fui ali no maranhão

matar as saudades de 01, 02 e da irmã, conhecer a nova casa, nova vida deles no norte. uma semaninha muito boa que, como tudo que é bom, passou rápido.

como sempre, são luís também merece algumas notas.

é longe! pra chegar a são luís levei quase o mesmo tempo que levaria pra chegar na austrália. sim, eu fui de avião. saí de casa às 19:45 e cheguei ao meu destino às 16:30 do dia seguinte. isso depois de muitas horas de espera no galeão, outras tantas dentro do avião parado, poucas na madrugada num hotel em brasília, e mais muitas outras no aeroporto da capital. isso por conta de uma sucessão de atrasos que começou aqui. a volta foi bem mais amena, levou ao todo umas 7 horas.

aventuras gastronômicas - continuo firme no propósito de encontrar iguarias exóticas nas minhas andanças, na esperança de um dia me tornar uma conceituada apresentadora de algum programa de viagens na tv paga. por enquanto, sem muitos êxitos. inventei de experimentar sorvete de murici e de bacuri. o primeiro tinha gosto de queijo ralado e o segundo de cola. o único que salvou foi o de castanha-de-caju, mas sorvete de castanha não vira pauta de programa. minto, provei uma especiaria bem gostosa: uma geléia de pimenta, que se passa no pastel e é servida em todos os restaurantes. o docinho de coco de alcântara também é gostoso. em geral, come-se muito bem e foi o que mais fizemos. tanto que preciso urgente de uma food rehab.

enólogos natos - uma coisa que me chamou a atenção na cidade foi a quantidade de boutiques de vinho, adegas e tals, desproporcional para um lugar onde faz tanto calor o ano inteiro. não é nem que nem no rio, onde o pseudo-inverno motiva os cariocas a usarem luvas e fazer fondue. lá não faz frio nunca. pode chover, como choveu muito por esses dias, mas a variação climática durante o ano todo é mínima. contaram que todas as lojas são do mesmo dono, que sai abrindo uma atrás da outra pra evitar a concorrência. não me convenceu. ou se trata de lavagem de dinheiro ou os maranhenses são enólogos natos. fiquei imaginando a seguinte cena: o maranhense passa numa adega, abastece sua provisão de vinho e liga pro amigo. "ô ribamar, acabei de comprar um cabernet fora de série. passa lá em casa que eu vou botar o ar condicionado no 17 e a gente degusta com um fonduezinho."

a praia de araçagy - taí um lugar diferente. pra ser generosa. a água é escura. a areia é dura. e mesmo que você quisesse ignorar esse fato e estender sua canga para tomar um solzinho não poderia. isso porque os carros passam pra lá e pra cá na areia mesmo, a uma certa velocidade. então eles decidem onde querem parar, estacionam, abrem o capô e "dj, solta o som!". quando dei por mim estava cercada por uma sinfonia de 3 carros: de um lado tocava fagner, do outro techno-brega (seja lá o que isso for) e atrás kid abelha. a cereja do bolo era o dono do carro do techno-brega que não trajava sunga, nem bermuda, nem short, mas uma cueca branca da playboy. repetindo: uma cueca branca da playboy. a figura em questão ainda era roliça e tinha os cabelos tingidos de loiro. depois de algumas cervejas ele começou a ensaiar uns passinhos de dança, se mexendo que nem uma lombriga obesa. mentalize visão do inferno. que saudade dos ambulantes gritando "olha o mate!","sanduíche natural", etc e tal! ah, que saudade do meu arpoador!... anotar: a melhor praia de são luís é a piscina do condomínio da minha irmã.

no maranhão não tem classe c - ao que me pareceu, eles ainda estão no esquema rudimentar de dominantes & dominados. em outras palavras, o abismo social é imenso (por que será?). tive essa percepção ao reparar que em são luís não circulam carros velhos. aliás, dizem que lá é a capital onde mais se vendem carros zero km [fonte: meu cunhado]. você não vê um fusca, um monza, um escort xr3, um gol quadradinho, nem mesmo um santanão, tão comum nos táxis daqui. só se vê hondas, toyotas, caminhonetes e jipinhos potentes, e outros carros nacionais novinhos em folha. um observador mais desatento até pensa que estamos no primeiro mundo. o que está oculto, ou nem tanto, é o justo oposto.

eu, tu, eles - no meu tempo de escola eu costumava ouvir que "o português mais correto do brasil é falado no maranhão". sem mais explicações. depois, durante uma malograda tentativa de cursar a faculdade de letras, ouvia dos professores que "isso é uma bobagem, que não existe português falado mais ou menos corretamente em nenhuma região, cada uma tem suas peculiaridades, a língua é um ser vivo, bláblábláblá". mas agora, ouvindo mais atentamente os maranhenses, me deu um estalo sobre a origem dessa fama: eles conjugam perfeitamente o tu, "tu vais", "tu queres"... achei bonito. me deu até um pouco de vergonha do nosso cariocamalandragem "tu vai aonde? tu qué o quê?". por um breve momento desejei ter aprendido a falar com os conterrâneos do imortal sarney.

[justiça seja feita que os gaúchos usam bastante o tu. mas, a meu ver, de forma mais correta que os cariocas e menos correta que os maranhenses].

frustração - mais uma vez eu vou ao maranhão e não consigo ver um reggae. será que um dia eu consigo?

hortifruti: até que enfim!

eles atenderam meu apelo e lançaram um filme de minha autoria: a hortaliça rebelde!
obrigada, hortifruti, fiquei deveras lisonjeada.
a propósito, favor depositar os royaties na minha conta bancária. aceito permuta em mercadorias frescas.

ao meu amigo belo adormecido

amigo,

hoje fui te visitar, mas não consegui te ver. quem manda ser um sujeito tão popular? foram tantos súditos que apareceram para ver o rei, que precisaram levantar a ponte elevadiça do castelo, me disseram. agora só entra a família real. não tem problema, fiquei feliz de passar lá e deixar um bilhetinho no seu livro de visitas. o que, preciso confessar, me deu certo nervosismo. mas antes me deixa relembrar uma história.

