se aliste, meu camarada!

domingão nublado em ipanema, viro a esquina da praia e dou de cara com uma cena mais ou menos assim:


logo em seguida vieram voando uns diversos helicópteros da marinha, compondo uma cena bem cinematográfica.
imediatamente começa a tocar na minha cabeça:

"se a guerra for declarada
em pleno domingo de carnaval
verás que um filho não foge à luta
brasil, recruta o teu pessoal
se a terra anda ameaçada
de se acabar numa explosão de sal
se aliste, meu camarada
a gente vai salvar o nosso carnaval"


[em tempo, descobri que a parafernália era para comemorar os 200 anos da abertura dos portos. tudo bem, mas preferi continuar acreditando que era a marinha comemorando a abertura do carnaval]

foto: o globo


circo do sol

na semana passada fui agraciada com um convite para o cirque du soleil. como sempre, encontrei uma boa oportunidade para filosofar.

a primeira coisa que chamou minha atenção [e depois eu vi que a minha amiga também ficou pensando a mesma coisa durante o espetáculo] foi como o ser humano pode ser aquilo que bem entende. como já disse, acredito que algumas coisas são pré-programadas, como o dna, mas existe uma vasta gama de opções a serem exploradas, experimentadas, desafiadas durante uma vida. por exemplo os artistas do circo, que podiam perfeitamente ser campeões olímpicos! o que eles fazem é incrível: sua capacidade de dar saltos, piruetas, de sustentar o corpo inteiro com uma mão e de se equilibrar numa corda bamba é igual ou superior a de um atleta. mas eles escolheram um caminho diferente: foram ser artistas de circo. poderiam ter ganho medalhas de ouro, poderiam ser mestres de ioga ou simplesmente professores de matemática. existem o que escolhem a glória, o aplauso, a competição, a ascenção espiritual ou o sossego. e ainda bem que existem as escolhas.

quanto mais impossível uma coisa nos parece, mais ela é admirada.

somos criaturas sádicas. no fundo, ficamos sempre na expectativa de que alguém erre, caia, faça uma bobagem.

mas, ao mesmo tempo, somos solidários e quando alguém de fato cai, aplaudimos com mais força, como quem diz: "tudo bem, cair faz parte, apesar disso você é um grande artista".

também somos solidários com aqueles que pagam mico. o sujeito é "pescado" da platéia, levado até o palco pra passar ridículo em público e nós aplaudimos pensando "coitado, eu não queria estar no lugar dele, vou bater palma para que ele não se sinta tão mal".

nossa alma estará a salvo enquanto formos capazes de rir dos palhaços.

mais uma do hortifruti

como diz meu amigo rogerito, deu na cara! eu tinha até arriscado "o advogado do quiabo", mas eles foram mais sagazes ainda e lançaram o "quiabo veste prada". ficou tão sensacional que todo mundo que via, me ligava na hora pra contar.
poxa, eu queria tanto emplacar um filme para o hortifruti!...

dia de caça

depois de quase um ano passando diariamente pela porta de um dos puteiros mais famosos da cidade, hoje me deu um estalo: os homens não vão ao puteiro comer ninguém. eles vão lá é pra serem comidos.

para uma mulher, comer um homem pode ser tarefa penosa e as putas merecem ser muito bem pagas por isso.

caras & bundas

toda vez que eu leio (sic) a caras, sou acometida por várias reflexões, hipóteses, elucubrações. vou compartilhar algumas delas aqui:



  • o marcos paulo deve estar mal de grana e começou a cobrar pra aparecer ao lado de aspirantes a celebridades pra dar uma bombadinha na "carreira" delas. fazem parte do pacote: capa ou matéria de destaque na caras, declarações do tipo "estou apaixonado" fulana é a mulher mais linda do brasil" "foi amor à primeira vista" e a promessa de um teste na globo (no qual elas nunca passam). na condição de filha do ministro a marina mantega (who?!) teve direito a muito mais coisa no contrato dela e apareceu em todas as revistas, por umas três semanas no ano passado, incluindo várias capas. não conseguiu um papel nem na turma do didi e hoje em dia ninguém mais sabe quem é ela. pior ainda a última ? penúltima ? cliente/namorada dele que ficou "conhecida" como "a ex mulher do marido brasileiro da athina onássis". tentou se livrar da alcunha virando a "namorada do marcos paulo" mas agora foi rebaixada a "ex-do marcos paulo". talvez tenha sido um erro de estratégia. a rotatividade é alta, era mais jogo ela ter ficado com a primeira opção.

