jardinzinho 2.0
este é o primeiro blog da história que ninguém lê mas que tem o layout assinado por uma designer premiada. ficou lindo e colorido, do jeito que eu gosto, e de quebra ainda ganhei uma busca. dá licença, tá, que eu tô muito metida.
voltar de férias é: II
tomar um choque de realidade e lembrar que o rio de janeiro é a cidade mais nonsense do mundo pra se viver.
era para ser uma agradável noite de quinta, quando decidimos conferir o cardápio do zazá bistrô no restaurant week. presumidamente o restaurante estava cheio, então ficamos aguardando uma mesa nos banquinhos do lado de fora, junto à varanda.
conversa vai, conversa vem, um sujeito com cara de mendigo doidão se aproxima e, em um segundo, dá o bote por cima da varanda, rouba um celular sob uma das mesas onde jantavam duas amigas e sai correndo. no mesmo instante o cônjuge, em cuja infância viu filmes de super-herói sem moderação, sai correndo atrás do meliante. no encalço vêm o segurança e um outro sujeito que fazia sua caminhada noturna com a mulher. no ímpeto de alcançar o ladrão, o sujeito dá um esbarrão no cônjuge que vai caindo em câmera lenta na rua. como um herói não se abate facilmente, ele se levanta e continua a correr em busca da justiça. enquanto isso na calçada eu e a mulher do sujeito discutimos sobre a falta de segurança no bairro e os començais da varanda aguardam ansiosamente o desenrolar dos fatos.
primeiro volta o cônjuge todo estrupiado e desanimado: o ladrão tinha escapado. a vítima está agradecida de qualquer forma, ele não precisava ter se arriscado por um celular. depois vem o segurança, com o celular recuperado que o ladrão tinha deixado pra trás. burburinho na varanda. a vítima nem acredita, quer nos pagar um drink, mas dizemos que não precisa, obrigado pela gentileza. nossa mesa está pronta. jantamos como se nada tivesse acontecido.
saldo do jantar:
uma salada caprese com tomate recheado muito boa;
um talharim de arroz com legumes interessante;
uma sobremesa sem graça;
uma camisa rasgada;
uma distenção muscular na perna direita;
escoriações múltiplas;
dois drinks grátis que a dona do celular roubado e recuperado insistiu em pagar.
era para ser uma agradável noite de quinta, quando decidimos conferir o cardápio do zazá bistrô no restaurant week. presumidamente o restaurante estava cheio, então ficamos aguardando uma mesa nos banquinhos do lado de fora, junto à varanda.
conversa vai, conversa vem, um sujeito com cara de mendigo doidão se aproxima e, em um segundo, dá o bote por cima da varanda, rouba um celular sob uma das mesas onde jantavam duas amigas e sai correndo. no mesmo instante o cônjuge, em cuja infância viu filmes de super-herói sem moderação, sai correndo atrás do meliante. no encalço vêm o segurança e um outro sujeito que fazia sua caminhada noturna com a mulher. no ímpeto de alcançar o ladrão, o sujeito dá um esbarrão no cônjuge que vai caindo em câmera lenta na rua. como um herói não se abate facilmente, ele se levanta e continua a correr em busca da justiça. enquanto isso na calçada eu e a mulher do sujeito discutimos sobre a falta de segurança no bairro e os començais da varanda aguardam ansiosamente o desenrolar dos fatos.
primeiro volta o cônjuge todo estrupiado e desanimado: o ladrão tinha escapado. a vítima está agradecida de qualquer forma, ele não precisava ter se arriscado por um celular. depois vem o segurança, com o celular recuperado que o ladrão tinha deixado pra trás. burburinho na varanda. a vítima nem acredita, quer nos pagar um drink, mas dizemos que não precisa, obrigado pela gentileza. nossa mesa está pronta. jantamos como se nada tivesse acontecido.
saldo do jantar:
uma salada caprese com tomate recheado muito boa;
um talharim de arroz com legumes interessante;
uma sobremesa sem graça;
uma camisa rasgada;
uma distenção muscular na perna direita;
escoriações múltiplas;
dois drinks grátis que a dona do celular roubado e recuperado insistiu em pagar.
voltar de férias é:
não fazer idéia de quem é essa tal susan boyle.
não ter visto o vídeo da maysa puxando a peruca do silvio santos, no youtube.
estar com quilos a mais.
estar com dinheiro de menos.
descobrir que o preço do leite subiu, mas a passagem de ônibus continua igual.
ter novas referências, pelo menos por um tempo.
ter novas referências, pelo menos por um tempo.
redescobrir uma rotina. e sobretudo redescobrir a gostar dela.
começar a planejar as próximas.
fragmentos de um caderninho (confissões de uma mente delirante aos 20 e poucos)
[20xx]
"meu chicão. ele é meu amor platônico desde que eu comecei a trabalhar na xxx. desde que ele falou que ia pra serra do caparaó e passaria o ano em caburé. meu deus, pensei! taí uma pessoa interessante, porque ninguém vai pra esses lugares assim impunemente. desde então eu gosto dele e baixo os olhos nas poucas vezes que eu encontro com ele na hora do almoço. ele também sabe da minha existência e provavelmente hoje descobriu que eu me chamo mariana - vai ver que ele também já teve (ou tem, vai saber) uma namorada com esse nome. eu devia era ter puxado assunto, naquele dia que ele falou de caburé. devia ter dito, dá licença, é que a gente tá um do lado do outro e eu não pude deixar de ouvir que você disse que ia pra caburé, e ele, que naquela época tinha o cabelo grande perguntaria: "você conhece caburé?" e eu começaria a contar da viagem com a minha mãe e a gente conversaria mais e engataria num papo gostoso, primeiro sobre viagens, depois sobre a vida além das férias e então eu, num átimo de coragem o convidaria para esticar a conversa no parque e ele responderia "claro, como não? o dia tá tão bonito!" e a gente sentaria nesse banquinho defronte pro chafariz, e quando desse dez pras três eu diria "poxa, agora eu preciso voltar pro trabalho" e ele faria uma cara de cachorro-que-caiu-da-mudança, à qual eu responderia com a pergunta "posso te beijar com a boca de feijão?"
"meu chicão. ele é meu amor platônico desde que eu comecei a trabalhar na xxx. desde que ele falou que ia pra serra do caparaó e passaria o ano em caburé. meu deus, pensei! taí uma pessoa interessante, porque ninguém vai pra esses lugares assim impunemente. desde então eu gosto dele e baixo os olhos nas poucas vezes que eu encontro com ele na hora do almoço. ele também sabe da minha existência e provavelmente hoje descobriu que eu me chamo mariana - vai ver que ele também já teve (ou tem, vai saber) uma namorada com esse nome. eu devia era ter puxado assunto, naquele dia que ele falou de caburé. devia ter dito, dá licença, é que a gente tá um do lado do outro e eu não pude deixar de ouvir que você disse que ia pra caburé, e ele, que naquela época tinha o cabelo grande perguntaria: "você conhece caburé?" e eu começaria a contar da viagem com a minha mãe e a gente conversaria mais e engataria num papo gostoso, primeiro sobre viagens, depois sobre a vida além das férias e então eu, num átimo de coragem o convidaria para esticar a conversa no parque e ele responderia "claro, como não? o dia tá tão bonito!" e a gente sentaria nesse banquinho defronte pro chafariz, e quando desse dez pras três eu diria "poxa, agora eu preciso voltar pro trabalho" e ele faria uma cara de cachorro-que-caiu-da-mudança, à qual eu responderia com a pergunta "posso te beijar com a boca de feijão?"