minha simpatia por você foi imediata, tão logo você disse seu nome: filipe. com i? é, com i. que legal, é assim que se escreve o nome do meu sobrinho também, com i. dizem que com i é que está certo. aí você contou: olha, quando eu nasci e meus pais me deram esse nome, o meu avô disse que era com i. como ele é gramático, ninguém ousou contestar e assim eu fui registrado. quando vi seu sobrenome, juntei lé com cré: você é neto do grande gramático! eu, que tinha insistido para o meu filipe ser com i por pura intuição, sem qualquer endosso de uma autoridade no assunto, liguei na mesma hora pra minha irmã. contei, orgulhosa: "escuta, o nome do filipe está certo, com i mesmo. quem falou foi o grande gramático!". depois que ficamos amigos, te contava isso rindo.

pois você sabe que hoje, escrevendo os recados que eu precisava te passar no livrinho (recapitulando: o flamengo ganhou, acorda e vamos tomar um chope, você está me devendo um aparador de livros, os meninos mandaram um beijo) tremi na base. pensei: oh meu deus, se o avô dele, o grande gramático, resolve ler esse livrinho e descobre algum erro meu de português? uma vírgula errada? uma concordância mal formulada? caprichei e tentei usar o meu melhor português. apesar dessa mania de minúsculas, concordo com seu avô, a gente precisa ter cuidado com a nossa língua. espero não ter decepcionado. de qualquer forma, escrevi com o coração, como faço agora.

então tá combinado. assim que você despertar do seu soninho de beleza, a gente vai aproveitar (mais) a vida que tem pela frente. filipe é nome de rei, e quem é rei nunca perde a majestade. vem, que estamos aguardando ansiosamente o seu regresso.

um beijo humilde da súdita,

mari.

ps. pede pro vô perdoar essa minha indecisão entre o tratamento de tu e você. é que eu não me sinto à vontade pra usar o lhe.

a justa causa do amor

foi demitido do trabalho porque gastou várias vezes o valor do seu salário em ligações interurbanas para a namorada que morava em outra cidade.

***

isso me lembrou um rapazinho que trabalhou comigo há alguns anos. era muito galanteador. pra se ter uma idéia, na saudação da caixa postal do seu celular ele recitava eça de queiroz ["... tinha suspirado, tinha beijado o papel devotamente!..." - trecho que ficou famoso na música "amor i love you", que tocava sem parar]. na época a cooperativa de táxi que atendia a empresa tinha uma frota de carros comuns e não de táxis amarelos. pois nosso don juan de campo grande tratou de fazer amizade com todos os taxistas e aparecia para buscar as namoradas a bordo de um vistoso carro verde com seu motorista particular. a meninada suspirava! o namorado além de romântico, tinha um cargo importante!...

foi demitido porque gastou várias vezes o valor do seu salário em vouchers de táxi da empresa.

***

quer saber? eu acho é certo, tem mais é que gastar. o amor é uma causa justíssima, tão vital para os funcionários quanto plano de saúde e vale-refeição.

nostálgica?

cobicei o bamba-cabeção do seu zé, meu porteiro. hoje em dia não se fabrica mais o bamba-cabeção, ele está para o fusca como o all star está para o new beattle. o all star tem seu charme, mas não é o original.

***

há mais de vinte anos atrás só me era permitido ir para a escola calçando o clássico bamba-cabeção branco. eu queria usar outros tênis, um buble gummers, quem sabe, ou até um olympicus. o bamba pra mim era o fim. acontece que nos pés de uma criança inquieta, os tênis ficavam invariavelmente esfarrapados em questão de poucos meses. por uma questão de lógica econômico-familiar, meus pais optavam pela equação do melhor custo-benefício-durabilidade.

mais tarde, os descolados do teatro desencavaram o bamba-cabeção. mas eu ainda não tinha 100% de certeza se queria voltar a usar aquilo - como costuma acontecer, a auto-confiança não é bem o forte dos adolescentes. quando finalmente resolvi adquirir um par, o bamba saiu de circulação de vez.

hoje, vendo um bamba azul esfarrapado nos pés do seu zé, me acendeu o vaga-lume da lembrança. se usasse um bamba-cabeção hoje, faria as pazes com meu eu-criança.

divagações

por que, em plenos 2000 e tals, depois de todas essas revoluções digitais, estéticas, internets, o escambau, os sitcoms americanos ainda têm aquelas risadinhas de fundo pra avisar que estão contando uma piada? eu acho as risadinhas uma coisa intragável e absurda.

por que o número da portaria é 94? não tinha um número mais fácil pra inventar?

por que em todos os meus sapatos a fivela cai sempre no penúltimo furo?

o senhor atendeu as minhas preces

circo voador informa:
próximas atrações - sexta, dia 21/03: tributo a los hermanos.

se já vai ter tributo é sinal que eles morreram. yeah!

encontros & desencontros

dia desses minha amiga j comentou comigo espantada: "mari, você vê as pessoas!..." é verdade, eu vejo as pessoas. nos lugares mais inusitados, nas situações mais inesperadas. elas passam por mim como fantasmas, me deixando com a sensação de ter perdido o trem. pensando bem, não adianta nada ver as pessoas. seria um dom se fosse quando eu quisesse, mas nunca é assim. às vezes eu acho que estou no lugar certo na hora errada, e na hora certa eu não estou em lugar nenhum.

voltei, recife

foi o batizado do 03 que me trouxe pelo braço. explico: a família materna de 03 é da terra do frevo, uma gente adorável. 03 é um garoto de sorte e do alto da sua breve existência deve desconfiar disso, porque conserva uma expressão tranquila e atenta, que lhe conferiu o apelido de sereníssimo por parte do avô paterno. o consorte foi o padrinho, mas por pouco não perdeu o posto para um qualquer que estivesse de calça comprida, já que ele trajava bermudas no dia do batizado e o padre era muito rigoroso. foi um deus-nos-acuda quando o consorte desceu do carro e a família olhou horrorizada para sua bermuda. sinceramente não me ocorreu ser um pecado muito grave batizar alguém com as pernas de fora, principalmente nos trópicos, mas há que se respeitar as tradições. felizmente a sacristã descolou umas calças de defunto que lhe couberam e tudo correu bem.