  • tenho quase certeza que ou o marido da ana maria braga não tem um dente da frente ou está treinando para interpretar a hello kitty no cinema - já reparou que ele nunca aparece rindo, nem nas fotos do casamento? [pensando melhor, se eu estivesse casando com a ana maria braga também não estaria rindo nem um pouco]

  • também estou 99% certa de que existem umas pessoas cujo emprego é aparecer nessas revistas. elas não fazem nada na tv há anos, não estão com uma peça em cartaz, muito menos estrelaram um filme. como já passaram da idade de dar pinta em festa de debutante do interior, sua única fonte de renda vem das revistas. se bem que, se essa está com os dois pés na obscuridade, eles é que deveriam pagar pra aparecer. vai ver que trocam uma foto por um quilo de arroz aqui, posam por um quilo de feijão acolá, e assim vão vivendo. fazem parte desse grupo: cesar filho & elaine (who?!) mikely, milla christie, flavia monteiro e outros.

  • já um outro grupo até faz uma coisa aqui e ali na tv, mas estes provavelmente têm preguiça de cozinhar, ir ao mercado, enfim, consideram essas tarefas domésticas uma chatice. sendo assim, preferem fazer as refeições no castelo de caras, na ilha de caras, na vila de caras, na choupana de caras, etc. isso em troca de umas fotos e declarações imbecis, é claro. são desse time: josé de abreu, totia meirelles, oscar magrini, e por aí vai.

  • do que se trata* andreramosebrunochatobriand? [a resposta para esta pergunta merece um post à parte] *[sim, no singular, por que pra mim é uma coisa só]

  • esse negócio de tirar foto de comida é muito coisa de pobre. e quando resolvem descrever o cardápio de algum evento no meio da matéria? aff!...

  • fico constrangida com um monte de gente. a vera fischer, por exemplo, que resolveu pagar de pintora e escritora. aguarde um cd com os clássicos da bossa nova interpretados por vera fisher em meados do ano. assim ela consolida sua carreira de artista multitalentosa.

  • aliás, quase tudo me deixa constrangida: as declarações medíocres, o uso de expressões saídas dos livros do josé de alencar como "a boda", "seu amado", "estão enamorados", a cafonice desenfreada, as plásticas mal feitas, o jabá descarado e a própria existência de algumas pessoas como david brazil (who?!), hebe, cid moreira e muitas outras.

  • por essas e outras que há coisas que o dinheiro não compra: bom senso, bom gosto, noção do ridículo, vergonha na cara. chego mesmo a pensar que quanto mais dinheiro um sujeito propenso a estes desvios ganha, pior a situação: a cafonice fica potencializada, a falta de noção aumenta, a vergonha na cara desaparece de vez. sinceramente, ou uma pessoa recebeu muita bola ou está fora das suas faculdades mentais quando aparece na capa da revista, tomando prosecco na beira da piscina, com um sorriso declarando "sim, eu e fulano estamos nos separando". como assim?! vai resolver isso em casa, filha!

  • e quem pensa que só aqui no brasil esses mexericos fazem sucesso está redondamente enganado. os ingleses, apesar de serem muito diferentes de nós [já falamos um pouco disso aqui], também adoram uma fofoquinha, um barraquinho. só que sobre eles, eu tenho nutrido uma teoria conspiratória: acho que a família real é acionista majoritária do "the sun". assim, quanto mais escândalo na corte, mais jornal eles vendem, mais ricos eles ficam. tô com o pai do dodi: a morte da princesa foi armada. mas não por razões envolvendo nobreza ou religião. pra mim o principal objetivo do assassinato era vender tablóide.

agora, você pode me perguntar se eu ainda continuo "lendo" essas revistas, e eu respondo: to-da-se-ma-na! por que? para me distrair falando mal de tudo & todos e para me sentir a pessoa mais íntegra, sensata e bem vestida da face da terra. pobre e anônima, porém digna.

it's now or never

tenho a crença de que a maior parte dos acontecimentos de uma vida carrega em sua essência uma certa flexibilidade. isso quer dizer que se algo não aconteceu em um momento específico, pode vir a acontecer em outro e vice-versa. o destino não deve ser inexorável assim.
mas existem algumas raras situações em que o timing é fundamental. é agora ou nunca, já cantava elvis presley. se tem uma coisa que atiça a minha ira é perder o timing. sou capaz de passar anos remoendo uma palavra não-dita, uma atitude não-tomada, um beijo não-dado. deixar escapar um momento desses é jogar fora uma possibilidade no lixo não-reciclável das impossibilidades.

