava à cidade. concluí que 04 é o rei e ele bebe onde bem entende.

a macaxeira continua a tal - imbatível, cozida, comme il fault.

linguiça de bode experience - até os 29 anos nunca tinha tido tv a cabo em casa. e continuaria sem fazer a menor falta, não fossem os programas de viagem, que eu adoro. pois bem, a nova onda do momento nesses programas é comer comidas exóticas, provar iguarias regionais. foi influenciada por essa onda que eu entrei numas experimentar uma linguiça de bode. não que bode seja exótico no recife, bode lá é mainstream. mas pra mim, garotinha juvenil, criada a ovomaltino e leite de pêra, bode é pra lá de underground. só que aquela reação que os apresentadores dos programas de viagem costumam ter [fechar os olhinhos e suspirar "hum, nunca comi nada igual"] não rolou comigo. o problema não é exatamente o bode, o gosto é parecido com o do carneiro, cordeiro e afins. só que, apesar do dna libanês, eu não consigo apreciar o gosto forte dos ovinos. lembrar da próxima vez: não comer nenhum quadrúpede de áries.

pronto! - relembrei como prónto, com sotaque assim, é lindo! tudo é pronto pro pernambucano. aprendi uma expressão nova: fulano se abusou. é muito melhor que o anglicismo fulano se estressou. vou incorporar ao vocabulário.

da mutabilidade das percepções - na primeira vez que fui a recife na vida adulta, tinha vinte e pouquíssimos e vinha de um lugar chamado carne de vaca, onde me hospedei num barraco sem água corrente habitado por ratos e baratas. ao chegar no recife, fiquei numa "pousada" na boa viagem chamada uzimar, que era muito simples, mas eu achei que estava no copacabana palace. [quer o endereço do uzi? clique aqui]
aos vinte e mais alguns, voltei e fiquei de novo no, carinhosamente apelidado, uzi. com um olhar mais apurado, pude perceber que ele estava mais pra um cafofo sórdido que pro copa. só que o preço de banana, todo o álcool e carnaval, o café da manhã do outro lado da rua no primo rico da "rede", o uzipraia, e o principal, a cama para desabar no fim do dia, me fizeram relevar os pontos fracos do uzi.
aos trinta, tive minha redenção: boiando na piscina de um confortável 4 estrelas, cheguei à conclusão que eu fiquei um pouco fresca e certamente mais exigente. o uzi foi bom um dia, mas ele na realidade era uma bomba. tem horas que é bom não ter mais vinte anos.

[não confundir 04 com um possível quarto sobrinho. 04 é fred. 04 é tuda.]

curiosidade circense

para minha surpresa, ou nem tanto, descobri que muitos dos atletas, ops, artistas do cirque du soleil são ex-competidores olímpicos. ah, então está explicado!

[só que aí o meu post lá embaixo passa a fazer pouco sentido :) ]

a famosa economia porca

na condição de pessoa econômica, de dna libanês, à beira da pão-durice, já ouvi aos montes a expressão "o barato sai caro" e, ao longo do tempo, pude comprovar que muitas vezes ela é verdadeira. por isso hoje, mesmo continuando parcimoniosa com meus gastos, procuro pensar duas vezes antes de cair na cilada da famosa "economia porca". é muito difícil, porque quase sempre a tentação de economizar um real que seja é grande. mas aprendi que, além do papel higiênico, existem outras coisas com as quais não se deve economizar.

levei anos para entender que tudo bem trocar picanha por maminha, mas sob nenhuma circunstâcia vale a pena trocar o filé mignon por contra-filé. claro, pode acontecer de o filé não ser filé e a picanha não ser picanha. mas aí são outros quinhentos...

rapidinho em são paulo

a cada dia descubro mais esquisitices em são paulo:

- lá não se pode jogar papel em nenhuma privada, nem nas residenciais, porque o encanamento não aguenta.
- lá os viadutos são chamados de pontes - mesmo que não haja nenhum rio passando embaixo.
- quando você compra frios no mercado, cada fatia vem separada por um plástico. por um lado é interessante, não é preciso ficar desgrudando um queijo do outro, por exemplo. mas em tempos de aquecimento global, me parece um contrasenso desperdiçar tanto plástico somente para esse fim.

agora o mais estranho mesmo sou eu, uma carioca que vai pra são paulo comprar biquíni.

sabe quando tudo dá errado? sei bem

segunda-feira. o dia chegou normal, nem bom nem ruim, apenas mais uma semana começando. estava saindo de casa relativamente cedo mas, quando estava com a chave na porta me deu uma dor de barriga. achei mais prudente voltar do que esperar chegar no trabalho, e com isso me atrasei um pouco. ainda dentro do horário, fui tirar um dinheiro, já que eu só ando sem um tostão e o pobre-card que me garante o direito de ir e vir estava sem crédito. os dois caixas do banco perto de casa estavam fora do ar. com um pouco de raiva, resolvi arriscar e pegar o ônibus mesmo assim, afinal de contas hoje é dia 3 e o cartão já deveria estar recarregado. não estava.