o recife antigo não é mais aquele - fomos dar uma voltinha por lá no sábado à noite e fiquei um pouco decepcionada com a escassez de agito. tinham uns poucos bares abertos na rua da moeda, que até tinham algum charme, mas estava longe de ser uma lapa com sotaque, como outrora eu conheci a região. fiquei me perguntando onde o 04 bebia quando voltava à cidade. concluí que 04 é o rei e ele bebe onde bem entende.

a macaxeira continua a tal - imbatível, cozida, comme il fault.

linguiça de bode experience - até os 29 anos nunca tinha tido tv a cabo em casa. e continuaria sem fazer a menor falta, não fossem os programas de viagem, que eu adoro. pois bem, a nova onda do momento nesses programas é comer comidas exóticas, provar iguarias regionais. foi influenciada por essa onda que eu entrei numas experimentar uma linguiça de bode. não que bode seja exótico no recife, bode lá é mainstream. mas pra mim, garotinha juvenil, criada a ovomaltino e leite de pêra, bode é pra lá de underground. só que aquela reação que os apresentadores dos programas de viagem costumam ter [fechar os olhinhos e suspirar "hum, nunca comi nada igual"] não rolou comigo. o problema não é exatamente o bode, o gosto é parecido com o do carneiro, cordeiro e afins. só que, apesar do dna libanês, eu não consigo apreciar o gosto forte dos ovinos. lembrar da próxima vez: não comer nenhum quadrúpede de áries.

pronto! - relembrei como prónto, com sotaque assim, é lindo! tudo é pronto pro pernambucano. aprendi uma expressão nova: fulano se abusou. é muito melhor que o anglicismo fulano se estressou. vou incorporar ao vocabulário.

da mutabilidade das percepções - na primeira vez que fui a recife na vida adulta, tinha vinte e pouquíssimos e vinha de um lugar chamado carne de vaca, onde me hospedei num barraco sem água corrente habitado por ratos e baratas. ao chegar no recife, fiquei numa "pousada" na boa viagem chamada uzimar, que era muito simples, mas eu achei que estava no copacabana palace. [quer o endereço do uzi? clique aqui]
aos vinte e mais alguns, voltei e fiquei de novo no, carinhosamente apelidado, uzi. com um olhar mais apurado, pude perceber que ele estava mais pra um cafofo sórdido que pro copa. só que o preço de banana, todo o álcool e carnaval, o café da manhã do outro lado da rua no primo rico da "rede", o uzipraia, e o principal, a cama para desabar no fim do dia, me fizeram relevar os pontos fracos do uzi.
aos trinta, tive minha redenção: boiando na piscina de um confortável 4 estrelas, cheguei à conclusão que eu fiquei um pouco fresca e certamente mais exigente. o uzi foi bom um dia, mas ele na realidade era uma bomba. tem horas que é bom não ter mais vinte anos.

[não confundir 04 com um possível quarto sobrinho. 04 é fred. 04 é tuda.]

curiosidade circense

para minha surpresa, ou nem tanto, descobri que muitos dos atletas, ops, artistas do cirque du soleil são ex-competidores olímpicos. ah, então está explicado!

[só que aí o meu post lá embaixo passa a fazer pouco sentido :) ]

a famosa economia porca

na condição de pessoa econômica, de dna libanês, à beira da pão-durice, já ouvi aos montes a expressão "o barato sai caro" e, ao longo do tempo, pude comprovar que muitas vezes ela é verdadeira. por isso hoje, mesmo continuando parcimoniosa com meus gastos, procuro pensar duas vezes antes de cair na cilada da famosa "economia porca". é muito difícil, porque quase sempre a tentação de economizar um real que seja é grande. mas aprendi que, além do papel higiênico, existem outras coisas com as quais não se deve economizar.

levei anos para entender que tudo bem trocar picanha por maminha, mas sob nenhuma circunstâcia vale a pena trocar o filé mignon por contra-filé. claro, pode acontecer de o filé não ser filé e a picanha não ser picanha. mas aí são outros quinhentos...

rapidinho em são paulo

a cada dia descubro mais esquisitices em são paulo:

- lá não se pode jogar papel em nenhuma privada, nem nas residenciais, porque o encanamento não aguenta.
- lá os viadutos são chamados de pontes - mesmo que não haja nenhum rio passando embaixo.
- quando você compra frios no mercado, cada fatia vem separada por um plástico. por um lado é interessante, não é preciso ficar desgrudando um queijo do outro, por exemplo. mas em tempos de aquecimento global, me parece um contrasenso desperdiçar tanto plástico somente para esse fim.

agora o mais estranho mesmo sou eu, uma carioca que vai pra são paulo comprar biquíni.

sabe quando tudo dá errado? sei bem

segunda-feira. o dia chegou normal, nem bom nem ruim, apenas mais uma semana começando. estava saindo de casa relativamente cedo mas, quando estava com a chave na porta me deu uma dor de barriga. achei mais prudente voltar do que esperar chegar no trabalho, e com isso me atrasei um pouco. ainda dentro do horário, fui tirar um dinheiro, já que eu só ando sem um tostão e o pobre-card que me garante o direito de ir e vir estava sem crédito. os dois caixas do banco perto de casa estavam fora do ar. com um pouco de raiva, resolvi arriscar e pegar o ônibus mesmo assim, afinal de contas hoje é dia 3 e o cartão já deveria estar recarregado. não estava.

desci do ônibus já com bastante ódio no coração e fui andando até outro banco pra sacar o dinheiro. como alguém tinha que levar a culpa de tamanha desgraça, liguei pro meu consorte e descasquei em cima dele, que não tinha me deixado o dinheiro da passagem (pobreza!). com a grana na mão, fui bufando a até o ponto de ônibus mais próximo, quer dizer, que eu julgava ser mais próximo porque ele ficava a vários quarteirões de distância. a essa altura eu já estava bem atrasada e a cada minuto que o ônibus demorava a passar minha impaciência aumentava e eu tinha vontade de gritar. até que ele veio, eu subi e tentei respirar fundo, refletindo sobre como eu era miserável naquela manhã. quase chegando no trabalho, vi da janela do ônibus um sujeito, no meio do nada, de roupa social, um sol de rachar na cabeça, tentando ajeitar alguma coisa no pé: a sola do sapato que tinha descolado inteira. aí eu pensei com uma ponta de satisfação: tem alguém pior que eu.