- fim do delírio -"
[o fim do delirírio está no original. aos 20 e poucos eu já tinha um mínimo que fosse de auto-crítica.]
fragmentos de um diário (confissões de uma mente delirante aos 10)
[1987 - terceira ou quarta série]
"tudo começou quando... fizemos uma excursão ao horto florestal do grajaú e comecei a conversar com as plantas quando vimos uma plantação de trevos de 4 folhas. eu peguei um, mas teve gente que pegou um monte! comecei a falar com o trevo e disse a ele que gostava do xxx. disse a ele que desse sempre harmonia pra minha família, eu falava com fé. joguei três folhas pra cima e fiquei com uma. era em forma de coração. botei a folhinha dentro do convite da festa da marcelle, pois ela ia mesmo me dar sorte na festa. a partir daí comecei a conversar com deus, achoque ele está dentro de mim, bem moderninho, é como se ele fosse eu mesma ou minha melhor amiga, mas eu sou minha melhor amiga. contei tudo a ele, do trevo, do xxx e ele me dava conselhos. eu descobri que cada coisa tinha um pedacinho de deus e quando esses pedacinhos se proliferassem nós iríamos formar o salvador e deus viria a terra. ele me disse que meu pedacinho estava se proliferando pois eu tinha descoberto isso mas que o dos outros não. descobri que tudo e todos eram deus. ele me dava instruções para que o xxx gostasse de mim e que tudo acontecesse na festa e que nós dançássemos a noite inteira. eu estava cheia de esperança. ele me disse para que naquele dia eu não falasse a palavra festa. eu estava cada vez mais perto de deus. eu falei. ele me disse que eu perdi 5 pontos e que não ia ter praia no sábado. não teve mesmo e eu acreditei mais nele.
hora da festa: eu estava linda com batom cor-de-rosa com baloné e suspensório. comecei a procurar o trevo e nada de achar! fiquei desesperada! mas deus disse que ele estava no meu coração. me disse que primeiro o daniel ia me chamar pra dançar mas que depois o xxx é que ia ficar dançando comigo.
o daniel chamou a flávia e as músicas eram seguidas. aí eu dei um jeito de dançar e o xxx não parava, era só fabiane, flávia, érica e renata. eu ia rasgando o trevo no meu coração quando ele me tirou. foi só dessa vez porque ele não parava de dançar com a flávia e quando eu tirei ele, ele falou coisas feias pra mim. acho que a helena é que devia ficar com ele e quando ela foi tirar ele, ele disse as mesmas coisas feias pra ela. aí as meninas começaram a fazer fila pra dançar com ele! que humilhação! o resto da festa eu tentei disfarçar.
eu e deus discutimos. não é que eu não goste mais de deus. eu quero esquecer tudo isso. mas é que estou magoada."
[dois dias depois]
"hoje foi legal. acho que deu pra esquecer o xxx. na festa a flávia me disse que a fabiane não estava a fim do xxx, eu achei que ela também não estava mas vi que ela tinha razão pois na nossa idade temos que curtir e não nos prendermos em ninguém. pois eu resolvi partir pra paquera com o frederico do teatro."
[o que está em negrito foi sublinhado com canetinha verde no original]
"tudo começou quando... fizemos uma excursão ao horto florestal do grajaú e comecei a conversar com as plantas quando vimos uma plantação de trevos de 4 folhas. eu peguei um, mas teve gente que pegou um monte! comecei a falar com o trevo e disse a ele que gostava do xxx. disse a ele que desse sempre harmonia pra minha família, eu falava com fé. joguei três folhas pra cima e fiquei com uma. era em forma de coração. botei a folhinha dentro do convite da festa da marcelle, pois ela ia mesmo me dar sorte na festa. a partir daí comecei a conversar com deus, achoque ele está dentro de mim, bem moderninho, é como se ele fosse eu mesma ou minha melhor amiga, mas eu sou minha melhor amiga. contei tudo a ele, do trevo, do xxx e ele me dava conselhos. eu descobri que cada coisa tinha um pedacinho de deus e quando esses pedacinhos se proliferassem nós iríamos formar o salvador e deus viria a terra. ele me disse que meu pedacinho estava se proliferando pois eu tinha descoberto isso mas que o dos outros não. descobri que tudo e todos eram deus. ele me dava instruções para que o xxx gostasse de mim e que tudo acontecesse na festa e que nós dançássemos a noite inteira. eu estava cheia de esperança. ele me disse para que naquele dia eu não falasse a palavra festa. eu estava cada vez mais perto de deus. eu falei. ele me disse que eu perdi 5 pontos e que não ia ter praia no sábado. não teve mesmo e eu acreditei mais nele.
hora da festa: eu estava linda com batom cor-de-rosa com baloné e suspensório. comecei a procurar o trevo e nada de achar! fiquei desesperada! mas deus disse que ele estava no meu coração. me disse que primeiro o daniel ia me chamar pra dançar mas que depois o xxx é que ia ficar dançando comigo.
o daniel chamou a flávia e as músicas eram seguidas. aí eu dei um jeito de dançar e o xxx não parava, era só fabiane, flávia, érica e renata. eu ia rasgando o trevo no meu coração quando ele me tirou. foi só dessa vez porque ele não parava de dançar com a flávia e quando eu tirei ele, ele falou coisas feias pra mim. acho que a helena é que devia ficar com ele e quando ela foi tirar ele, ele disse as mesmas coisas feias pra ela. aí as meninas começaram a fazer fila pra dançar com ele! que humilhação! o resto da festa eu tentei disfarçar.
eu e deus discutimos. não é que eu não goste mais de deus. eu quero esquecer tudo isso. mas é que estou magoada."
[dois dias depois]
"hoje foi legal. acho que deu pra esquecer o xxx. na festa a flávia me disse que a fabiane não estava a fim do xxx, eu achei que ela também não estava mas vi que ela tinha razão pois na nossa idade temos que curtir e não nos prendermos em ninguém. pois eu resolvi partir pra paquera com o frederico do teatro."
[o que está em negrito foi sublinhado com canetinha verde no original]
por que eu não leria o meu blog
- não existe a menor consistência em termos de atualizações: posso tanto ficar um mês sem postar nada como em uma semana postar todos os dias. é chato acompanhar blogs assim.
- ele não é um blog tão pessoal onde eu faça confissões inconfessáveis - adoro ler um blog e pensar: gente, como essa pessoa tem coragem de escrever isso assim, pra qualquer um ler?!
- ele é heterogêneo demais: não tem um tema em torno do qual gira o conteúdo do blog como por exemplo, viagens, moda, gastronomia, esmalte de unha ou fofocas - só pra citar alguns assuntos que têm me interessado na blogosfera.
- alguns posts são longos demais
- a letra é pequena
- quase não coloco fotos, minhas fotos em geral são conceituais. tenho certeza que alguns posts, especialmente os de viagem, seriam bem mais atrativos se tivessem fotos ilustrando.
- esse layout tá ultrapassado [alô, amiga? :) nem ela passa mais por aqui!...]
- eu não respondo os comentários (isso é um problema, porque na verdade adoro os comentários. só não respondo porque acho esquisito responder na própria caixinha dos comentários, apesar de saber que essa é a "etiqueta" dos blogs. fico achando que a pessoa não vai se dar ao trabalho de voltar pra ler uma resposta. por isso acabo respondendo por email, msn ou pessoalmente, já que conheço a maioria das pessoas que passam aqui.)
- os assuntos que eu trato não interessam ninguém, e provavelmente muito menos as as opiniões que eu tenho sobre estes mesmos assuntos.