desci do ônibus já com bastante ódio no coração e fui andando até outro banco pra sacar o dinheiro. como alguém tinha que levar a culpa de tamanha desgraça, liguei pro meu consorte e descasquei em cima dele, que não tinha me deixado o dinheiro da passagem (pobreza!). com a grana na mão, fui bufando a até o ponto de ônibus mais próximo, quer dizer, que eu julgava ser mais próximo porque ele ficava a vários quarteirões de distância. a essa altura eu já estava bem atrasada e a cada minuto que o ônibus demorava a passar minha impaciência aumentava e eu tinha vontade de gritar. até que ele veio, eu subi e tentei respirar fundo, refletindo sobre como eu era miserável naquela manhã. quase chegando no trabalho, vi da janela do ônibus um sujeito, no meio do nada, de roupa social, um sol de rachar na cabeça, tentando ajeitar alguma coisa no pé: a sola do sapato que tinha descolado inteira. aí eu pensei com uma ponta de satisfação: tem alguém pior que eu.

não era verdade. ao chegar na firma, que está em obras, reparei que minha mesa, minha cadeira, meu computador, tudo enfim, estava recoberto por uma camada de poeira. nossa cocheira fica na faixa de gaza, o que nos separa da obra é apenas uma cortina de plástico preto, estendida quase na nossa cara. eu, que não sofro de alergias e frescuras afins, comecei a espirrar e ficar com a garganta seca. eis que começa um som de britadeiras. insana, subi na cadeira e escrevi "insalubridade já!"com giz sobre o plástico preto, como sinal de protesto. não foi o meu protesto que surtiu efeito, mas o dos demais escritórios do prédio que pediram gentilmente que o barulho fosse evitado durante o horário comercial. se o barulho chegou a incomodar as pessoas dos outros andares do prédio, imaginem a mim, que estava apenas do outro lado da cortina...

cheia de dor de cabeça e com um humor do cão, fui almoçar. a mudança de ares me fez bem, mas na volta para o trabalho eu pisei num cocô. consegui administrar a tarde, mas quando deu seis em ponto a britadeira voltou com força total, junto com o meu mau humor. no auge do barulho me liga o consorte com a inacreditável notícia de que não ia poder viajar na data que tínhamos combinado. soltei marimbondos pelo telefone. um som de sirenes e buzinas se misturou ao som da britadeira, agora que a janela também fica aberta. a beira de um ataque de nervos, o mais sensato era vir pra casa. no ônibus, quase chegando, sinto uma coceirinha na perna. olho pro lado e... uma barata! chega. é demais. vou me esconder no chuveiro. o dia precisa acabar antes que eu cometa um crime.

bi-campeão!

"Sou Flamengo e, como Jorge Ben, não desfaço de ninguém. Quem me conhece sabe. Mas dizer que o Botafogo perdeu a final da Taça Guanabara porque foi roubado não vale. Entristece quem assistiu ao jogo e viu o zagueiro alvinegro Ferrero quase arrancar a camisa do rubro-negro Fábio Luciano."

no blog: botequim da lapa

concordo com tudo, mas se eu fosse o zagueiro do botafogo teria feito a mesmíssima coisa, mesmo correndo o risco de tomar um pênalti. com aquela delícia toda do fábio luciano na minha frente, a reação mais óbvia seria a de arrancar sua camisa no ato.

9 e 1/2 cebolas de amor

não tenho certeza se gostei. vai ser difícil superar o quiabo. acho que cebola não combina muito com amor.

leitura interrompida

fiz uma coisa que normalmente eu detesto fazer: parar de ler um livro no meio e começar a ler outro. por pior que seja a leitura, eu sempre me forço a ir até o final. não era o caso desse livro, “o jogo das contas de vidro” do herman hesse, que ganhou até o nobel de literatura. o problema é que é a segunda vez que eu tento ler esse livro e empaco. a história é boa, o autor é ótimo (já li muitos outros dele), mas acho que a gente tem que estar na fase certa pra ler certos livros e eu definitivamente não estou numa fase pra ler esse um. belo dia vou pegar o livro e ler de uma vez só, já aconteceu outras vezes. ponderei que não adiantava ficar insistindo enquanto eu só atrasava a fila. ia chegar o fim de fevereiro e eu não teria lido nada. portanto, deixei “o jogo” de castigo na estante e peguei “a filha do canibal”, da rosa montero, que é uma leitura mais leve e promete ser divertida. vamos ver se assim eu engato o projeto literário em 2008...

ainda carnaval

vem cá, me explica aqui uma coisa: de que adianta ficar cantando aos quatro ventos que "o rio é melhor que salvador" se quando acaba o carnaval espalham cartazes dizendo "ressaca dos blocos com boitatá e céu na terra"? ressaca, meu amigo? isso é expressão que só deveria constar do vocabulário de micareteiros e afins. ressaca, na minha terra, é coisa que se cura com engov.