não era verdade. ao chegar na firma, que está em obras, reparei que minha mesa, minha cadeira, meu computador, tudo enfim, estava recoberto por uma camada de poeira. nossa cocheira fica na faixa de gaza, o que nos separa da obra é apenas uma cortina de plástico preto, estendida quase na nossa cara. eu, que não sofro de alergias e frescuras afins, comecei a espirrar e ficar com a garganta seca. eis que começa um som de britadeiras. insana, subi na cadeira e escrevi "insalubridade já!"com giz sobre o plástico preto, como sinal de protesto. não foi o meu protesto que surtiu efeito, mas o dos demais escritórios do prédio que pediram gentilmente que o barulho fosse evitado durante o horário comercial. se o barulho chegou a incomodar as pessoas dos outros andares do prédio, imaginem a mim, que estava apenas do outro lado da cortina...

cheia de dor de cabeça e com um humor do cão, fui almoçar. a mudança de ares me fez bem, mas na volta para o trabalho eu pisei num cocô. consegui administrar a tarde, mas quando deu seis em ponto a britadeira voltou com força total, junto com o meu mau humor. no auge do barulho me liga o consorte com a inacreditável notícia de que não ia poder viajar na data que tínhamos combinado. soltei marimbondos pelo telefone. um som de sirenes e buzinas se misturou ao som da britadeira, agora que a janela também fica aberta. a beira de um ataque de nervos, o mais sensato era vir pra casa. no ônibus, quase chegando, sinto uma coceirinha na perna. olho pro lado e... uma barata! chega. é demais. vou me esconder no chuveiro. o dia precisa acabar antes que eu cometa um crime.

bi-campeão!

"Sou Flamengo e, como Jorge Ben, não desfaço de ninguém. Quem me conhece sabe. Mas dizer que o Botafogo perdeu a final da Taça Guanabara porque foi roubado não vale. Entristece quem assistiu ao jogo e viu o zagueiro alvinegro Ferrero quase arrancar a camisa do rubro-negro Fábio Luciano."

no blog: botequim da lapa

concordo com tudo, mas se eu fosse o zagueiro do botafogo teria feito a mesmíssima coisa, mesmo correndo o risco de tomar um pênalti. com aquela delícia toda do fábio luciano na minha frente, a reação mais óbvia seria a de arrancar sua camisa no ato.

9 e 1/2 cebolas de amor

não tenho certeza se gostei. vai ser difícil superar o quiabo. acho que cebola não combina muito com amor.

leitura interrompida

fiz uma coisa que normalmente eu detesto fazer: parar de ler um livro no meio e começar a ler outro. por pior que seja a leitura, eu sempre me forço a ir até o final. não era o caso desse livro, “o jogo das contas de vidro” do herman hesse, que ganhou até o nobel de literatura. o problema é que é a segunda vez que eu tento ler esse livro e empaco. a história é boa, o autor é ótimo (já li muitos outros dele), mas acho que a gente tem que estar na fase certa pra ler certos livros e eu definitivamente não estou numa fase pra ler esse um. belo dia vou pegar o livro e ler de uma vez só, já aconteceu outras vezes. ponderei que não adiantava ficar insistindo enquanto eu só atrasava a fila. ia chegar o fim de fevereiro e eu não teria lido nada. portanto, deixei “o jogo” de castigo na estante e peguei “a filha do canibal”, da rosa montero, que é uma leitura mais leve e promete ser divertida. vamos ver se assim eu engato o projeto literário em 2008...

ainda carnaval

vem cá, me explica aqui uma coisa: de que adianta ficar cantando aos quatro ventos que "o rio é melhor que salvador" se quando acaba o carnaval espalham cartazes dizendo "ressaca dos blocos com boitatá e céu na terra"? ressaca, meu amigo? isso é expressão que só deveria constar do vocabulário de micareteiros e afins. ressaca, na minha terra, é coisa que se cura com engov.

[também vi um cartaz do banga com a mesma expressão. será uma praga?!]

findo o carnaval (ou feliz ano novo)

[balanço de carnaval – post póstumo]

climatempo informa – 2008 foi o carnaval mais chuvoso do rio de janeiro dos últimos tempos. ainda não concluí se foi bom ou ruim ter chovido tanto, mas estou quase convencida de que foi positivo. os blocos estavam cheios demais, imagino que se não tivesse chovido estariam mais cheios ainda. a chuva filtrou, pelo menos um pouco os realmente interessados em pular o carnaval.

na rádio relógio são sete horas e trinta minutos – porque eu levo carnaval a sério. não coloco o despertador às 7:30 pra ir trabalhar nem que a vaca tussa, mas como carnaval é prioridade, trabalho não é prioridade, esse foi o horário que eu acordei quase todos os dias.

fantasias - usei minhas melhores fantasias nos dois primeiros dias – apogeu no domingo de carnaval. este ano me superei (eu e quase todo mundo porque eu vi cada fantasia mais engraçadainteressante que a outra!). não consigo mais imaginar a possibilidade de passar um carnaval sem estar fantasiada propriamente, pra mim não faz sentido, é como ir à praia com roupa de esquiar – quando o traje não ajuda, a diversão fica incompleta.

incorporei, nessa ordem:

- cozinheira do spoleto, com direito a avental, uniforme e frigideira com penne(s)
- world-wide-famous engov com a ubíqua plaquinha "engov we trust" e distribuindo os famosos comprimidinhos a todos que me pediam
- vanessa da matta (ou didi de betânia, dependendo da boa vontade de quem visse)
- frida kalho (não gosto de repetir fantasia, essa fez muito sucesso no ano passado, mas esse ano virou lugar-comum. abri uma exceção porque meu amigo f. iria de dalí, então ficaria uma dupla conceitual, mas f. fez um forfait e eu virei apenas mais uma frida)
- porquinha (eram 3 porquinhas e um lobo mau)
- índia – esse foi um improviso bagaceirantropológico de pintar a cara pra pertencer à tribo do cacique de ramos

outras fantasias que valeram o confete: ursinhos carinhosos no zoobloco (várias pessoas, cada uma representando um ursinho), casal "dos santos 01" e "gusmão 171"(a menina de daiane toda pintada de preto de maiô e um coquinho e o namorado de maiô e touca), gêmeas siamesas (várias meninas andando juntas em uma camiseta enorme e a mãe atrás), bloco das lavadeiras "precisa-se de tanquinho", o cara que anda com a cabeça num cartaz gigante do filme os picaretas, fica parecendo que ele está abraçando o steve martin (já tinha visto no ano passado, mas é sensacional) e o sonâmbulo (andando de braços estendidos no sentido contrário do bloco).

blocos de b a z

banga – bloco dos amigos do coração, me acabei. talvez se eu não tivesse ficado onde eu fiquei, de cara pra bateria, não teria achado bom. mas isso eu só descobri no final, quando vi a turba de gente que lotou a pacheco leão. frevo mulher, que eles tocaram 2x é sempre o ponto alto. só senti falta do samba do banga e de mais cerveja (que estava escassa).
boitatá – só o fato de estar no meio daquela praça cheia de gente fantasiada já vale o confete. esse ano goiabamos e ficamos um bom tempo debaixo da marquise esperando o bloco começar, sendo que o bloco tinha começado havia horas, estava dando mil voltas pelo centro e a gente achando que os caras tinham resolvido dormir até mais tarde. choveu, choveu, foi tanta água que meu boi nadou, mas nada disso tirou o colorido do bloco mais "profissional" do carnaval.
boi tolo – é o justo oposto do boitatá e nem por isso menos divertido. pra falar a verdade o boi tolo foi bem mais divertido, porque àquela altura a gente já estava um pouco mais bebinho. o bloco é a maior esculhambação, cada um canta o que quer, é a síntese da espontaneidade carnavalesca. ponto alto: lá pelas tantas, eu abafando na minha fantasia de engov no murinho da alerj, posando pra várias fotos (que depois descobri em picasas de ilustres desconhecidos), me achando a dancing queen da praça xv.
cacique de ramos – a xepa do carnaval, o último bloco do último dia. nem por isso foi inválido. só não houve derrame de confetes porque, evidentemente, naquele ponto o confete já tinha virado lama.
céu na terra – por nós carinhosamente apelidado de "inferno na terra", tamanha a multidão e calor que fez lá em cima. fiz a lição de casa, acordei cedo, mas não consegui chegar numa hora boa. acho que deve ter sido bom um dia, não sei se será uma opção no futuro. o melhor foi um jesus cristo ressuscitado que subiu no muro e abriu os braços enquanto o povo bradava "queremos vi-nho! queremos vi-nho!"
empolga – não é o meu bloco preferido, mas por amor eu vou lá jogar meu confetinho. no sábado superou minhas expectativas, me diverti um bocado preparando penne(s) mole, duro, al dente, com molho branco, quatro queijos, alho, cebola, azeite, manteiga e confete. já no domingo, o naipe das pessoas que estavam na praia, e toda a confusão em volta me fizeram ter um ataque de cinco minutos e um quase chilique. só não desejei com mais força que um metereorito caísse por sobre o posto nove porque, além daquela gente toda que não iria fazer falta nenhuma ao mundo, fatalmente algumas pessoas queridas que estavam na área seriam prejudicadas.
gigantes da lira – saiu no sábado antes do carnaval, lindo, como sempre, com suas criancinhas fantasiadas. este ano não teve sobrinhos, então brinquei com as crianças alheias. teve direito a ipod que o cônjuge achou no picolé de coco, que emoção!
escangalha – classificaria como um bloco esteticamente agradável: gente bonita, lugar bonito, uniformes bonitos. não foi dos mais empolgantes, mas valeu o confete.
rancho flor do sereno – interessante a proposta, o repertório não é aquela coisa carnavalfestafrenética, mas tava legal, apesar de muito cheio. quando eu estava entrando no clima, pessoas quem careciam de espírito carnavalesco resolveram ir embora, o que me rendeu um tremendo mau humor. voltei pra casa contrariada.
quizomba – blocão cheio e mistureba, mas com um alto astral incrível. meu lugar é na corda, fazendo a segurança dos "colega". o "índio quer apito" e "quando a maré encher" são os clássicos que tremem os arcos da lapa.
volta alice – não valeu o confete. não conseguimos chegar perto da bateria, ficamos naufragando naquele mar de gente mais interessada em social que em carnaval. povo sem fantasia, de calça jeans (!) e salto (!) em plena rua alice. não deu. mais um piti e batida em retirada.
zoobloco – o que foi esse bloco? estou me perguntando até agora. o circuito ali por dentro do arco do teles, o repertório monotemático, as fantasias de bichos, foi tudo genial. virou meu novo bloquinho do coração. vale todos os confetes do mundo inteiro.

maturidade
– finalmente posso dizer que me tornei uma pessoa muito mais madura. ao contrário do carnaval passado, quando eu entrei numas de beijar todos os meus amigos, este ano a única bobagem de carnaval que eu fiz foi ficar tentando cuspir nos guardas que estavam embaixo da sacada de famosa pizzaria na lapa. a idéia não foi minha, claro, mas a cerveja é ótima pra amolecer os miolos das pessoas. por sorte meu potencial de projetar saliva à distância não era lá essas coisas e os pms foram poupados das pseudo-rajadas de cuspe.

xixi – por outro lado, tenho que confessar que eu contribuí pra desonrosa estatística daqueles que fizeram xixi na rua. juro que evitei, mas a prefeitura deve ter colocado, assim, uns 8 banheiros químicos em toda a cidade. de modos que, num raio de 500 metros, que era mais ou menos o que eu agüentaria andar com a bexiga sob controle, não havia um só banheiro! elegi o lugar mais afastado e tentei fazer sobre um bueiro (porque, apesar da minha fantasia sugestiva, eu quis evitar emporcalhar a rua). não posso dizer que a experiência tenha sido 100% bem sucedida – tenho amigas que são craques na arte – mas era minha única opção naquele momento.

carnaval terminou como deveria: a gente com pique e animação para um último bloco, cantando na lama* da avenida riobranco de sapato vermelho e depois volta pra casa, exaustos, felizes e com a sensação de dever cumprido. porque, como eu já disse, carnaval pra mim é coisa muito séria.
y hasta 2009!