- no fundo fico achando que o que eu escrevia antes, nos meus caderninhos e diários era mais engraçado, espontâneo e cheio de vida. a possibilidade de ter interlocutores faz com que eu tenha mais cuidado, mais regras e a escrita acaba ficando mais burocrática.
e é claro que eu gosto de ter leitores, apesar de sabê-los poucos. não fosse assim eu voltava de vez pros caderninhos e diários, os quais mantenho até hoje para fins de rabiscar listas de compras, listas de livros pra ler, livros lidos, rascunhos de posts e, sem dúvida, minhas confissões inconfessáveis. por isso, apesar de não ler o meu próprio blog se ele fosse de outra pessoa, faço aqui um apelo: por favor, não desista de mim.
addicted
ai que vontade de fumar. cigarro, maconha, crack. AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA! acho que vou comprar sapatos.
montinhos (vik muniz)
"o que curry em pó tem a ver com jujubas? o que espinhos de rosa têm a ver com fusíveis? o que bebês de plástico e besouros têm a ver com pelos de gato?
com quantas coisas incongruentes, na lógica comum, a vida faz seus montinhos do dia-a-dia? com quantas coisas aparentemente descombinadas se consegue chegar a uma obra de arte?"
com quantas coisas incongruentes, na lógica comum, a vida faz seus montinhos do dia-a-dia? com quantas coisas aparentemente descombinadas se consegue chegar a uma obra de arte?"
se eu fosse uma rádio eu estaria
menos jazz, mais música cubana.
menos jack johnson, mais ben harper.
menos lounge, mais hip hop.
entendeu?
menos jack johnson, mais ben harper.
menos lounge, mais hip hop.
entendeu?
marina
é surpreendente que depois de mais de 50 anos sendo castigado, vilipendiado pela estupidez humana, esse mar ainda tenha a generosidade de oferecer aos homens uma dádiva como essa:
o arpoador é o útero da minha mãe.
o paradoxo da diversidade na infância
durante o primário todas as crianças da minha escola tinham uma merendeira de plástico para levar o lanche, mas eu carregava uma bolsinha de couro com uma cara de garotinha pintada, possivelmente comprada em são lourenço. a maioria dos meus coleguinhas recebia o dinheiro da merenda e comprava um hambúrguer com coca-cola na hora do recreio, mas eu comia cenoura crua com suco de caju.
nas aulas de música aprendíamos a tocar flauta doce e cada um tinha seu próprio instrumento. a flauta padrão da turma era uma de plástico, vendida em cores diversas. a minha, claro, tinha que ser diferente. era uma flauta de madeira desenterrada de algum lugar da minha casa, o que fez meus pais aproveitarem a oportunidade para riscar mais um item da "lista de material". provavelmente a qualidade do som da minha flauta de madeira era muito melhor do que a das flautas de plástico dos outros alunos, mas o fato é que eu me sentia um e.t.
não culpo meus pais por isso. acho até que eles tiveram um alto grau de bom senso na minha educação em geral, me alimentando de forma saudável, destimulando um consumismo despropositado, reciclando... acho mesmo que faria (farei?) a mesma coisa com minha própria cria na condição de mãe. que legal incentivar a diversidade desde a infância. mas por que será que os pais não entendem que, nessa idade, tudo o que as crianças querem é serem iguais umas das outras?
[a propósito das aulas de música, me lembro de um dia em que uma americana - não sei por que motivo - foi visitar a escola. então me chamaram para fazer um "recital" e eu toquei "oh susana" na flauta pra ela. aparentemente era uma música que eu gostava/sabia tocar. ela gostou (ou fingiu gostar) e eu fiquei toda pimpona. pode ser que tenha sido fofo ou altamente constrangedor. isso eu nunca vou saber.]
[a propósito das aulas de música, me lembro de um dia em que uma americana - não sei por que motivo - foi visitar a escola. então me chamaram para fazer um "recital" e eu toquei "oh susana" na flauta pra ela. aparentemente era uma música que eu gostava/sabia tocar. ela gostou (ou fingiu gostar) e eu fiquei toda pimpona. pode ser que tenha sido fofo ou altamente constrangedor. isso eu nunca vou saber.]
o caju
o cemitério do caju será a estação final (ou, vai saber, estação de transferência para a linha 2) da minha vida e de toda a minha família. por isso é bom ir me acostumando com esse lugar tão peculiar. a localização já não é das melhores: no início da avenida brasil. a entrada, onde ficam as capelas em que os corpos são velados, também não é exatamente um cartão de boas vindas a altura do que se esperaria da nossa última parada. não tem nada de macabro o local, é apenas deprimente, com uma "recepção" que parece o arquétipo da repartição pública decadente, umas "capelas" azulejadas e feias, uma cantina horrenda e, como se não bastasse, vários cachorros que ficam dormindo pelos cantos. por incrível que pareça, o cemitério propriamente dito é mais agradável. tem longas ruas, umas poucas árvores, milhares de jazigos. é árido demais pro meu gosto, mas eu estarei embaixo da terra e não vou ver nada mesmo.
não tenho problemas com cemitérios. obviamente a experiência de ir a um não é nada agradável, mas simplesmente pelo motivo que me levou até lá, não tem a ver com o lugar em si. normalmente me distraio olhando as fotos, os nomes e as datas dos túmulos, mas ontem não tive tempo. cheguei atrasada e me perdi das pessoas. de repente, estava sozinha naquele deserto de concreto e lápides e bateu um desespero. então respirei fundo e pensei: "calma, não tem ninguém aqui. se tiver que ter medo de alguém, que seja dos vivos." e tratei logo de achar quem eu procurava.
não tenho problemas com cemitérios. obviamente a experiência de ir a um não é nada agradável, mas simplesmente pelo motivo que me levou até lá, não tem a ver com o lugar em si. normalmente me distraio olhando as fotos, os nomes e as datas dos túmulos, mas ontem não tive tempo. cheguei atrasada e me perdi das pessoas. de repente, estava sozinha naquele deserto de concreto e lápides e bateu um desespero. então respirei fundo e pensei: "calma, não tem ninguém aqui. se tiver que ter medo de alguém, que seja dos vivos." e tratei logo de achar quem eu procurava.
um cemitério é apenas um cemitério. não é sinistro, não é místico, é só um lugar onde os vivos enterram seus mortos. e, exceto talvez pelo crematório, até hoje não inventaram uma solução melhor pra essa função ingrata.
tia vera
hoje me despedi da tia vera, uma tia muito querida da minha família por parte de pai. foi triste, como sempre é triste, mas por outro lado eu só me lembrava do nosso último encontro, numa noite tão agradável de verão.
deve fazer umas três semanas, quase na véspera da sua operação. era o aniversário de uma outra tia, irmã do meu pai, comemorado em um restaurante na tijuca. acho que era terça-feira. os irmãos estavam reunidos, mais minha prima, meu primo e os respectivos. eu compareci com a minha mãe e o cônjuge. tia vera disse que eu estava bonita e, como sempre fazia, falou que meu rosto lembrava o da minha prima, sua filha, "só que mais moreninha". ela também estava bonita, elegante com um vestidinho alegre e colorido que eu elogiei. ela contou orgulhosa que tinha sido presente do filho mais velho, que ganhava muitos presentes dos filhos, "é roupa, é sapato!...". vaidosa e jovial, tia vera. generosa e atenciosa, levou presentes pra todas as mulheres da mesa. me deu um par de argolas, que desde então quase não saíram mais da minha orelha. depois do jantar, ela pediu banana com açúcar e canela. não sei se meu tio ensaiou alguma reação, porque costumava regular o que ela comia, em prol da silhueta enxuta da mulher (e provavelmente da sua saúde também). mas ela não se negou esse prazer, e se deliciou com a sobremesa.