beautiful boy



close your eyes,
have no fear,
the monsters gone
,
he's on the run
and your daddy's here,

beautiful,
beautiful,
beautiful,
beautiful boy,

before you go to sleep,
say a little prayer,
every day in every way,
it's getting better and better
,

beautiful,
beautiful,
beautiful,
beautiful boy,

out on the ocean sailing away,
i can hardly wait,
to see you to come of age,
but i guess we'll both,
just have to be patient,
yes it's a long way to go
,
but in the meantime,

before you cross the street,
take my hand,
life is just what happens to you,
while your busy making other plans


beautiful,
beautiful,
beautiful,
beautiful boy

(john lennon)

quando eu crescer, quero ser antropóloga

para entender as pequenas diferenças culturais entre os povos, que fazem toda a diferença. ontem, num chope com uma amiga que mora em londres, estávamos discutindo algumas delas.
minha amiga sustenta a tese de que a depilação "brazilian" não cola lá porque as inglesas são muito contidas. ela diz que não consegue imaginar certos diálogos entre depiladora/cliente, bastante comuns aqui no brasil, por causa dessa suposta privação da intimidade dos ingleses. se aqui se ouve com muita naturalidade "vai fazer com calcinha ou sem?", "querida, me ajuda a abrir o bumbum, por favor", "qual formato você vai fazer, meu amor?" das depiladoras que desfrutam mais da nossa intimidade do que namorados e ginecologistas, enquanto executam seu nobre trabalho comentando a novela do dia anterior, na inglaterra a cena é impensável. por outro lado, as inglesas não têm vergonha de se despir em público, seja no banheiro da academia ou tomando sol nas praias e parques. e, se elas entornam uns pints além da conta, o que é bem freqüente, arrastam o primeiro que vêem pela frente e levam pro abate ali mesmo (no banheiro das boates, por exemplo). e ninguém tem nada a ver com isso.
as calcinhas são outro caso interessante. como se sabe, na europa inteira só se usa calcinha fio-dental. flagrar alguém pagando calcinha fio-dental é ter uma visão do inferno. o que para nós é um pouco grotesco, lá é normal. inclusive, eles defendem o uso desse tipo de calcinha porque dizem que ela é mais discreta e não marca a roupa. o que eu não sabia era que para os ingleses, a nossa calcinha, "normal" (nem fio-dental nem calçolão), pelo fato de geralmente marcar na roupa, é considerada vulgar!
sem fazer julgamento de valor destas questões enigmáticas, eu acho diferenças assim muito interessantes. o mundo ia ser chato se fosse todos fossem iguais. e deus não deixou de ser sábio quando fez essa distribuição de caretices e porra-louquices entre os povos, porque só ela garante o equilíbrio universal.

[taí, se não entendo os fenômenos culturais sob a ótica antropológica, pelo menos encontrei uma explicação mística satisfatória pras idiossincrasias do ser humano!...]

desmemoriada

de-tes-to quando não consigo lembrar de alguma coisa e fico só com peças soltas de um quebra-cabeça vagando pela minha memória. como o que a gente sente quando não sabe de onde conhece fulano mas lembra de algum detalhe desconexo sobre o fulano em questão, que nunca é suficiente para fazer a ponte. por exemplo, uma vez eu vi uma mulher em mauá que eu tinha certeza conhecer de algum lugar e me ocorreu que o nome dela era mônica. só não conseguia descobrir de onde era a tal mônica. para meu grande alívio, um tempo depois lembrei que ela tinha sido minha professora. se não é o nome, às vezes eu tenho o sentimento de ter convivido muito com a pessoa, outras eu relaciono o sujeito com alguma situação específica e vou tentando puxar os fios pra ver se monto o quadro todo na cabeça. geralmente é angustiante e, pior, não vou ganhar nada pela lembrança, ou seja, o melhor é deixar pra lá, mas quem disse que eu consigo?
agora mesmo estou passando por isso. sabe lá por quê, do nada me bateu na cabeça uma "cena" de um livro que eu li, um homem (?) se hospeda em uma estação de repouso (?) e conhece uma mulher e sua filha. acho que ficam amigos. acho que dão um passeio. talvez a filha seja um pouco mimada, acho que ela é doente e meio temperamental com a mãe. sei que esse é só trecho secundário do livro, não é a passagem principal dele (provavelmente por isso a minha dificuldade de lembrar o nome). não sei em que época se passa a história. tenho a sensação que o autor é europeu, talvez alemão, francês, ou russo. ou a história acontece em algum desses lugares. talvez o trecho esteja escrito em formato de carta...isso é tudo o que eu consigo lembrar e estou há horas tentando puxar na memória mais detalhes pra saber de que livro se trata. já fiz a lista dos livros que eu li em 2007 e o trecho não tem nada a ver com nenhum deles. o mais perturbador é que eu consigo "visualizar" a "cena" que eu criei enquanto lia aquilo! a nossa cabeça (ou será só a minha?) é bem estranha... acho que não vou dormir essa noite. será que eu li isso num livro mesmo? será que eu sonhei? socorro, alguém me ajuda!

balanço literário

também gosto de fazer uma retrospectiva do que eu andei lendo. fiquei com a impressão de que eu li mais em 2006, mas posso estar esquecendo um livro ou outro na lista...