*eu juro que achei que tinha pego uma dst pelo pé! mentalize: um pé cheio de feridas por causa do sapato. toda a lama, todo o mijo, e todos os vírus e bactérias que nadavam na gosma negra que virou o asfalto da avenida riobranco, depois de quatro dias de carnaval. uma sandália aberta... felizmente, nada que o álcool (no pé!) não tenha curado.

se aliste, meu camarada!

domingão nublado em ipanema, viro a esquina da praia e dou de cara com uma cena mais ou menos assim:


logo em seguida vieram voando uns diversos helicópteros da marinha, compondo uma cena bem cinematográfica.
imediatamente começa a tocar na minha cabeça:

"se a guerra for declarada
em pleno domingo de carnaval
verás que um filho não foge à luta
brasil, recruta o teu pessoal
se a terra anda ameaçada
de se acabar numa explosão de sal
se aliste, meu camarada
a gente vai salvar o nosso carnaval"


[em tempo, descobri que a parafernália era para comemorar os 200 anos da abertura dos portos. tudo bem, mas preferi continuar acreditando que era a marinha comemorando a abertura do carnaval]

foto: o globo


circo do sol

na semana passada fui agraciada com um convite para o cirque du soleil. como sempre, encontrei uma boa oportunidade para filosofar.

a primeira coisa que chamou minha atenção [e depois eu vi que a minha amiga também ficou pensando a mesma coisa durante o espetáculo] foi como o ser humano pode ser aquilo que bem entende. como já disse, acredito que algumas coisas são pré-programadas, como o dna, mas existe uma vasta gama de opções a serem exploradas, experimentadas, desafiadas durante uma vida. por exemplo os artistas do circo, que podiam perfeitamente ser campeões olímpicos! o que eles fazem é incrível: sua capacidade de dar saltos, piruetas, de sustentar o corpo inteiro com uma mão e de se equilibrar numa corda bamba é igual ou superior a de um atleta. mas eles escolheram um caminho diferente: foram ser artistas de circo. poderiam ter ganho medalhas de ouro, poderiam ser mestres de ioga ou simplesmente professores de matemática. existem o que escolhem a glória, o aplauso, a competição, a ascenção espiritual ou o sossego. e ainda bem que existem as escolhas.

quanto mais impossível uma coisa nos parece, mais ela é admirada.

somos criaturas sádicas. no fundo, ficamos sempre na expectativa de que alguém erre, caia, faça uma bobagem.

mas, ao mesmo tempo, somos solidários e quando alguém de fato cai, aplaudimos com mais força, como quem diz: "tudo bem, cair faz parte, apesar disso você é um grande artista".

também somos solidários com aqueles que pagam mico. o sujeito é "pescado" da platéia, levado até o palco pra passar ridículo em público e nós aplaudimos pensando "coitado, eu não queria estar no lugar dele, vou bater palma para que ele não se sinta tão mal".

nossa alma estará a salvo enquanto formos capazes de rir dos palhaços.

mais uma do hortifruti

como diz meu amigo rogerito, deu na cara! eu tinha até arriscado "o advogado do quiabo", mas eles foram mais sagazes ainda e lançaram o "quiabo veste prada". ficou tão sensacional que todo mundo que via, me ligava na hora pra contar.
poxa, eu queria tanto emplacar um filme para o hortifruti!...

dia de caça

depois de quase um ano passando diariamente pela porta de um dos puteiros mais famosos da cidade, hoje me deu um estalo: os homens não vão ao puteiro comer ninguém. eles vão lá é pra serem comidos.

para uma mulher, comer um homem pode ser tarefa penosa e as putas merecem ser muito bem pagas por isso.

caras & bundas

toda vez que eu leio (sic) a caras, sou acometida por várias reflexões, hipóteses, elucubrações. vou compartilhar algumas delas aqui:



  • o marcos paulo deve estar mal de grana e começou a cobrar pra aparecer ao lado de aspirantes a celebridades pra dar uma bombadinha na "carreira" delas. fazem parte do pacote: capa ou matéria de destaque na caras, declarações do tipo "estou apaixonado" fulana é a mulher mais linda do brasil" "foi amor à primeira vista" e a promessa de um teste na globo (no qual elas nunca passam). na condição de filha do ministro a marina mantega (who?!) teve direito a muito mais coisa no contrato dela e apareceu em todas as revistas, por umas três semanas no ano passado, incluindo várias capas. não conseguiu um papel nem na turma do didi e hoje em dia ninguém mais sabe quem é ela. pior ainda a última ? penúltima ? cliente/namorada dele que ficou "conhecida" como "a ex mulher do marido brasileiro da athina onássis". tentou se livrar da alcunha virando a "namorada do marcos paulo" mas agora foi rebaixada a "ex-do marcos paulo". talvez tenha sido um erro de estratégia. a rotatividade é alta, era mais jogo ela ter ficado com a primeira opção.

  • tenho quase certeza que ou o marido da ana maria braga não tem um dente da frente ou está treinando para interpretar a hello kitty no cinema - já reparou que ele nunca aparece rindo, nem nas fotos do casamento? [pensando melhor, se eu estivesse casando com a ana maria braga também não estaria rindo nem um pouco]

  • também estou 99% certa de que existem umas pessoas cujo emprego é aparecer nessas revistas. elas não fazem nada na tv há anos, não estão com uma peça em cartaz, muito menos estrelaram um filme. como já passaram da idade de dar pinta em festa de debutante do interior, sua única fonte de renda vem das revistas. se bem que, se essa está com os dois pés na obscuridade, eles é que deveriam pagar pra aparecer. vai ver que trocam uma foto por um quilo de arroz aqui, posam por um quilo de feijão acolá, e assim vão vivendo. fazem parte desse grupo: cesar filho & elaine (who?!) mikely, milla christie, flavia monteiro e outros.