saí daquele prosaico encontro familiar toda feliz por ter participado. sabia que em outra fase da minha vida talvez tivesse ficado trabalhando até mais tarde ou teria alguma desculpa pra não aparecer. mas naquela noite dei graças a deus por ter entendido o valor desses pequenos encontros e por ter feito questão de ir. é que hoje em dia, dentro do possível, tenho feito de tudo pra não deixar a vida cotidiana atropelar a vida real, ou seja aquela que não existe apenas pra ser vivida, mas convivida. porque só quando a gente compartilha as alegrias é que consegue suportar melhor quando chega a hora da tristeza. foi a última vez que vi tia vera. ainda bem que ela comeu a sobremesa.
deve fazer umas três semanas, quase na véspera da sua operação. era o aniversário de uma outra tia, irmã do meu pai, comemorado em um restaurante na tijuca. acho que era terça-feira. os irmãos estavam reunidos, mais minha prima, meu primo e os respectivos. eu compareci com a minha mãe e o cônjuge. tia vera disse que eu estava bonita e, como sempre fazia, falou que meu rosto lembrava o da minha prima, sua filha, "só que mais moreninha". ela também estava bonita, elegante com um vestidinho alegre e colorido que eu elogiei. ela contou orgulhosa que tinha sido presente do filho mais velho, que ganhava muitos presentes dos filhos, "é roupa, é sapato!...". vaidosa e jovial, tia vera. generosa e atenciosa, levou presentes pra todas as mulheres da mesa. me deu um par de argolas, que desde então quase não saíram mais da minha orelha. depois do jantar, ela pediu banana com açúcar e canela. não sei se meu tio ensaiou alguma reação, porque costumava regular o que ela comia, em prol da silhueta enxuta da mulher (e provavelmente da sua saúde também). mas ela não se negou esse prazer, e se deliciou com a sobremesa.
saí daquele prosaico encontro familiar toda feliz por ter participado. sabia que em outra fase da minha vida talvez tivesse ficado trabalhando até mais tarde ou teria alguma desculpa pra não aparecer. mas naquela noite dei graças a deus por ter entendido o valor desses pequenos encontros e por ter feito questão de ir. é que hoje em dia, dentro do possível, tenho feito de tudo pra não deixar a vida cotidiana atropelar a vida real, ou seja aquela que não existe apenas pra ser vivida, mas convivida. porque só quando a gente compartilha as alegrias é que consegue suportar melhor quando chega a hora da tristeza. foi a última vez que vi tia vera. ainda bem que ela comeu a sobremesa.
e termina mais um carnaval no reino encantado de são sebastião
e como o mundo dá voltas, não? pra quem disse no início do ano que não iria passar o carnaval aqui nem por decreto, até que a emenda dessa vez saiu melhor que o soneto. acontece que por uma questão de economia doméstica decidimos de última hora ficar no rio e com isso tive pouco tempo pra fazer a programação dos blocos e elaborar as fantasias. mas como carnaval é coisa muito séria, corri contra o relógio, botei a criatividade pra funcionar, fiz uma escavação arqueológica no baú da mamãe, e finalmente consegui agitar tudo a tempo.
na sexta-feira de tarde o barracão lá da firma estava frenético, com meus companheiros ajudando a montar o elemento-chave do meu traje de gala do domingo de carnaval. o resultado ficou tão bom que batemos palmas de excitação. por mim eu dormia naquela hora e só acordava no domingo, tamanha era a ansiedade. mas carnaval tá aí, então vamos aproveitar. parti pra o primeiro bloco com minha fiel companheira de carnaval, bela, e sua fiel companheira, lili. destino: brejeiro, no flamengo. fantasia: cheech & chong (eu era um mix dos dois). coloquei um bigode postiço gigante, o que me obrigou a tomar cerveja de canudo, e eu adorei. apesar do baseado fake muito bem produzido por bela, poucas pessoas entenderam a fantasia, mas tudo bem porque cheech & chong não é lá muito conhecido mesmo. o bloquinho estava ótimo, bem social, e tranquilinho. foi o presságio de um bom carnaval.
no sábado o cônjuge teve a "brilhante" idéia de levar sua mãe ao bola preta, e eu a idéia ainda mais "brilhante" de descer na cinelândia. resultado, quase morremos esmagados e não vimos bloco nenhum. andamos até a carioca, pela rua méxico, onde estava mais tranquilo. não estava a fim de ir pro céu na terra, pra onde o mundo inteiro vai, mas o bola também não é uma boa opção pro sábado de carnaval. achei caótico e descaracterizado. à tarde fomos tentar melhor sorte no empolga às 9, pra ver bela tocar. o começo do bloco é sempre mais divertido, quando ainda está relativamente vazio. encontramos, desencontramos e reencontramos muitos amigos. a fantasia do sábado foi de m. clouseau e a pantera cor-de-rosa.
domingo, dia de boitatá, foi a ocasião escolhida para eu usar minha fantasia de gala. o despertador tocou 7hs, mas acho que eu já tinha acordado antes de ansiedade. depois de arrumar o cabelo, fazer uma maquiagem renascentista e colocar como um esplendor a obra de arte feita pelos meus companheiros, eis que me transformo na monalisa, o quadro mais famoso do mundo! aí foi só sucesso. o cônjuge ficou andando comigo fantasiada de monalisa pra cima e pra baixo no bloco, fazendo exposição da figura. cada passo era um flash. encontramos milhares de amigos, mas eu passei a maior parte do tempo sem falar, fazendo apenas o famoso sorriso enigmático de gioconda, que eu vinha treinando há dias. mesmo de boca fechada, me diverti demais. o momento de glória foi quando eu fui pro meu posto avançado no "palquinho" da assembléia pra ver o boi tolo passar e o povo na escadaria começou a gritar: "é mo-na-li-sa! é mo-na-li-sa!" emocionada e morrendo de vontade de rir, eu só dava um sorrisinho e acenava feito miss pra multidão.
de lá partimos para o banga, no horto, onde nossos amigos queridos estavam tocando. confesso que fiquei apreensiva porque o banga fica bem mais tumultuado e a gente chegou com o bloco já começado e cheio. bem ou mal eu tinha um trambolho preso as minhas costas e não queria atrapalhar a visão de ninguém. mas toda monalisa tem o leonardo que merece e o meu foi abrindo caminho até a primeira fila do bloco, onde fiquei paradinha na frente de um isopor. ali eu relaxei, sorri, dancei e cantei. o fim da noite foi lindo, com muitos abraços, fotos e farta mesa pra repor as energias no arab da lagoa.
na segunda de manhã cedo eu estava saindo pra comprar pão quando recebi o primeiro sms: "manhê, tô no globo!" e pensei: não é possível! passei na banca, comprei o jornal e lá estava a minha foto de monalisa com o cônjuge estampada em colorido no caderno de carnaval. aí foi uma curtição com todo mundo ligando e a gente brincando com nossos 15 minutos de fama.