- grande sertão: veredas de guimarães rosa - que susto de livro, que beleza. merece ser lido várias vezes, provavelmente com descobertas novas a cada vez, mas eu acho que ainda não estou pronta pra começar a reler livros.
- a vida como ela é de nelson rodrigues - nunca tinha lido nada dele de fato. gosto dos nomes dos personagens, dos diálogos, da gíria da época. achei um pouco repetitivo, mas valeu a pena.
- assessora de encrenca de gilda mattoso - divertido, leitura fácil com histórias divertidas sobre os grandes nomes da mpb. é mais leve, mas o noites tropicais é melhor. o ponto alto são as histórias envolvendo o vinícius, de quem ela foi a última mulher e o joão gilberto.
- a imortalidade de milan kundera - sou suspeita pra falar do meu atual autor favorito. as sacadas dele me deixam tonta. esse livro é um tico mais filosófico e a história é mais picotada do que a dos outros romances dele. ainda prefiro a brincadeira e a insustentável leveza do ser, mas esse também é *muito* bom.
- mentiras no divã de irvin d. yalom - fiquei um pouco decepcionada. o livro me pegou, mas o romance não me acrescentou nada, fora a distorção do que ele chama de psicanálise.
- uma casa no fim do mundo de michael cunnigham - definitivamente não foi o ano dos americanos. esse é do mesmo autor de as horas, mas não chega aos pés.
- vale tudo: o som e a fúria de tim maia de nelson motta - terminei de ler esses dias. adorei, devorei, morri de rir. inacreditável que tudo isso tenha acontecido com uma pessoa de verdade!

se eu lembrar de mais algum, acrescento.

balanço anual: fechamento 2007

como todo "querido diário" que se preze (e eu já tive vários, apenas esse é o primeiro "público"), é preciso, ao fim de todo ano, fazer uma prestação de contas de mim pra mim mesma.

a saber.

no ano fiscal de 2007 eu:

- me tornei uma dona-de-casa, com casa e dono
- engordei/emagreci/engordei
- tive alta da análise
- não tirei férias e viajei pouco (búzios, ibitipoca, são paulo)
- fui tanto à praia que não deu tempo de desbotar
- redescobri a alegria de ser rubro-negra
- fui a alguns shows, não tantos quanto eu gostaria de ter ido. idem para cinema e teatro.
- ganhei um sobrinho novo
- enchi de beijos os sobrinhos veteranos
- dei algumas festinhas, nenhum festão
- quase acabei a pós
- bebi menos
- devo ter feito uns 397 ppts, mas fiquei satisfeita com o resultado do trabalho
- plantei um blog!

apesar do fim de ano esquisito, na maior parte do tempo mantive a mente (in)quieta, a espinha ereta e o coração tranquilo.

ou seja, fechamos no azul.

o único desejo para 2008 é que seja um ano de cigarra, já que 2007 foi puro ano de formiga. contudo, espero não desapontar os acionistas: a produtividade não ficará comprometida com a cantoria das cigarras, pelo contrário! o jardim vibra e sorri quando elas cantam anunciando o sol!

o canto da cigarra é o despertador dos iluminados. que venha um 2008 ensolarado!

o último pôr-do-sol




a onda ainda quebra na praia,

espumas se misturam com o vento.

no dia em que você foi embora, eu fiquei

sentindo saudades do que não foi

lembrando até do que não vivi...


(lenine)


último pôr-do-sol de 2007

drama

metalize a cena:

ela está aos prantos porque ele vai partir. ele olha perplexo para ela, sem entender muito bem o porquê daquele choro todo. nervoso, sem saber o que fazer, ele toma uma atitude inusitada: lhe desfere um sonoro tapa na cara, daqueles estalados. ela começa a chorar mais ainda, abrindo o berreiro como uma criança. ele fica olhando assustado.

essa cena de fato aconteceu. ela tem trinta e ele vai fazer quatro ano que vem.

dojardim apud damatta

porque como eu já disse aqui antes, citando damatta, o futebol é o ópio do povo. então fui me entorpecer e ver se eu espantava um pouco a tristeza indo ao jogo "das estrelas" promovido pelo zico. como sempre, a ida ao maracanã rendeu reflexões.