  • já um outro grupo até faz uma coisa aqui e ali na tv, mas estes provavelmente têm preguiça de cozinhar, ir ao mercado, enfim, consideram essas tarefas domésticas uma chatice. sendo assim, preferem fazer as refeições no castelo de caras, na ilha de caras, na vila de caras, na choupana de caras, etc. isso em troca de umas fotos e declarações imbecis, é claro. são desse time: josé de abreu, totia meirelles, oscar magrini, e por aí vai.

  • do que se trata* andreramosebrunochatobriand? [a resposta para esta pergunta merece um post à parte] *[sim, no singular, por que pra mim é uma coisa só]

  • esse negócio de tirar foto de comida é muito coisa de pobre. e quando resolvem descrever o cardápio de algum evento no meio da matéria? aff!...

  • fico constrangida com um monte de gente. a vera fischer, por exemplo, que resolveu pagar de pintora e escritora. aguarde um cd com os clássicos da bossa nova interpretados por vera fisher em meados do ano. assim ela consolida sua carreira de artista multitalentosa.

  • aliás, quase tudo me deixa constrangida: as declarações medíocres, o uso de expressões saídas dos livros do josé de alencar como "a boda", "seu amado", "estão enamorados", a cafonice desenfreada, as plásticas mal feitas, o jabá descarado e a própria existência de algumas pessoas como david brazil (who?!), hebe, cid moreira e muitas outras.

  • por essas e outras que há coisas que o dinheiro não compra: bom senso, bom gosto, noção do ridículo, vergonha na cara. chego mesmo a pensar que quanto mais dinheiro um sujeito propenso a estes desvios ganha, pior a situação: a cafonice fica potencializada, a falta de noção aumenta, a vergonha na cara desaparece de vez. sinceramente, ou uma pessoa recebeu muita bola ou está fora das suas faculdades mentais quando aparece na capa da revista, tomando prosecco na beira da piscina, com um sorriso declarando "sim, eu e fulano estamos nos separando". como assim?! vai resolver isso em casa, filha!

  • e quem pensa que só aqui no brasil esses mexericos fazem sucesso está redondamente enganado. os ingleses, apesar de serem muito diferentes de nós [já falamos um pouco disso aqui], também adoram uma fofoquinha, um barraquinho. só que sobre eles, eu tenho nutrido uma teoria conspiratória: acho que a família real é acionista majoritária do "the sun". assim, quanto mais escândalo na corte, mais jornal eles vendem, mais ricos eles ficam. tô com o pai do dodi: a morte da princesa foi armada. mas não por razões envolvendo nobreza ou religião. pra mim o principal objetivo do assassinato era vender tablóide.

agora, você pode me perguntar se eu ainda continuo "lendo" essas revistas, e eu respondo: to-da-se-ma-na! por que? para me distrair falando mal de tudo & todos e para me sentir a pessoa mais íntegra, sensata e bem vestida da face da terra. pobre e anônima, porém digna.

it's now or never

tenho a crença de que a maior parte dos acontecimentos de uma vida carrega em sua essência uma certa flexibilidade. isso quer dizer que se algo não aconteceu em um momento específico, pode vir a acontecer em outro e vice-versa. o destino não deve ser inexorável assim.
mas existem algumas raras situações em que o timing é fundamental. é agora ou nunca, já cantava elvis presley. se tem uma coisa que atiça a minha ira é perder o timing. sou capaz de passar anos remoendo uma palavra não-dita, uma atitude não-tomada, um beijo não-dado. deixar escapar um momento desses é jogar fora uma possibilidade no lixo não-reciclável das impossibilidades.

beautiful boy



close your eyes,
have no fear,
the monsters gone
,
he's on the run
and your daddy's here,

beautiful,
beautiful,
beautiful,
beautiful boy,

before you go to sleep,
say a little prayer,
every day in every way,
it's getting better and better
,

beautiful,
beautiful,
beautiful,
beautiful boy,

out on the ocean sailing away,
i can hardly wait,
to see you to come of age,
but i guess we'll both,
just have to be patient,
yes it's a long way to go
,
but in the meantime,

before you cross the street,
take my hand,
life is just what happens to you,
while your busy making other plans


beautiful,
beautiful,
beautiful,
beautiful boy

(john lennon)

quando eu crescer, quero ser antropóloga

para entender as pequenas diferenças culturais entre os povos, que fazem toda a diferença. ontem, num chope com uma amiga que mora em londres, estávamos discutindo algumas delas.
minha amiga sustenta a tese de que a depilação "brazilian" não cola lá porque as inglesas são muito contidas. ela diz que não consegue imaginar certos diálogos entre depiladora/cliente, bastante comuns aqui no brasil, por causa dessa suposta privação da intimidade dos ingleses. se aqui se ouve com muita naturalidade "vai fazer com calcinha ou sem?", "querida, me ajuda a abrir o bumbum, por favor", "qual formato você vai fazer, meu amor?" das depiladoras que desfrutam mais da nossa intimidade do que namorados e ginecologistas, enquanto executam seu nobre trabalho comentando a novela do dia anterior, na inglaterra a cena é impensável. por outro lado, as inglesas não têm vergonha de se despir em público, seja no banheiro da academia ou tomando sol nas praias e parques. e, se elas entornam uns pints além da conta, o que é bem freqüente, arrastam o primeiro que vêem pela frente e levam pro abate ali mesmo (no banheiro das boates, por exemplo). e ninguém tem nada a ver com isso.
as calcinhas são outro caso interessante. como se sabe, na europa inteira só se usa calcinha fio-dental. flagrar alguém pagando calcinha fio-dental é ter uma visão do inferno. o que para nós é um pouco grotesco, lá é normal. inclusive, eles defendem o uso desse tipo de calcinha porque dizem que ela é mais discreta e não marca a roupa. o que eu não sabia era que para os ingleses, a nossa calcinha, "normal" (nem fio-dental nem calçolão), pelo fato de geralmente marcar na roupa, é considerada vulgar!
sem fazer julgamento de valor destas questões enigmáticas, eu acho diferenças assim muito interessantes. o mundo ia ser chato se fosse todos fossem iguais. e deus não deixou de ser sábio quando fez essa distribuição de caretices e porra-louquices entre os povos, porque só ela garante o equilíbrio universal.