à tarde fomos ao exalta rei, mas chegamos um bocadinho depois de o rei roberto ter aparecido na sua sacada, o que foi um pouco frustrante. de qualquer jeito o bloco estava incrível, com jesus cristo, nossa senhora, negro gato e outras referências ao repertório do rei, sem contar com o cenário deslumbrante da urca. o bloco foi parar lá na uni-rio e depois ainda teve um chorinho na praia vermelha.
o meu bloquinho preferido,o zoobloco, saiu da praça XV na terça de manhã. as fantasias esse ano se superaram: tinha bicheiro, coelhinho da duracel, são francisco de assis, família mu, raposão, abelhinhas e abelha-rainha, centopéia... eu fui de lobo-mau-que-comeu-a-vovozinha e lá pelas tantas virei pra uma chapeuzinho vermelho que tava por lá e disse com ar solene: "eu comi a sua avó!". pra não perder o costume, ficamos na corda do bloco até a dispersão, que aconteceu no paço. foi lindo e a idéia de sair de manhã não podia ter sido melhor - pros adultos e pras crianças.
minha travessura de carnaval aconteceu quando eu cheguei um pouco bêbada na casa da sogra e achei por bem dar uma valorizada no meu cabelo de vovozinha. pedi pra sogra um pouco de talco, me tranquei no banheiro e literalmente tomei um banho de talco. claro que caiu talco no meu olho e eu mal conseguia sair do banheiro de tão cega que estava. passei o almoço de família inteiro chorando sem conseguir ver a comida no meu prato. pra ajudar, o cônjuge resolveu passar um pouco mais de água no meu olho. a água do copo tinha um resto de limão e o olho começou a arder mais ainda. foi bem tragicômico.
depois do almoço passamos no mam pra ver o início da orquestra imperial e de lá fomos andando pela rio branco, pra ver o outro lado do carnaval com concursos de clóvis e bate-bolas.
fim de carnaval, missão cumprida. se ano que vem tem mais? melhor não planejar.
na sexta-feira de tarde o barracão lá da firma estava frenético, com meus companheiros ajudando a montar o elemento-chave do meu traje de gala do domingo de carnaval. o resultado ficou tão bom que batemos palmas de excitação. por mim eu dormia naquela hora e só acordava no domingo, tamanha era a ansiedade. mas carnaval tá aí, então vamos aproveitar. parti pra o primeiro bloco com minha fiel companheira de carnaval, bela, e sua fiel companheira, lili. destino: brejeiro, no flamengo. fantasia: cheech & chong (eu era um mix dos dois). coloquei um bigode postiço gigante, o que me obrigou a tomar cerveja de canudo, e eu adorei. apesar do baseado fake muito bem produzido por bela, poucas pessoas entenderam a fantasia, mas tudo bem porque cheech & chong não é lá muito conhecido mesmo. o bloquinho estava ótimo, bem social, e tranquilinho. foi o presságio de um bom carnaval.
no sábado o cônjuge teve a "brilhante" idéia de levar sua mãe ao bola preta, e eu a idéia ainda mais "brilhante" de descer na cinelândia. resultado, quase morremos esmagados e não vimos bloco nenhum. andamos até a carioca, pela rua méxico, onde estava mais tranquilo. não estava a fim de ir pro céu na terra, pra onde o mundo inteiro vai, mas o bola também não é uma boa opção pro sábado de carnaval. achei caótico e descaracterizado. à tarde fomos tentar melhor sorte no empolga às 9, pra ver bela tocar. o começo do bloco é sempre mais divertido, quando ainda está relativamente vazio. encontramos, desencontramos e reencontramos muitos amigos. a fantasia do sábado foi de m. clouseau e a pantera cor-de-rosa.
domingo, dia de boitatá, foi a ocasião escolhida para eu usar minha fantasia de gala. o despertador tocou 7hs, mas acho que eu já tinha acordado antes de ansiedade. depois de arrumar o cabelo, fazer uma maquiagem renascentista e colocar como um esplendor a obra de arte feita pelos meus companheiros, eis que me transformo na monalisa, o quadro mais famoso do mundo! aí foi só sucesso. o cônjuge ficou andando comigo fantasiada de monalisa pra cima e pra baixo no bloco, fazendo exposição da figura. cada passo era um flash. encontramos milhares de amigos, mas eu passei a maior parte do tempo sem falar, fazendo apenas o famoso sorriso enigmático de gioconda, que eu vinha treinando há dias. mesmo de boca fechada, me diverti demais. o momento de glória foi quando eu fui pro meu posto avançado no "palquinho" da assembléia pra ver o boi tolo passar e o povo na escadaria começou a gritar: "é mo-na-li-sa! é mo-na-li-sa!" emocionada e morrendo de vontade de rir, eu só dava um sorrisinho e acenava feito miss pra multidão.
de lá partimos para o banga, no horto, onde nossos amigos queridos estavam tocando. confesso que fiquei apreensiva porque o banga fica bem mais tumultuado e a gente chegou com o bloco já começado e cheio. bem ou mal eu tinha um trambolho preso as minhas costas e não queria atrapalhar a visão de ninguém. mas toda monalisa tem o leonardo que merece e o meu foi abrindo caminho até a primeira fila do bloco, onde fiquei paradinha na frente de um isopor. ali eu relaxei, sorri, dancei e cantei. o fim da noite foi lindo, com muitos abraços, fotos e farta mesa pra repor as energias no arab da lagoa.
na segunda de manhã cedo eu estava saindo pra comprar pão quando recebi o primeiro sms: "manhê, tô no globo!" e pensei: não é possível! passei na banca, comprei o jornal e lá estava a minha foto de monalisa com o cônjuge estampada em colorido no caderno de carnaval. aí foi uma curtição com todo mundo ligando e a gente brincando com nossos 15 minutos de fama.
à tarde fomos ao exalta rei, mas chegamos um bocadinho depois de o rei roberto ter aparecido na sua sacada, o que foi um pouco frustrante. de qualquer jeito o bloco estava incrível, com jesus cristo, nossa senhora, negro gato e outras referências ao repertório do rei, sem contar com o cenário deslumbrante da urca. o bloco foi parar lá na uni-rio e depois ainda teve um chorinho na praia vermelha.
o meu bloquinho preferido,o zoobloco, saiu da praça XV na terça de manhã. as fantasias esse ano se superaram: tinha bicheiro, coelhinho da duracel, são francisco de assis, família mu, raposão, abelhinhas e abelha-rainha, centopéia... eu fui de lobo-mau-que-comeu-a-vovozinha e lá pelas tantas virei pra uma chapeuzinho vermelho que tava por lá e disse com ar solene: "eu comi a sua avó!". pra não perder o costume, ficamos na corda do bloco até a dispersão, que aconteceu no paço. foi lindo e a idéia de sair de manhã não podia ter sido melhor - pros adultos e pras crianças.
minha travessura de carnaval aconteceu quando eu cheguei um pouco bêbada na casa da sogra e achei por bem dar uma valorizada no meu cabelo de vovozinha. pedi pra sogra um pouco de talco, me tranquei no banheiro e literalmente tomei um banho de talco. claro que caiu talco no meu olho e eu mal conseguia sair do banheiro de tão cega que estava. passei o almoço de família inteiro chorando sem conseguir ver a comida no meu prato. pra ajudar, o cônjuge resolveu passar um pouco mais de água no meu olho. a água do copo tinha um resto de limão e o olho começou a arder mais ainda. foi bem tragicômico.
depois do almoço passamos no mam pra ver o início da orquestra imperial e de lá fomos andando pela rio branco, pra ver o outro lado do carnaval com concursos de clóvis e bate-bolas.
fim de carnaval, missão cumprida. se ano que vem tem mais? melhor não planejar.
abre aspas
"(...) desembarcara num país impossível, fora de todas as classificações e experiências, onde descobrira, com uma lucidez quase cruel, que a fronteira entre o juízo e a perdição é uma linha demasiado ténue - o último raio de sol na praia de ipanema, o último raio de luz no olhar de uma mulata chamada benedita, antes que a luz crua da manhã a revelasse a seus olhos, antes mesmo que qualquer outro pensamento, como um corpo exuberante e escuro exposto na brancura dos lençóis de um hotel de luxo, onde morriam, todas as manhãs, as suas ilusões de sobreviver incólume às tentações do mundo."
[miguel sousa tavares em rio das flores, um livro que dói de tão bem escrito que é.]