o time do zico era o "flamengo 1987", com alguns craques que jogaram no campeonato daquele ano, que o flamengo papou. eu fui na final contra o inter. faça aí as contas, 1987-2007 lá se vão vinte anos. *cof*

o time era esse. você vê que realmente tá ficando velha quando seus ídolos do futebol viraram técnicos...
lá fui eu, movida por um sentimento retrô de ver um time histórico jogar, principalmente com o maior ídolo de todos, o zico. claro que o jogo era pura curtição e ninguém estava levando aquilo muito a sério, mas a torcida foi ao delírio quando o zico marcou seus dois gols. aí eu pensava cá com meus botões no ridículo daquela situação, das pessoas querendo reviver uma coisa que aconteceu há tanto tempo, que muitas delas nem tinham testemunhado da qual, mesmo assim, guardavam uma espécie de memória de vidas passadas. de repente me ocorreu que durante a vida de um indivíduo comum acontecem poucas situações realmente marcantes, mas na maior parte do tempo o que se vive são meras tentativas de reproduzir estes grandes momentos, um pouco como flashbacks simulados. não deixo de ter esse olhar crítico mas, por outro lado, meu dna canceriano também não me impede de navegar com gosto no mar da nostalgia, sem culpa. por isso, dane-se o ridículo, adorei ver o zico jogar. e o junior, meu ídolo segundo, também nascido sob a proteção de são pedro. e leonardo, que ainda bate um bolão. e todos os outros, vovôs ou não.
valeu. onda leve de ópio que cumpriu a função.
***
melhores pérolas:
"hoje é a missa do galo!"
"puta que pariu! o dinamite parece o clodovil" [perdoe o linguajar, mas o pior que o coitado parecia mesmo!]
momento fashion: esse modelito de 1987 pra mim é o melhor ever! cobicei for-te-men-te um original, *da adidas* porque a nike não tá com nada.

pausa futebolística

para comentar a notícia que saiu n'o globo: "italianos torcem para que ronaldo troque o milan pelo flamengo". ora, pelo visto os vascaínos, tricolores e botafoguenses também!

despedida

hoje nossos dois passarinhos mais cantadores voaram rumo ao norte. o jardim está em silêncio.

souza como somos

três mulheres com jeito de duronas e ares de auto-suficiência. de perto, estamos a espera de um sopro para cair aos pedaços.

o universo conspira a meu favor

hoje eu acordei. literalmente acordei, abri os olhos e vi que o universo conspirava a meu favor. deus põe uma salsa pra tocar. não dá pra ficar sem dançar quando a trilha sonora do mundo é uma salsa. eu rio. a água gelada me lembra que estou viva. então de repente está tudo certo, baby, moramos na melhor cidade da américa do sul. como não me dei conta que isso tudo sempre aconteceu enquanto eu dormia?
hoje eu acordei e vi:


[meu primeiro post semi-mobile]

este mundo não me pertence

domingão na praia de ipanema: bem em frente do fatídico lugar onde o turista italiano morreu atropelado ao correr atrás de um ladrão há algumas semanas atrás, há uma manifestação pela "libertação dos animais". pra mim, soou como piada [de mau gosto].

***

eventinho de fim de ano da escola do sobrinho #1: vem uma senhorinha de muletas sentar. estou guardando dois lugares além do meu, mas do meu lado tem uma cadeira com uma mochila em cima. como o dono da mochila não se manifesta, pegamos a mochila e a senhorinha senta. no mesmo segundo uma velha pula e começa a gritar para a senhorinha de muleta: "esse lugar é meu! eu estou guardando esse lugar, ninguém pode sentar!" ficamos todos tão passados que a mulher que estava atrás cede a cadeira para a senhorinha. só que a cadeira fica atrás de uma pilastra e a senhorinha não consegue enxergar o neto. como, até onde se sabe mochila não tem olhos, a senhorinha resolve trocar de lugar com a dita-cuja, colocando a mochila na cadeira atrás da pilastra. eis que a velhota pula novamente repreendendo a senhorinha: "eu já falei que esse lugar é meu!". o sangue me sobe e eu falo: "minha senhora, a senhora pega a sua mochila e coloca aqui no meu lugar (um dos lugares que eu guardava era do lado dela), tá bem?" e falo para a senhorinha sentar mais para o centro da fileira. a senhorinha fala um "muito obrigada pela sua gentileza" irônico para a velhota, que finge que não ouve. a mochila continuou sentada e não chegou ninguém para o ocupar o lugar guardado por unhas e dentes pela megera. desejei ardentemente que naquele dia ela fosse atropelada e tivesse que usar andador pelo resto da vida. e que, obviamente, se deparasse com várias outras velhotas mal educadas do seu naipe pelo caminho.
no mesmo evento, pais, que deveriam voltar para o maternal para aprender noções básicas de educação, se acotovelavam como paparazzi diante da princesa diana para conseguirem tirar fotos dos seus rebentos. resultado: quem estava sentado só conseguiu ver uma multidão de babacas amontoados na frente do palquinho.