[taí, se não entendo os fenômenos culturais sob a ótica antropológica, pelo menos encontrei uma explicação mística satisfatória pras idiossincrasias do ser humano!...]

desmemoriada

de-tes-to quando não consigo lembrar de alguma coisa e fico só com peças soltas de um quebra-cabeça vagando pela minha memória. como o que a gente sente quando não sabe de onde conhece fulano mas lembra de algum detalhe desconexo sobre o fulano em questão, que nunca é suficiente para fazer a ponte. por exemplo, uma vez eu vi uma mulher em mauá que eu tinha certeza conhecer de algum lugar e me ocorreu que o nome dela era mônica. só não conseguia descobrir de onde era a tal mônica. para meu grande alívio, um tempo depois lembrei que ela tinha sido minha professora. se não é o nome, às vezes eu tenho o sentimento de ter convivido muito com a pessoa, outras eu relaciono o sujeito com alguma situação específica e vou tentando puxar os fios pra ver se monto o quadro todo na cabeça. geralmente é angustiante e, pior, não vou ganhar nada pela lembrança, ou seja, o melhor é deixar pra lá, mas quem disse que eu consigo?
agora mesmo estou passando por isso. sabe lá por quê, do nada me bateu na cabeça uma "cena" de um livro que eu li, um homem (?) se hospeda em uma estação de repouso (?) e conhece uma mulher e sua filha. acho que ficam amigos. acho que dão um passeio. talvez a filha seja um pouco mimada, acho que ela é doente e meio temperamental com a mãe. sei que esse é só trecho secundário do livro, não é a passagem principal dele (provavelmente por isso a minha dificuldade de lembrar o nome). não sei em que época se passa a história. tenho a sensação que o autor é europeu, talvez alemão, francês, ou russo. ou a história acontece em algum desses lugares. talvez o trecho esteja escrito em formato de carta...isso é tudo o que eu consigo lembrar e estou há horas tentando puxar na memória mais detalhes pra saber de que livro se trata. já fiz a lista dos livros que eu li em 2007 e o trecho não tem nada a ver com nenhum deles. o mais perturbador é que eu consigo "visualizar" a "cena" que eu criei enquanto lia aquilo! a nossa cabeça (ou será só a minha?) é bem estranha... acho que não vou dormir essa noite. será que eu li isso num livro mesmo? será que eu sonhei? socorro, alguém me ajuda!

balanço literário

também gosto de fazer uma retrospectiva do que eu andei lendo. fiquei com a impressão de que eu li mais em 2006, mas posso estar esquecendo um livro ou outro na lista...

- grande sertão: veredas de guimarães rosa - que susto de livro, que beleza. merece ser lido várias vezes, provavelmente com descobertas novas a cada vez, mas eu acho que ainda não estou pronta pra começar a reler livros.
- a vida como ela é de nelson rodrigues - nunca tinha lido nada dele de fato. gosto dos nomes dos personagens, dos diálogos, da gíria da época. achei um pouco repetitivo, mas valeu a pena.
- assessora de encrenca de gilda mattoso - divertido, leitura fácil com histórias divertidas sobre os grandes nomes da mpb. é mais leve, mas o noites tropicais é melhor. o ponto alto são as histórias envolvendo o vinícius, de quem ela foi a última mulher e o joão gilberto.
- a imortalidade de milan kundera - sou suspeita pra falar do meu atual autor favorito. as sacadas dele me deixam tonta. esse livro é um tico mais filosófico e a história é mais picotada do que a dos outros romances dele. ainda prefiro a brincadeira e a insustentável leveza do ser, mas esse também é *muito* bom.
- mentiras no divã de irvin d. yalom - fiquei um pouco decepcionada. o livro me pegou, mas o romance não me acrescentou nada, fora a distorção do que ele chama de psicanálise.
- uma casa no fim do mundo de michael cunnigham - definitivamente não foi o ano dos americanos. esse é do mesmo autor de as horas, mas não chega aos pés.
- vale tudo: o som e a fúria de tim maia de nelson motta - terminei de ler esses dias. adorei, devorei, morri de rir. inacreditável que tudo isso tenha acontecido com uma pessoa de verdade!

se eu lembrar de mais algum, acrescento.

balanço anual: fechamento 2007

como todo "querido diário" que se preze (e eu já tive vários, apenas esse é o primeiro "público"), é preciso, ao fim de todo ano, fazer uma prestação de contas de mim pra mim mesma.

a saber.

no ano fiscal de 2007 eu:

- me tornei uma dona-de-casa, com casa e dono
- engordei/emagreci/engordei
- tive alta da análise
- não tirei férias e viajei pouco (búzios, ibitipoca, são paulo)
- fui tanto à praia que não deu tempo de desbotar
- redescobri a alegria de ser rubro-negra
- fui a alguns shows, não tantos quanto eu gostaria de ter ido. idem para cinema e teatro.
- ganhei um sobrinho novo
- enchi de beijos os sobrinhos veteranos
- dei algumas festinhas, nenhum festão
- quase acabei a pós
- bebi menos
- devo ter feito uns 397 ppts, mas fiquei satisfeita com o resultado do trabalho
- plantei um blog!

apesar do fim de ano esquisito, na maior parte do tempo mantive a mente (in)quieta, a espinha ereta e o coração tranquilo.

ou seja, fechamos no azul.

o único desejo para 2008 é que seja um ano de cigarra, já que 2007 foi puro ano de formiga. contudo, espero não desapontar os acionistas: a produtividade não ficará comprometida com a cantoria das cigarras, pelo contrário! o jardim vibra e sorri quando elas cantam anunciando o sol!

o canto da cigarra é o despertador dos iluminados. que venha um 2008 ensolarado!

o último pôr-do-sol




a onda ainda quebra na praia,

espumas se misturam com o vento.

no dia em que você foi embora, eu fiquei

sentindo saudades do que não foi

lembrando até do que não vivi...


(lenine)


último pôr-do-sol de 2007