[também vi um cartaz do banga com a mesma expressão. será uma praga?!]

findo o carnaval (ou feliz ano novo)

[balanço de carnaval – post póstumo]

climatempo informa – 2008 foi o carnaval mais chuvoso do rio de janeiro dos últimos tempos. ainda não concluí se foi bom ou ruim ter chovido tanto, mas estou quase convencida de que foi positivo. os blocos estavam cheios demais, imagino que se não tivesse chovido estariam mais cheios ainda. a chuva filtrou, pelo menos um pouco os realmente interessados em pular o carnaval.

na rádio relógio são sete horas e trinta minutos – porque eu levo carnaval a sério. não coloco o despertador às 7:30 pra ir trabalhar nem que a vaca tussa, mas como carnaval é prioridade, trabalho não é prioridade, esse foi o horário que eu acordei quase todos os dias.

fantasias - usei minhas melhores fantasias nos dois primeiros dias – apogeu no domingo de carnaval. este ano me superei (eu e quase todo mundo porque eu vi cada fantasia mais engraçadainteressante que a outra!). não consigo mais imaginar a possibilidade de passar um carnaval sem estar fantasiada propriamente, pra mim não faz sentido, é como ir à praia com roupa de esquiar – quando o traje não ajuda, a diversão fica incompleta.

incorporei, nessa ordem:

- cozinheira do spoleto, com direito a avental, uniforme e frigideira com penne(s)
- world-wide-famous engov com a ubíqua plaquinha "engov we trust" e distribuindo os famosos comprimidinhos a todos que me pediam
- vanessa da matta (ou didi de betânia, dependendo da boa vontade de quem visse)
- frida kalho (não gosto de repetir fantasia, essa fez muito sucesso no ano passado, mas esse ano virou lugar-comum. abri uma exceção porque meu amigo f. iria de dalí, então ficaria uma dupla conceitual, mas f. fez um forfait e eu virei apenas mais uma frida)
- porquinha (eram 3 porquinhas e um lobo mau)
- índia – esse foi um improviso bagaceirantropológico de pintar a cara pra pertencer à tribo do cacique de ramos

outras fantasias que valeram o confete: ursinhos carinhosos no zoobloco (várias pessoas, cada uma representando um ursinho), casal "dos santos 01" e "gusmão 171"(a menina de daiane toda pintada de preto de maiô e um coquinho e o namorado de maiô e touca), gêmeas siamesas (várias meninas andando juntas em uma camiseta enorme e a mãe atrás), bloco das lavadeiras "precisa-se de tanquinho", o cara que anda com a cabeça num cartaz gigante do filme os picaretas, fica parecendo que ele está abraçando o steve martin (já tinha visto no ano passado, mas é sensacional) e o sonâmbulo (andando de braços estendidos no sentido contrário do bloco).