***

enquanto isso os classe-ab sem-noção continuam fazendo a festa no canecão. falam aos berros no celular durante o show, batem papo como se estivessem numa mesa de bar, gritam "lindoooo!" para o paulinho da viola como se fosse um show do wando, enfim... acho que só faltam jogar as calcinhas no palco. melhor não dar a idéia.

a última do hortifruti

não posso deixar de comentar. achei que a qualidade da produção criativa deles tinha caído com a "berinjela indiscreta", mas eis que eles me voltam com "kiwi bill". simplesmente genial. as coisas mais geniais são aquelas que fazem a gente pensar com um pouco de raiva: "por que eu não tive essa idéia antes?"

pra não pensarem que eu estou exagerando


este foi o dia em que nós, incautos cariocas e eles, pobre paulistas, derretemos todos sob o sol inclemente e a lei seca do parque villa lobos.

são paulo em doses

[fui à são paulo esse fim de semana conhecer meu novo sobrinho (lindinho mil) e, como sempre, voltei de lá com várias impressões controversas sobre a cidade. prometi pras amigas paulixtas que iria escrever um post falando bem da cidade, mas espero que elas não fiquem decepcionadas com o que eu tenho a dizer.]

porque são paulo antes de tudo me causa estranheza, o que não é necessariamente negativo.

minha primeira lembrança de são paulo a é de um lugar que definitivamente não é são paulo. era um lugar com um pouco de glamour e aconchego invernal, um pouco como a minha última lembrança de curitiba. eu devia ter uns seis anos e a minha memória ficou bem embaçada. depois (ou antes?) acho que fiz uma excursão que incluiu o simbad safari, o playcenter e a cidade da criança. a única coisa que me lembro são de umas xícaras gigantes rodando.

muitos anos depois, de passagem por lá, achei a cidade muito suja, muito cheia de pixações. me lembro de como eu achei a estética vertical e afinada das pixações de lá tão diferente da "caligrafia" dos pixadores cariocas, rebuscada e arredondada. (abomino esse vandalismo em qualquer lugar, mas lembro o quanto isso chamou a minha atenção).

na fase adulta fui à são paulo várias vezes, a maior parte das vezes a trabalho ou por algum motivo extraordinário. quase sempre só pensava em voltar logo. de qualquer forma, ainda tinha aquela má vontade em relação à cidade inerente aos cariocas. ia pra lá procurando mais defeitos do que qualidades, pronta pra voltar com uma reclamação na ponta da língua. não perdi meu velho hábito de reclamar, mas decidi aproveitar o que a cidade tem a me oferecer.

comecei a gostar de fato de são paulo há uns cinco ou seis anos, quando descobri a cidade através de amigos cariocas que foram morar lá e amigos paulistas que moraram no rio. criei um estranho pacto comigo mesma de sempre ir conhecer um lugar diferente a cada visita, e não repetir nenhum bar ou restaurante (exceção concedida ao benjamin, que tem o melhor escondidinho da cidade). o pacto nem sempre é seguido à risca porque a vida em sociedade é assim mesmo, certas pessoas sofrem de rm (resistência à mudança), mas eu tento. por outro lado, tem visitas obrigatórias como a shoestok (não deu tempo de ir dessa vez) e a galeria ouro fino (não deu tempo de curtir direito). o fato é que geralmente a programação é tão intensa que não dá tempo mesmo de cumprir toda a agenda. faz parte da graça do negócio. afinal, se quisesse descansar, teria o bom senso de escolher um destino diferente.

da mesma forma, faz parte do negócio falar mal de são paulo. em que outro lugar do mundo inventariam um show da diana krall em um parque descampado, o sol fritando as pessoas em uma grande frigideira de cimento e nenhum, veja bem, nenhum ambulante vendendo algo para beber? onde mais proliferam aos borbotões bares que imitam botecos cariocas, chamados de pirajá, posto 6 e outros nomes alusivos ao rio, como se o chope do rio devesse algo para o chope de são paulo e não o contrário, mas onde, curiosamente, não se pode beber sem camisa? [aliás, piores do que os bares paulistas que imitam bares cariocas, são os novos bares cariocas que imitam bares paulistas que imitam bares cariocas]. onde mais, ó pai, as pessoas saem com roupa de ginástica na rua mas não vão praticar qualquer atividade esportiva? em que outro lugar as pessoas, sejam elas japonesas, portuguesas, africanas ou de origem indígena, se acham mais italianas do que na própria itália? pessoas que ostentam orgulhosamente seus bmws e outros carros tão luxuosos quanto com a placa "mio" querendo dizer: é meu otário, vai trabalhar pra comprar um igual?