[miguel sousa tavares em rio das flores, um livro que dói de tão bem escrito que é.]
você sabia? [curiosidades] :: o triste fim de napoleão bonaparte
quem visita o sarcófago de napoleão no hôtel des invalides em paris se impresiona com a opulência de um lugar destinado a homenagear tão glorioso defunto. só não imagina que, sob tanta pompa e circunstância, entre os restos mortais do imperador não repousa o seu inquieto (dizem) bilau. sim, é verdade, napoleão foi capado logo depois da sua morte. não se sabe ao certo o motivo, pode ter sido vingança do médico, já que o poderoso baixinho era um paciente irascível, mas ninguém pode provar. depois de surrupiado, o ilustre membro de napoleão ficou perdido por muitos anos, até reaparecer no departamento de urologia de uma universidade americana.
agora veja como o destino pode ser irônico: napoleão fez história conquistando tantos países mas acabou, quem diria, sem o peru!...
assaltaram a gramática
ainda não me aprofundei muito sobre as reais mudanças que a reforma ortográfica vai trazer, mas ao contrário da autora dessa crônica aqui, já formei várias opiniões a respeito, todas elas sem o menor fundamento, claro.
em primeiro lugar, fiquei um pouco confusa sobre os hífens e os acentos que caíram, sempre usei acentos por instinto, nunca fui capaz de decorar uma regra. já o trema, confesso, não me fará nenhuma falta.
acho que quanto mais velho a gente fica, mais resistente a mudanças se torna também. minha mãe, por exemplo, ainda escreve coisas com uns acentos que caíram na reforma anterior a essa e nem se dá conta. minha tia já avisou: vou continuar fazendo tudo igual.
talvez o que mais tenha me abalado foi a unificação dos portugueses mundo afora. lá em portugal está um furdúncio, praticamente uma revolta popular, com a qual sou solidária. e não é porque eles são os "pais" da língua, assim fosse estaríamos falando latim até hoje. ou grego. ou uga-buga. o que eu considerei um grande sacrilégio foi terem abolido do português de portugal, que agora é um portugês só, os p's e os c's nas palavras como baptismo e actriz e ainda outros charminhos d'além mar. agora pense só que coisa sem graça pegar um livro do saramago e não ler mais "por desejo do autor, foi mantida a ortografia vigente em portugal". livros de autores portugueses têm que ter sotaque luso. pois!
no outro dia bela corrigiu aqui uma pera que eu tinha escrito sem acento. eu fui lá, coloquei o chapéu na pêra e editei o post. agora o acento de pera caiu e o blog ficou errado. e por falar nela, sua família tem uma história engraçada sobre o assunto:em primeiro lugar, fiquei um pouco confusa sobre os hífens e os acentos que caíram, sempre usei acentos por instinto, nunca fui capaz de decorar uma regra. já o trema, confesso, não me fará nenhuma falta.
acho que quanto mais velho a gente fica, mais resistente a mudanças se torna também. minha mãe, por exemplo, ainda escreve coisas com uns acentos que caíram na reforma anterior a essa e nem se dá conta. minha tia já avisou: vou continuar fazendo tudo igual.
talvez o que mais tenha me abalado foi a unificação dos portugueses mundo afora. lá em portugal está um furdúncio, praticamente uma revolta popular, com a qual sou solidária. e não é porque eles são os "pais" da língua, assim fosse estaríamos falando latim até hoje. ou grego. ou uga-buga. o que eu considerei um grande sacrilégio foi terem abolido do português de portugal, que agora é um portugês só, os p's e os c's nas palavras como baptismo e actriz e ainda outros charminhos d'além mar. agora pense só que coisa sem graça pegar um livro do saramago e não ler mais "por desejo do autor, foi mantida a ortografia vigente em portugal". livros de autores portugueses têm que ter sotaque luso. pois!
o nome original da dinastia é saboya, como o bisavô e o tio-avô mais velho. reza a lenda que entre um filho (o tio-avô) e outro (o avô) aconteceu a reforma ortográfica que baniu o y da língua portuguesa. o bisavô então resolveu batizar o filho mais novo usando a grafia correta, ou seja, saboia. dessa forma, ficaram os dois irmãos com o sobrenome diferente, um saboya com y e outro saboia com i. a bem da verdade se o bisavô quisesse ser preciosista ao extremo, deveria ter chamado o filho de sabóia, com acento. ainda bem que não fez essa bobagem porque, além de o y ter voltado, o acento do saboia teria caído com a nova reforma - pra ver como a língua dá voltas!
mas com essa anistia das letras exiladas do alfabeto, de quem eu mais me lembrei mesmo foi do pai da juca: ex-professor de português, admirável e dileto guardião da nossa língua. caxias como ele só, não aceitava dos alunos nenhum tipo de profanação à gramática, e nem os nomes próprios escapavam, como não escaparam os sabo(y)ias. assim, se por ventura um aluno se chamasse wesley, ou uma aluna se chamasse katia, ele ia lá na prova ou na chamada, riscava e escrevia uéslei ou cátia. ao que os alunos protestavam: mas professor, o meu nome é com k, y, w! e ele placidamente respondia que aquelas letras não existiam na língua portuguesa. fico me perguntando se com a nova reforma seus ex-alunos lembraram do professor caxias e se pensaram com um misto de orgulho e desforra: agora meu nome pode ser oficialmente reconhecido pelos estatutos da língua portuguesa.
é sempre tempo de fazer alguma coisa inédita na vida
hoje, aos 31 e pela primeira vez, eu fiz uma apresentação usando o microfone. e nem doeu.
posto 7
na terra do sol deus e o diabo estão muito mais próximos do que se possa imaginar.
e o diabo não é assim tão feio quanto pintam.
e o diabo não é assim tão feio quanto pintam.
a defesa de uma árvore
já estamos em janeiro e provavelmente muita gente - notadamente os moradores da zonal sul "nobre"- respirou aliviada, afinal de contas a árvore da lagoa será desmontada. mas preciso confessar: eu sou a favor da árvore. não é que goste dela propriamente dita, pessoalmente a árvore me é indiferente. apenas acho cafona falar mal.
sim, o trânsito piora e o fluxo vindo da zona norte aumenta. e daí? qual é o problema em as pessoas buscarem uma diversão diferente, inofensiva e gratuita? o carioca adora tirar essa onda de povo democrático, que vive em um lugar onde os ricos e pobres se misturam, mas só quando convém. quando convém, o povo da zona sul atravessa o túnel e vai democratizar em alguma quadra de escola de samba na zona norte. agora ai de quem inventar de fazer o percurso inverso! sai pra lá, suburbano, cada um no seu quadrado! me cheira um pouco a nazismo, sabe? a "zona pura".
hão de dizer: imagina, o problema é o engarrafamento causado pela árvore! o engarrafamento dura dois meses. como se o rio não fosse suficientemente engarrafado em qualquer época do ano, como se a maior concentração de carros per capita não estivesse justamente na zona sul (talvez barra). imagine se os moradores da tijuca e vila isabel fizessem um abaixo-assinado (abaixoassinado?) para implodir o maracanã porque o trânsito fica impraticável todos os domingos e quartas do ano? não me parece razoável...
não sou hipócrita. é claro que eu acharia o mundo um lugar melhor se todos fossem bonitos, cheirosos e usassem roupas da osklen. mas seria um lugar melhor ainda se as pessoas fossem mais gentis, educadas, bem humoradas e sobretudo tolerantes.
sim, o trânsito piora e o fluxo vindo da zona norte aumenta. e daí? qual é o problema em as pessoas buscarem uma diversão diferente, inofensiva e gratuita? o carioca adora tirar essa onda de povo democrático, que vive em um lugar onde os ricos e pobres se misturam, mas só quando convém. quando convém, o povo da zona sul atravessa o túnel e vai democratizar em alguma quadra de escola de samba na zona norte. agora ai de quem inventar de fazer o percurso inverso! sai pra lá, suburbano, cada um no seu quadrado! me cheira um pouco a nazismo, sabe? a "zona pura".