blocos de b a z

banga – bloco dos amigos do coração, me acabei. talvez se eu não tivesse ficado onde eu fiquei, de cara pra bateria, não teria achado bom. mas isso eu só descobri no final, quando vi a turba de gente que lotou a pacheco leão. frevo mulher, que eles tocaram 2x é sempre o ponto alto. só senti falta do samba do banga e de mais cerveja (que estava escassa).
boitatá – só o fato de estar no meio daquela praça cheia de gente fantasiada já vale o confete. esse ano goiabamos e ficamos um bom tempo debaixo da marquise esperando o bloco começar, sendo que o bloco tinha começado havia horas, estava dando mil voltas pelo centro e a gente achando que os caras tinham resolvido dormir até mais tarde. choveu, choveu, foi tanta água que meu boi nadou, mas nada disso tirou o colorido do bloco mais "profissional" do carnaval.
boi tolo – é o justo oposto do boitatá e nem por isso menos divertido. pra falar a verdade o boi tolo foi bem mais divertido, porque àquela altura a gente já estava um pouco mais bebinho. o bloco é a maior esculhambação, cada um canta o que quer, é a síntese da espontaneidade carnavalesca. ponto alto: lá pelas tantas, eu abafando na minha fantasia de engov no murinho da alerj, posando pra várias fotos (que depois descobri em picasas de ilustres desconhecidos), me achando a dancing queen da praça xv.
cacique de ramos – a xepa do carnaval, o último bloco do último dia. nem por isso foi inválido. só não houve derrame de confetes porque, evidentemente, naquele ponto o confete já tinha virado lama.
céu na terra – por nós carinhosamente apelidado de "inferno na terra", tamanha a multidão e calor que fez lá em cima. fiz a lição de casa, acordei cedo, mas não consegui chegar numa hora boa. acho que deve ter sido bom um dia, não sei se será uma opção no futuro. o melhor foi um jesus cristo ressuscitado que subiu no muro e abriu os braços enquanto o povo bradava "queremos vi-nho! queremos vi-nho!"
empolga – não é o meu bloco preferido, mas por amor eu vou lá jogar meu confetinho. no sábado superou minhas expectativas, me diverti um bocado preparando penne(s) mole, duro, al dente, com molho branco, quatro queijos, alho, cebola, azeite, manteiga e confete. já no domingo, o naipe das pessoas que estavam na praia, e toda a confusão em volta me fizeram ter um ataque de cinco minutos e um quase chilique. só não desejei com mais força que um metereorito caísse por sobre o posto nove porque, além daquela gente toda que não iria fazer falta nenhuma ao mundo, fatalmente algumas pessoas queridas que estavam na área seriam prejudicadas.
gigantes da lira – saiu no sábado antes do carnaval, lindo, como sempre, com suas criancinhas fantasiadas. este ano não teve sobrinhos, então brinquei com as crianças alheias. teve direito a ipod que o cônjuge achou no picolé de coco, que emoção!
escangalha – classificaria como um bloco esteticamente agradável: gente bonita, lugar bonito, uniformes bonitos. não foi dos mais empolgantes, mas valeu o confete.
rancho flor do sereno – interessante a proposta, o repertório não é aquela coisa carnavalfestafrenética, mas tava legal, apesar de muito cheio. quando eu estava entrando no clima, pessoas quem careciam de espírito carnavalesco resolveram ir embora, o que me rendeu um tremendo mau humor. voltei pra casa contrariada.
quizomba – blocão cheio e mistureba, mas com um alto astral incrível. meu lugar é na corda, fazendo a segurança dos "colega". o "índio quer apito" e "quando a maré encher" são os clássicos que tremem os arcos da lapa.
volta alice – não valeu o confete. não conseguimos chegar perto da bateria, ficamos naufragando naquele mar de gente mais interessada em social que em carnaval. povo sem fantasia, de calça jeans (!) e salto (!) em plena rua alice. não deu. mais um piti e batida em retirada.
zoobloco – o que foi esse bloco? estou me perguntando até agora. o circuito ali por dentro do arco do teles, o repertório monotemático, as fantasias de bichos, foi tudo genial. virou meu novo bloquinho do coração. vale todos os confetes do mundo inteiro.

maturidade
– finalmente posso dizer que me tornei uma pessoa muito mais madura. ao contrário do carnaval passado, quando eu entrei numas de beijar todos os meus amigos, este ano a única bobagem de carnaval que eu fiz foi ficar tentando cuspir nos guardas que estavam embaixo da sacada de famosa pizzaria na lapa. a idéia não foi minha, claro, mas a cerveja é ótima pra amolecer os miolos das pessoas. por sorte meu potencial de projetar saliva à distância não era lá essas coisas e os pms foram poupados das pseudo-rajadas de cuspe.

xixi – por outro lado, tenho que confessar que eu contribuí pra desonrosa estatística daqueles que fizeram xixi na rua. juro que evitei, mas a prefeitura deve ter colocado, assim, uns 8 banheiros químicos em toda a cidade. de modos que, num raio de 500 metros, que era mais ou menos o que eu agüentaria andar com a bexiga sob controle, não havia um só banheiro! elegi o lugar mais afastado e tentei fazer sobre um bueiro (porque, apesar da minha fantasia sugestiva, eu quis evitar emporcalhar a rua). não posso dizer que a experiência tenha sido 100% bem sucedida – tenho amigas que são craques na arte – mas era minha única opção naquele momento.

carnaval terminou como deveria: a gente com pique e animação para um último bloco, cantando na lama* da avenida riobranco de sapato vermelho e depois volta pra casa, exaustos, felizes e com a sensação de dever cumprido. porque, como eu já disse, carnaval pra mim é coisa muito séria.
y hasta 2009!


*eu juro que achei que tinha pego uma dst pelo pé! mentalize: um pé cheio de feridas por causa do sapato. toda a lama, todo o mijo, e todos os vírus e bactérias que nadavam na gosma negra que virou o asfalto da avenida riobranco, depois de quatro dias de carnaval. uma sandália aberta... felizmente, nada que o álcool (no pé!) não tenha curado.