como eu disse, são paulo me causa estranheza. mas é observando o estranho que a gente vai se conhecendo. e assim, deixei são paulo me conquistar pela boca e pelo coração. pela boca porque come-se muito, mas muito bem naquela terra. não é todo lugar que é bom, mas os lugares bons costumam ser ótimos - e há milhares deles. pra uma sujeita como eu, boa de garfo, faca e guardanapo, são paulo é um prato cheio [lembrar de escrever sobre a inevitabilidade de certos trocadilhos infames!]. pelo coração porque lá vivem amigos queridos, sempre cheios de hospitalidade, sempre dispostos a mostrar o que a cidade tem de melhor. amigos que não se importam dirigir distâncias absurdas pra nos levar de um canto ao outro tentando fazer caber na nossa agenda apertada uma infinidade de boas surpresas - e algumas furadas também!... amigos bons de papo, de riso e de copo que não levam muito a sério quando uma carioca abusada se mete a falar da cidade deles.

são paulo é isso e é muito mais que isso. é tudo o que que eu ainda vou descobrir.

sou rico mas sou sujinho

então o garcia&rodrigues foi autuado por servir comida fora da validade. novidade! da única vez que eu botei meus pézinhos naquele lugar, num acesso de luxúria, encontrei de uma só tacada um cabelo no meu prato e uma barata cascudérrima andando no balcão.
já estou acostumada com esse tipo de coisa a contar pelo naipe dos lugares que eu frequento. anteontem mesmo fui comer uma esfirra no árabe da galeria menescal e encontrei um cabelo. joguei fora apenas a pequena área onde estava o fio e comi o resto normalmente. estava ótima. imagino eu que a cozinha de todos os restaurantes do rio, mas todos mesmo, seja imunda e cheia de ratos e baratas. vale a máxima universal "o que os olhos não vêem..." (infelizmente os cabelos são visíveis). mas não venham tirar onda com a minha cara! restaurante chique my ass! o garcia&rodrigues nunca me enganou! eu fecho com o belmonte (que aliás foi acusado da mesma irregularidade com os alimentos), é sujinho, é pobrinho, mas pelo menos os garçons são muito gente boa!

reflexões futebolísticas IV - o ópio do povo

futebol é carnaval e vice-versa. depois eu desenvolvo, mas acho que o roberto damatta já falou muito mais e melhor (óbvio) sobre o assunto.

reflexões futebolísticas III - encontro de almas

pra mim, um dos encontros entre almas mais marcantes que pode existir é quando um pai leva um filho, ou uma filha, ao estádio para ver o time jogar. quem passou por isso na infância sabe do que eu estou falando, é uma recordação especial, uma lembrança que pode ser mais forte que a de um aniversário ou uma viagem à disney. me emociono sempre que vejo pais e filhos no maracanã, torcendo juntos, tirando fotos, comprando bugigangas, comendo pipoca: os pais orgulhosos dos filhos, desde pequenos no "caminho certo", os filhos felizes de estarem fazendo parte daquela festa com os pais.
viajo no tempo e me vejo ali, pequeninha, pensando em como se fala palavrão naquele lugar e mesmo assim é permitido, triste se o flamengo perdia (será que a culpa foi minha? será que eu botei as meias certas?), feliz se o flamengo ganhava (guardei anos e anos uma faixa comprada na saída do maracanã quando ele foi campeão), mas sempre, sempre de mãos dadas com a inesquecível mão do meu pai.

[pais e mães, levem seus filhos ao estádio sem medo. é um presente singelo que custa só um ingresso (o seu), um saco de pipoca, uma coca-cola e uma bandeirinha de time, mas que, dado com carinho de pais para filhos, será compartilhado com milhares de pessoas. e emoção compartilhada a gente nunca esquece.]

reflexões futebolísticas II - o enigma do peido

isso é deveras intrigante: por que se peida tanto - e tão mal - no maracanã? já disseram que a culpa é da cerveja, mas eu discordo: eu bebo e não saio peidando por aí. cogitei ser alguma coisa que aqueles ambulantes vendem e neguinho come, cachorro quente king dog, bicoitos lekitos, sei lá. meu nobilíssimo colega de trabalho objetou, disse que não há mistério algum com os peidos do maraca. segundo seu argumento, não ocorre uma super-flatulência por ocasião do jogo, a quantidade de peidos estaria dentro da média diária de um indivíduo normal, mas como são milhares de pessoas concentradas e paradas em um mesmo lugar peidando juntas a impressão que dá é de que o ar fica literalmente carregado. além disso, observou o colega, estar em meio a uma multidão, encoraja os instintos flatulentos já que os torcedores se sentem protegidos pelo anonimato, afinal de contas, no maracanã, ao contrário do que acontece em um elevador com duas pessoas, por exemplo, o peido não tem dono. sei não, essa teoria não me convence por ser apenas parcialmente esclarecedora, afinal de contas não elucida a questão da catinga... na minha hipótese o povo deve almoçar feijão com repolho, ovo de codorna e bife de fígado antes de ir pro jogo e depois põe a culpa na pobre da itaipava!...