hão de dizer: imagina, o problema é o engarrafamento causado pela árvore! o engarrafamento dura dois meses. como se o rio não fosse suficientemente engarrafado em qualquer época do ano, como se a maior concentração de carros per capita não estivesse justamente na zona sul (talvez barra). imagine se os moradores da tijuca e vila isabel fizessem um abaixo-assinado (abaixoassinado?) para implodir o maracanã porque o trânsito fica impraticável todos os domingos e quartas do ano? não me parece razoável...
não sou hipócrita. é claro que eu acharia o mundo um lugar melhor se todos fossem bonitos, cheirosos e usassem roupas da osklen. mas seria um lugar melhor ainda se as pessoas fossem mais gentis, educadas, bem humoradas e sobretudo tolerantes.
retrospectiva 2008
mais um ano e uma retrospectiva um pouco atrasada, já que 2009 chegou com tudo. 2008 não foi um ano incrível, mas foi um ano positivo, com a balança pesando para o lado bom, como deve ser.
achei o fim de ano bem esquisito, choveu muito, eu estava estranha. uns dias em casa não contribuíram em nada para aquela faxina real e mental que normalmente se faz nesse época, nem para botar os pensamentos em ordem, nem para resolver pendências. mas serviram para relaxar e fazer nada, o que já está de bom tamanho. claro que a culpa de não ter dado cabo de itens importantes do meu "to do list" fica martelando insistentemente em algum canto da minha cabeça, mas isso é assunto para outro capítulo.
duro também foi ter que passar um ano com 01 e 02 morando a kilometros (agora já posso escrever com k!) de distância, e tendo que me contentar com visitas esporádicas, mas... c'est la vie. pelo menos quando a gente se encontra é como se os tais kilometros nunca tivessem existido.
o ano começou com um carnaval genial, despedida temporária do carnaval do rio, já que em 2009, para o bem conjugal, devemos ficar longe da cidade.
depois foram viagens uma atrás da outra, são paulo, são luís, recife, são paulo de novo, e a gloriosa viagem ao velho mundo, quando a grécia entrou pro nosso coração pra sempre. no segundo semestre, já devidamente falidos, viajamos bem menos. foi só uma ida rápida a são paulo e um feriadinho em búzios. as viagens protocalares não contam.
li bastante, mas escrevi pouco.
descobri um bom cabelereiro. costumo me decepcionar com cabelereiros na terceira ida, mas esse passou na prova.
fiz cursos interessantes e resolvi me dedicar aos cursos de cultura geral daqui pra frente.
em pouco mais de um ano morando aqui, resolvi reformar o apartamento. agora sim ficou com a minha cara (sim, é preciso admitir, ficou mais a minha cara). pra comemorar, promovemos uns almoços e festinhas memoráveis. o menu, que em 2007 era basicamente bruscheta, evoluiu tremendamente em um ano.
fui menos à praia, trabalhei alguns fins de semana, talvez um pouco mais do que pretendia quando determinei que 2008 seria um "ano de cigarra". mas não reclamo, cantei quando tinha que cantar, formiguei quando tinha que formigar. sem dramas.
em compensação, nos últimos tempos adquiri o vício tardio do videogame. como todo vício, é delicioso, mas toma mais tempo e energia do que eu gostaria. às vezes acho que eu estou virando uma nerd louca.
na ciranda da vida, fui a cinco casamentos, dois funerais e um batizado.
e 2008 terminou, em casa, junto de gente querida. e 2009 começou, no melhor lugar do mundo.

mais uma vez, os planos pra esse ano que começa são modestos. preciso entregar uma monografia encruada, até o final do mês. se conseguir, já vai ser um risquinho na minha "to do list". vou comemorar o nascimento de alguns bebês. tenho umas viagens em mente, espero poder realizá-las. quero continuar recebendo amigos. pretendo estar com a família, ser mais presente. o resto vem, ou eu vou atrás.
por isso, desejo, acima de tudo, disposição pra continuar o caminho, porque acredito que ele estará cheio de (boas) surpresas.

achei o fim de ano bem esquisito, choveu muito, eu estava estranha. uns dias em casa não contribuíram em nada para aquela faxina real e mental que normalmente se faz nesse época, nem para botar os pensamentos em ordem, nem para resolver pendências. mas serviram para relaxar e fazer nada, o que já está de bom tamanho. claro que a culpa de não ter dado cabo de itens importantes do meu "to do list" fica martelando insistentemente em algum canto da minha cabeça, mas isso é assunto para outro capítulo.
duro também foi ter que passar um ano com 01 e 02 morando a kilometros (agora já posso escrever com k!) de distância, e tendo que me contentar com visitas esporádicas, mas... c'est la vie. pelo menos quando a gente se encontra é como se os tais kilometros nunca tivessem existido.
o ano começou com um carnaval genial, despedida temporária do carnaval do rio, já que em 2009, para o bem conjugal, devemos ficar longe da cidade.
depois foram viagens uma atrás da outra, são paulo, são luís, recife, são paulo de novo, e a gloriosa viagem ao velho mundo, quando a grécia entrou pro nosso coração pra sempre. no segundo semestre, já devidamente falidos, viajamos bem menos. foi só uma ida rápida a são paulo e um feriadinho em búzios. as viagens protocalares não contam.
li bastante, mas escrevi pouco.
descobri um bom cabelereiro. costumo me decepcionar com cabelereiros na terceira ida, mas esse passou na prova.
fiz cursos interessantes e resolvi me dedicar aos cursos de cultura geral daqui pra frente.
em pouco mais de um ano morando aqui, resolvi reformar o apartamento. agora sim ficou com a minha cara (sim, é preciso admitir, ficou mais a minha cara). pra comemorar, promovemos uns almoços e festinhas memoráveis. o menu, que em 2007 era basicamente bruscheta, evoluiu tremendamente em um ano.
fui menos à praia, trabalhei alguns fins de semana, talvez um pouco mais do que pretendia quando determinei que 2008 seria um "ano de cigarra". mas não reclamo, cantei quando tinha que cantar, formiguei quando tinha que formigar. sem dramas.
em compensação, nos últimos tempos adquiri o vício tardio do videogame. como todo vício, é delicioso, mas toma mais tempo e energia do que eu gostaria. às vezes acho que eu estou virando uma nerd louca.
na ciranda da vida, fui a cinco casamentos, dois funerais e um batizado.
e 2008 terminou, em casa, junto de gente querida. e 2009 começou, no melhor lugar do mundo.
mais uma vez, os planos pra esse ano que começa são modestos. preciso entregar uma monografia encruada, até o final do mês. se conseguir, já vai ser um risquinho na minha "to do list". vou comemorar o nascimento de alguns bebês. tenho umas viagens em mente, espero poder realizá-las. quero continuar recebendo amigos. pretendo estar com a família, ser mais presente. o resto vem, ou eu vou atrás.
por isso, desejo, acima de tudo, disposição pra continuar o caminho, porque acredito que ele estará cheio de (boas) surpresas.