reflexões futebolísticas I - o paradoxo do "senta"

o jogo começa e está todo mundo em pé. dali a pouco começam a gritar "sentaaaaa!" e o povo vai sentando de cima pra baixo. o problema é que se quem está na sua frente resolve não sentar você fica num dilema: ou fica em pé também e caga pra quem está atrás, ou senta e não enxerga nada. no fim das contas funciona mais ou menos assim: se o cara da primeira fileira não estiver a fim de sentar, geral vai ver o jogo em pé.

drops futebolísticos II

25 de novembro - último jogo do ano, despedida do mengão no maraca em grande estilo

  • estádio lindo, como sempre. torcida idem. cobiço uma camisa 12.
  • estréia da peruquinha vermelha na torcida. não basta torcer, tem que ter estilo.
  • por falar em estilo, vamos ao momento fashion: ney franco péssimo com um modelito inexplicável de calça jeans da uruguaiana, blusinha meio-pólo-meio-esportiva e uma botinha zebu (!) pra arrematar. aff! são joel, cujos milagres já foram levados ao conhecimento do papa bento XVI, mais uma vez estava impecável em seu jogging-pretinho-básico.
  • a suderj inventou agora de colocar uns alto-falantes berrando o hino do flamengo. o gênio que inventou isso deve achar que abafou. eu odiei. numa boa, coloquem esses alto-falantes tocando hino nos jogos do vasquinho, do foguinho, do fluzinho... nos jogos do mengão eles, além de desnecessários, atrapalham o que há de mais bonito que é o canto da nação rubro-negra.

drops futebolísticos

[enquanto eu e b'__ não publicamos nosso blog exclusivo sobre o assunto]

  • que lindo o maracanã lotado, público recorde no campeonato. dia 25 tamo aeeee!
  • a torcida é tão ou mais divertida, emocionante, bonita, quanto o jogo em si. e vamos combinar? que nem a nação rubro-negra não tem, pode procurar. e divertido mesmo é ver malando-machão chorar! onde mais?
  • por essas e outras, acho que esse ano, contando com abertura do pan e jogo do brasil, fui mais vezes ao maraca do que na minha vida inteira. e ainda tem o show do the police! dessa vez fui de cadeira perpétua, cortesia de uma amiga de trabalho. o lugar é perfeito, pertinho do campo, embaixo da imprensa (assim, não corremos nem o risco de tomar objetos não-identificados na cabeça). desejei muito ser a feliz possuidora de cadeiras perpétuas no maracanã. já pensou, que onda na copa de 2124?!
  • mas na maioria das vezes acabei indo de camarote e cheguei a uma conclusão: o camarote do maracanã é que nem uma foda de camisinha - tudo muito limpinho, muito seguro, mas não dá aqueeela emoção. de qualquer jeito, é melhor que nada. (e não faz mal nenhum tomar um choppinho gelado e ir ao banheiro sem se perder - sim, eu me perdi indo ao banheiro na arquibancada - vendo o mengão jogar).
  • essa fase tá me deixando meio baixaria, além de rouca. cheguei do jogo cantando e o cônjuge me disse que ninguém no prédio tinha gritado quando o flamengo fez o gol, ao que eu respondi "ah é? só tem pó de arroz nesse prédio! se eles não gritam, grito eu!" e me pendurei no parapeito da área de serviço e gritei mengoooooooooooo!!! rapidamente fechei a janela, antes que reclamassem com o porteiro que a louca do XX01 estava perturbando a ordem do prédio. preciso manter minha imagem de pessoa séria.
  • [momento fashion] perguntinha que não quer calar: por que todos os técnicos têm uma barriguinha? até aí, ok, muita churrascaria, pouca corrida. mas aquele vanderley é muito cafona, com aquela roupa dele social, aquela calça de seda, apertada na bunda, péssimo! eu acho assim ó: ou o treinador é europeu-ultra-elegante e, neste caso, está autorizado a vestir um terno italiano ou então, mortais, vistam um jogging que está superadequado.

equação onírica

12 horas de trabalho + flamengo 2x1 + chope x 4 + 7 horas de sono
= sonho com uma das minhas chefes me dizendo que o romário, que era um dos diretores da coca-cola, confidenciou pra ela que eu era uma das favoritas dele e que por isso tinha colocado meu nome no disputadíssimo camarote da coca-cola para o próximo jogo do flamengo.

então tá. como não estou mais na análise, não sei bem interpretar esse sonho sob a ótica freudiana. mas, que tipo de insight eu posso depreender disso tudo? que eu ando trabalhando demais? que eu ando bebendo pouco? que os diretores na coca-cola são vascaínos? e o mais intrigante, o que cacete significa ser a favorita do romário?!