adios 2008...
passei rapidinho pra dar feliz ano novo pra mim mesma e pros poucos que passam aqui. vamos celebrar o ano novo e também o que passou.
que 2009 seja mais leve, em todos os sentidos. e que chova menos também.
amém, oxalá.
que 2009 seja mais leve, em todos os sentidos. e que chova menos também.
amém, oxalá.
wii update 2
a louca chega de viagem. não tem ninguém em casa, ela vai dormir sozinha hoje. a louca põe o mario kart no wii e fica jogando até uma da manhã com os amigos mario, luigi, wario, peach, toad e donkey kong. depois vai dormir meio tonta, com a sensação que sua cama é uma pista de corrida.
pelo menos ela conseguiu chegar em 4o.
pelo menos ela conseguiu chegar em 4o.
wii update
como adepta fervorosa do sedentarismo, é claro que o surto movimente-seu-corpo-com-nintendo-wii não ia durar muito. mas agora, quem diria, minha nova mania é mario kart [para os não-iniciados, trata-se de um joguinho besta de corrida estrelado pelos irmãos mario & luigi]. o problema é que eu sou vítima de uma lacuna de quem viveu a infância inteira sem o mínimo contato com o mundo dos videogames. sendo assim, chego invariavelmente em último em todas as corridas, não importa o circuito. é um pouco humilhante.
dando o braço a torcer
sempre fui avessa a videogames em geral, mesmo durante a infância. nunca tive paciência pra jogar no computador o jogo de mesmo nome, e só tive uma fase vagamente viciada naquele jogo de cobrinha do celular, em um tempo que andava muito de metrô. por isso, quando o cônjuge veio com uma história de que ia comprar um videogame pra casa eu torci o nariz. a desculpa era que 01 e 02 vêm passar as férias no rio, e assim teriam uma distração a mais, mas é claro que quem queria mais o videogame era ele mesmo.
nos primeiros dias deixei ele se distraindo com o brinquedo novo enquanto eu lia indiferente no quarto. até que ontem convidamos amigos para uma sessão e é preciso dar o braço a torcer: o wii é muito divertido! não é à toa que ele fez tanto sucesso entre pessoas que habitualmente não jogavam, porque a sacada do controle "freehand" é genial. depois de jogar boliche, tênis, e golfe, acabamos todos esgotados com duas partidas de boxe cada. aliás, já que eu não consigo mesmo fazer nenhuma atividade física, adotei um treino virtual diário de boxe como minha mais nova medida contra o sedentarismo.
nos primeiros dias deixei ele se distraindo com o brinquedo novo enquanto eu lia indiferente no quarto. até que ontem convidamos amigos para uma sessão e é preciso dar o braço a torcer: o wii é muito divertido! não é à toa que ele fez tanto sucesso entre pessoas que habitualmente não jogavam, porque a sacada do controle "freehand" é genial. depois de jogar boliche, tênis, e golfe, acabamos todos esgotados com duas partidas de boxe cada. aliás, já que eu não consigo mesmo fazer nenhuma atividade física, adotei um treino virtual diário de boxe como minha mais nova medida contra o sedentarismo.
curiosidades: o inferno são os outros
muita gente sabe que o autor dessa expressão famosa, "o inferno são os outros" foi jean-paul sartre. o que me surpreendeu é que essa frase não foi dita em nenhum livro seu, mas em uma peça escrita por ele durante a segunda guerra, chamada "entre quatro paredes". nela, três pessoas vão parar no inferno:
"eles chegam um após o outro e se vêem trancados num quarto mobiliado com antiguidades feias. a princípio ficam aliviados. esperavam instrumentos de tortura e carvões em brasa. depois, compreendem. não há espelhos, livros, escovas de dentes, distrações. tudo o que têm - pelo resto da eternidade - é uns aos outros."
fonte: hazel rowley em "tête-à-tête"
"eles chegam um após o outro e se vêem trancados num quarto mobiliado com antiguidades feias. a princípio ficam aliviados. esperavam instrumentos de tortura e carvões em brasa. depois, compreendem. não há espelhos, livros, escovas de dentes, distrações. tudo o que têm - pelo resto da eternidade - é uns aos outros."
fonte: hazel rowley em "tête-à-tête"
uma manhã feliz
sábado foi dia de ir ao saara. pra mim o segundo melhor lugar do mundo, depois do arpoador, é o saara. meu coração bate mais forte quando eu piso naquelas ruas. é o sangue libanês correndo nas veias.
[parêntesis para contar o laço afetivo com o saara: meu avô chegou no brasil ainda jovenzito, vindo do líbano com seu irmão. não falava nada de português, mas aprendeu na cara e na coragem, vendendo bugigangas como mascate. muito tempo depois ele conseguiu prosperar e finalmente abriu seu "lojinha" de artigos para enxoval, em plena senhor dos passos, de onde só saiu no dia em que morreu. hoje fico um pouco triste de ver o saara dominado pelos chineses e afins, mas ainda bem que restam uns poucos resistentes de descendência árabe.]
demos um longo passeio pelas ruas principais e transversais, de onde saímos com:
- guloseimas variadas da casa pedro, pagas com ticket-refeição;
- 2 panos de chão;
- 1 papai noel que sobe uma escada cantando uma música insuportável (era presente);
- 2 pacotes com pregadores em forma de bichinhos;
- 2 panos de chão;
- 1 pisca-pisca de laranjinhas (que se tornou minha maior obsessão da manhã, a ponto de eu não conseguir imaginar mais a vida sem um daqueles, que por sinal parou de funcionar no minuto seguinte que colocamos na tomada de casa);
- 1 espelho redondo, para um experimento decorativo;
- 1 ramalhete de flores artificiais para compor minha fantasia de vanessa da mata, na festa que aconteceria à noite; e
- 3 pacotes de gel de bolinhas, que parece ter se tornado a nova mania do saara, porque em cada esquina há um camelô vendendo isso. tratam-se de umas bolinhas que depois de um tempo de molho na água incham, e ficam parecidas com bolas de gude coloridas. pra que serve a gente não entendeu bem, mas achamos bonito e compramos 3 pacotes por 5 reaL.
pra completar, nos regalamos com duas esfirras, uma aberta e uma fechada, um churrasquinho de kafta, servido no meio da rua e uma laranjada no point mais tradicional da região: a pastelaria com azulejos de laranjinhas.
é ou não é a maior diversão?
[parêntesis para contar o laço afetivo com o saara: meu avô chegou no brasil ainda jovenzito, vindo do líbano com seu irmão. não falava nada de português, mas aprendeu na cara e na coragem, vendendo bugigangas como mascate. muito tempo depois ele conseguiu prosperar e finalmente abriu seu "lojinha" de artigos para enxoval, em plena senhor dos passos, de onde só saiu no dia em que morreu. hoje fico um pouco triste de ver o saara dominado pelos chineses e afins, mas ainda bem que restam uns poucos resistentes de descendência árabe.]
demos um longo passeio pelas ruas principais e transversais, de onde saímos com:
- guloseimas variadas da casa pedro, pagas com ticket-refeição;
- 2 panos de chão;
- 1 papai noel que sobe uma escada cantando uma música insuportável (era presente);
- 2 pacotes com pregadores em forma de bichinhos;
- 2 panos de chão;
- 1 pisca-pisca de laranjinhas (que se tornou minha maior obsessão da manhã, a ponto de eu não conseguir imaginar mais a vida sem um daqueles, que por sinal parou de funcionar no minuto seguinte que colocamos na tomada de casa);
- 1 espelho redondo, para um experimento decorativo;
- 1 ramalhete de flores artificiais para compor minha fantasia de vanessa da mata, na festa que aconteceria à noite; e
- 3 pacotes de gel de bolinhas, que parece ter se tornado a nova mania do saara, porque em cada esquina há um camelô vendendo isso. tratam-se de umas bolinhas que depois de um tempo de molho na água incham, e ficam parecidas com bolas de gude coloridas. pra que serve a gente não entendeu bem, mas achamos bonito e compramos 3 pacotes por 5 reaL.
pra completar, nos regalamos com duas esfirras, uma aberta e uma fechada, um churrasquinho de kafta, servido no meio da rua e uma laranjada no point mais tradicional da região: a pastelaria com azulejos de laranjinhas.
é ou não é a maior diversão?
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